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Reforma de Aquário

7 de abril de 2014

Àqueles que renunciam uma postura meramente defensiva com relação ao fenômeno dos “desigrejados”, este é um tempo único para uma reflexão e reavaliação de algumas de nossas práticas “igrejeiras”. Os mais sinceros conseguirão ver brechas nos odres atuais e reconhecerão a necessidade de odres novos. Mas ao invés de buscar odres novos, muitos tentarão remendar os odres atuais. De fato, já há uma tentativa de reforma nos dias de hoje. Alguns, no entanto, estão tentando canalizar isso dentro das instituições religiosas.

Por experiência própria posso dizer que certos princípios de grupos pequenos tornam uma congregação institucional mais dinâmica e viva. Mas mais cedo, ou mais tarde, tais comunidades terão que escolher entre preservar o vinho novo ou manter os odres velhos. E é aí que normalmente os problemas começam a acontecer.

Não posso afirmar que seja impossível uma Igreja institucionalizada se converter totalmente em uma igreja orgânica. No entanto, sou muito pouco otimista quanto a isso. Igrejas institucionais que possuem grupos pequenos normalmente seguem dois caminhos: ou cristalizam seus pequenos grupos em pequenos cultinhos, levando a tradição religiosa dos templos para dentro das casas na forma de uma rígida estrutura clero-laical e liturgica, ou na melhor das hipóteses se tornam congregações esquizofrênicas com o tempo.

Conforme a vida orgânica da Igreja se desenvolve, menos e menos os membros dependem dos aparatos institucionais para viver a Igreja, e os anticorpos da instituição começam a reagir. A instituição tem uma vida própria, e seu instinto de preservação é algo antagônico àquilo que um cristianismo orgânico propõe. E muitos, seja por dependência financeira ou emocional da tradição religiosa, servem como anticorpos institucionais ao mover do Espírito em suas fileiras.

Estas pessoas querem mudança, mas como ainda não estão preparadas para nadar nas correntezas do rio de Deus, preferem criar uma reforma de aquário, que possui características semelhantes ao real, mas que coloca limites e tenta manter o mover em um ambiente humanamente controlado pela tradição clerical-templocêntrica.

Entretanto, não há como dizer que estes movimentos não sejam válidos, pois despertam as pessoas para uma dimensão espiritual de sacerdócio universal e comunhão. Não há dúvida de que representa um progresso quando comparado ao modelo tradicional. Acredito que Deus está usando o movimento celular para despertar os sentidos adormecidos da Igreja. Entretanto, penso que o odre institucional é muito pequeno para conter o vinho novo que Deus quer derramar. E conforme os odres velhos começarem a rachar, crentes famintos crescerão espiritualmente como a borboleta que rompe com seu casulo para bater asas e voar – renunciando sua dependência do sistema religioso para permitir que seus instintos espirituais os levem rumo a uma Igreja mais orgânica. Mas isso envolverá renúncia e auto-sacrifício para nos ajustarmos aos padrões que Deus espera de nossa geração.

© Pão & Vinho

Este texto está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcialmente ou na íntegra, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

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One Comment
  1. Ubiratan permalink
    1 de maio de 2014 14:23

    É a pura verdade. Somos como Nicodemus, e apesar de experimentarmos o Vinho Novo que é infinitamente melhor acabamos voltando atrás que é mais cômodo.
    Sinto-me pobre, cego e nu.
    Nos ajude Pai!

Comentários encerrados.

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