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Os apóstolos erraram ao lançar sortes na escolha de Matias?

19 de junho de 2012

Alguns irmãos em igrejas caseiras estão tendo dificuldades com liberais que se infiltram nas comunidades, intitulando-se “presbíteros”, que não creem nas Escrituras e apontam erros na narrativa bíblica no intuito de desacreditá-la. Respondo aqui a um irmão que me escreveu em privado e que tem enfrentado este tipo de situação. Um dos supostos erros apontados por estes liberais é o fato de os apóstolos terem “lançados sortes” para escolher o substituto de Judas ao invés de “consultar o Espírito.”

Lançar sortes seria equivalente a lançar dados ou jogar uma moeda para tirar “cara ou coroa”. Tal prática é vista como algo supersticioso nos dias de hoje, mas nos tempos bíblicos era algo comum. Somos uma geração privilegiada, premiada com um cânon já formado e com o batismo no Espírito Santo disponíveis a qualquer crente em nossos dias. Portanto lançar sortes já não se faz mais necessário e hoje somos chamados a “compreender qual é a vontade do Senhor” (Ef 5:17) pela “renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rom 12:2).

No entanto, a prática de lançar sortes é mencionada diversas vezes no Antigo Testamento. Deus permitia que os israelitas lançassem sortes para determinar sua vontade em uma situação em particular. Sob a liderança de Josué, sortes foram lançadas na divisão de terras entre as tribos (Josué 18:1-10). No livro de Números, vemos Deus ordenando o lançamento de sortes (26:55; 33:54; 34:13; 36:2) e várias funções no Templo eram determinadas desta maneira (1 Cr 24:5, 31; 25:8-9; 26:13-14, Nm 10:34). Em outra palavras, Deus falava por das sortes. Nada mais natural que, antes da vinda do Espírito Santo, os apóstolos se utilizassem deste recurso para determinar o substituto de Judas.

Após a descida do Espírito, não há mais registros desta prática na Igreja. Por exemplo, na ocasião em que os apóstolos debatiam a inclusão dos gentios na Igreja, vemos que tal decisão foi tomada por meio das Escrituras e por revelação do Espírito (Atos 15:15-19). No entanto, antes do cumprimento profético de Pentecostes, em Atos 2, tal prática era legítima.

Algumas pessoas alegam que a escolha de Matias foi precipitada, mas a própria Escritura atesta que tal atos foi uma providência divina, pois em Atos 2:24 o Espírito Santo inspira Lucas a se referir a Matias como um dos onze.

© Pão & Vinho

Este texto está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcialmente ou na íntegra, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

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8 Comentários
  1. 20 de junho de 2012 13:59

    Irmão Hugo, apenas um comentário,

    Sobre o lançar sortes, assim como o urim e o tumim, o princípio disso é que, dessa maneira, seja qual for o resultado, esse não sofreria nenhuma influência favorável ou desfavorável para o homem, cabendo somente a Deus (ou ao acaso) a escolha. Desse modo, jamais caberia dúvida ou “recurso” para o resultado obtido.

    Na Paz de Cristo,
    Marcio.

  2. Anderson Chaves permalink
    20 de junho de 2012 21:50

    Já vi um questionamento semelhante sobre a atitude dos discípulos narrada na passagem em Lucas 23:56 (“..E descansaram no sábado, em obediência ao mandamento”.), sobre o que eles fizeram após o sepultamento de Jesus. Creio que somente após a vinda do Espírito Santo, começou a ser revelado à igreja que os rituais da lei mosaica eram apenas uma figura, uma sombra da realidade que está em Cristo (Colossenses 2:16-17 e Hebreus 10:01). Acho que até o Espírito Santo ter começado a ensinar todas as coisas (João 14:26), os discípulos “ficavam nessa” de que ainda deveriam guardar os antigos ritos, o que inclui essa prática de lançar sortes. Considero o concílio de Atos 15 como sendo um marco esclarecedor para a igreja de todas as eras sobre, sobre o que os gentios convertidos deveriam guardar ou não da Lei.

  3. 21 de junho de 2012 23:20

    Anderson Chaves,

    Os judeus convertidos nunca deixaram de ser judeus. Nunca deixaram de guardar o sábado, orar 3 vezes ao dia, circuncidar, não começaram a comer porco… Jesus, nem os apóstolos, nunca exigiram isso dos judeus convertidos. As Escrituras dizem que muitos sacerdotes se converteram na época de Jesus, e creram que ele era o Messias, mas as Escrituras não nos dizem em nenhum momento que eles deixaram de ser sacerdotes ou abandonaram os rituais mosaicos. É preciso entender que nós nascemos fora deste sistema, mas aqueles que nasceram dentro continuaram. A única diferença é que os simbolismos que antes apontavam para a vinda do Messias no futuro apontavam agora para algo que havia acontecido. E tais rituais não cessaram de serem realizados até que o próprio Deus se encarregou e destruir o epicentro do judaísmo – o templo em Jerusalém – e cessou o sacrifício.

  4. cristina permalink
    23 de junho de 2012 10:14

    Acredito que esses que apontam como erro o modo que os apóstolos usaram para substituir a Judas , esquecem que Matias pregou a Cristo na Ásia Menor e na Síria, e segundo relatos baseados na tradição da igreja , o mesmo foi morto queimado. Acho que ao invés de ficar a apontar possíveis falhas , olhemos a obra realizada por cada um desses homens valentes.

  5. Wanderlei permalink
    26 de junho de 2012 16:41

    Muito bem observado irmã Hugo, realmente a descida do Espírito Santo ainda não havia se concretizado, portanto, eles ainda andavam segundo a carne e não segundo o Espírito. Graças ao Senhor Jesus eu nunca tive problemas com essa passagem. Não obstante, e aproveitando o tema corrente do “erro”, gostaria de apresentar abaixo duas passagens dúbias em Atos dos apóstolos, onde vemos a narrativa de Lucas sobre a conversão de Paulo (aos irmãos que não sabem, Lucas foi quem escreveu Atos dos Apóstolos):

    1) “E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer. E os homens, que iam com ele, pararam espantados, OUVINDO A VOZ, mas não vendo ninguém”. (Atos 9:3-7).

    2) “Ora, aconteceu que, indo eu já de caminho, e chegando perto de Damasco, quase ao meio-dia, de repente me rodeou uma grande luz do céu. E caí por terra, e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E eu respondi: Quem és, Senhor? E disse-me: Eu sou Jesus Nazareno, a quem tu persegues. E os que estavam comigo viram, em verdade, a luz, e se atemorizaram muito, mas NÃO OUVIRAM A VOZ daquele que falava comigo”. (Atos 22:6-9).

    Notem que em uma delas, os que acompanhavam Paulo “ouviram a voz” e na outra “não ouviram a voz”. Com o desejo de aprender com os irmãos em Cristo, e de nos prepararmos para respondermos a todos, qual seja a razão da nossa fé, faço me cético (ainda que não seja do Senhor), para fazer a pergunta que não quer calar na boca dos que não creem na Palavra de Deus:

    Se toda escritura é divinamente inspirada, por que houve esse “erro”?

    Irmãos, confesso que a primeira vez que me deparei com essa passagens eu me senti em choque. Roguei, porém, por sabedoria a Deus, que a todos dá e não lança em rosto (Tiago 1:5), e através da plenitude daquele que cumpre tudo em todos, ele me deu a entender o seguinte:

    Nos dias de hoje, há vários escarnecedores dizendo que a palavra de Deus foi adulterada e modificada ao longo dos séculos, dando a entender, ainda que nem todos conscientemente, que ela não é 100% inspirada pelo Espírito Santo. Mas Deus se revelou a humanidade através de sua palavra, pois ela se cumpriu, ou seja, a profecia predita na sua palavra se fez carne e habitou entre nós (João 1:14). Entretanto, a maior prova de que a palavra de Deus não foi adulterada, é o simples fato de que se tivesse sido, tais “erros” como este, teriam sido corrigidos pelos homens.

    “Ainda veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que é que vês, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira. E disse-me o SENHOR: Viste bem; porque EU VELO SOBRE A MINHA PALAVRA para cumpri-la”. (Jeremias 1:11-12).

    Conclusão: Deus permitiu a narração dúbia de Lucas, em Atos dos Apóstolos, para nos testificar de que Ele não permite alterações em sua palavra nem mesmo para corrigi-la. No mais, tais “erros” nada prejudicam a verdade do Evangelho de Jesus Cristo, que é o fato de que todos pecaram e ficaram separados da Glória de Deus (Rom.3:23), porém, Deus nos amou de tal maneira, que enviou o seu filho unigênito (em sacrifício em nosso lugar), para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna(João 3:16).

    No Amor do Mestre, Graça e Paz!!

  6. William permalink
    4 de dezembro de 2012 10:18

    Wanderlei,
    Amado irmão em Cristo, na versão da Bíblia NVI o livro de Atos 22: 9 ” Os que me acompanhavam viram a luz, mas não entenderam a voz daquele que falava comigo. ” e na versão Revista e Atualizada no livro de Atos 22:9 ” Os que estavam comigo viram a luz, sem, contudo, perceberem o sentido da voz de quem falava comigo. “.
    Mesmo sentido e significado, apenas escritas de formas diferentes. Conclusão, não existe conflito, entre o capítulo 9 e o capítulo 22 no livro de Atos, os que acompanhavam o Saulo “OUVIRAM”.

  7. Marcelo R M Ramos permalink
    6 de janeiro de 2013 23:28

    Olá a todos. É fato que há passagens na Bíblia que se contradizem em questões irrelevantes, bem como fatos que não podem ser imitados por nós (por isso é importante não basear doutrinas em eventos descritivos que não tenham correspondentes nos ensino da Bíblia). No caso da escolha de Matias, o contexto já foi esclarecido no artigo. Só complementando: o motivo para a escolha de um novo apóstolo foi a aplicação de uma passagem bíblica (“… tome outro o seu encargo…”); a qualificação foi cuidadosamente apresentada (“… dos que andaram/testemunharam com/de Jesus desde o batismo…”); e ambos atendiam às especificações apresentadas antes da escolha. É importante vermos também que eles se mantinham em constante oração e comunhão. Portanto, o evento foi precedido de cuidadosa busca do auxílio de Deus, que estaria com eles (bem como conosco) “todos os dias”. Qualquer dos dois estava habilitado, e tinha o conhecimento e exemplo de vida necessários para a função. Ambos foram discípulos exemplares, e foram aceitos “por consenso comum”, o que indica decisão consciente dos apóstolos, e não algo feito de maneira aleatória e impulsiva. É claro que eles não eram perfeitos, e poderiam ter errado neste caso, não perdendo a autoridade de apóstolos e nem invalidando os ensinos que transmitiram segundo “todas as coisas” que Jesus lhes ordenou, mas não foi o caso. E se tivessem errado, o Espírito Santo fatalmente faria o alerta a eles (como no caso de Ananias e Safira), pois estamos falando daqueles que lideraram a igreja. Mas o contexto da escolha de Matias nos possibilita concluir que o que não fosse escolhido continuaria habilidado a auxiliar na liderança da igreja, ainda que sem o título apostólico. Não se trata de escolher entre um bom e outro ruim, mas qual dos servos verdadeiros estava mais habilitado. É bom lembrar que mesmo Pedro: traiu a Jesus, foi agressivo ao falar da circuncisão, precisou ser repreendido por Paulo ao se afastar dos gentios … e continuou sendo visto como coluna da igreja, junto com os apóstolos. Tiago foi prudente ao tomar a palavra em Antioquia. Falhos, mas cuidadosos, zelosos, sinceros, incansáveis, destemidos e guiados por Deus, e com humildade suficiente para reconhecer possíveis decisões erradas.

  8. Osvaldo permalink
    7 de maio de 2014 21:04

    Que material eles usavam para lançar sorte na epoca de cristo

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