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No caminho de Emaús

19 de abril de 2012

QUANDO PENSAMOS EM EVANGELISMO, que imagem passa pela nossa cabeça?

Certamente, muitos enxergam um pregador atrás de um púlpito, fazendo o tão famoso “apelo” diante de uma numerosa multidão. Outros imaginam um grupo de crentes pregando o Evangelho nas praças e nas “bocas de fumo”, desafiando as pessoas a “aceitarem a Jesus.”

Principalmente após Charles Finney (1792 – 1875), este estilo de evangelismo se popularizou muito entre os evangélicos. Pregar às multidões não é incorreto, pois foi exatamente isso o que fez Pedro após ser cheio do Espírito Santo em Atos 2, o que causou uma resposta imediata de mais de 3000 pessoas no mesmo dia (!!!).

No púlpito ou nas praças, certamente o importante é que a Mensagem esteja sendo pregada. Mas devemos entender que este tipo de kerigma não pode ser visto como a única forma de evangelismo. Há muitos anos aprendi, e já escrevi anteriormente, que discípulo não é como bolo, que você segue uma receita uniforme, coloca no forno e depois de “40 minutos” já está pronto. Cada pessoa tem um passo diferente. Diante da mensagem do Reino, há pessoas que nascem por “cesária” (rapidamente). Outras nascem por “parto normal” – que pode levar algumas horas, às vezes dias, por meio de muito suor, muita dor e muito sofrimento. Para os dois tipos de pessoas, a Mensagem é sempre a mesma, mas nossa abordagem deve ser diferente.

Quem semeia à beira do Caminho há mais tempo pode testemunhar que nem sempre as conversões serão imediatas como em Atos 2. No campo missionário, principalmemente, muitas vezes demora-se meses e até anos até que o primeiro discípulo passe pelas águas. Diante de casos assim, não podemos desanimar ou dar-nos por fracassados. Para estas situações, há um segundo tipo de kerigma que particularmente chamo de “caminho de Emaús” (Lucas 24:13-33).

O caminho de Emaús é um processo de evangelismo mais contínuo, que se propõe a apresentar Cristo começando “por Moisés e todos os profetas”, ensinando “o que consta a respeito dele em todas as Escrituras” (v. 27). Este é um processo mais demorado do que expor as famosas Quatro Leis Espirituais e fazer um apelo.

Um tipo de kerigma não é melhor do que o outro, e deve ser aplicado de acordo à necessidade e à direção do Espírito. O mais importante é que não criemos um estereótipo de evangelismo que envolva somente “pregações rápidas, apelos emotivos e respostas imediatas.” Às vezes o Espírito nos leva a pregar a mensagem do Reino de uma maneira mais ousada, concisa e direta – em que o incrédulo é imediatamente desafiado ao arrependimento e uma vida de entrega para o Reino – mas às vezes é preciso caminhar “sessenta estádios” (11 km), algo que pode durar duas horas, dois dias, dois meses ou dois anos, dependendo do passo da pessoa.

O caminho de Emaús não é uma simples “escola bíblica” no formato acadêmico com o qual estamos acostumados. No caminho de Emaús nosso objetivo principal não é doutrinar, é descortinar Cristo ao longo das Escrituras, desde o Éden até a Cruz, em um contexto de amizade e de partir o pão com as pessoas.

Um dos grandes problemas da contra-cultura evangélica é que muitos de nós fomos ensinados a abandonar “o mundo” e, muitas vezes inconscientemente, pensamos que isso implica em nos afastarmos das “pessoas do mundo.”  O resultado é que, depois de alguns anos de Evangelho, quase a totalidade de nossos amigos são evangélicos e somente interagimos com os “publicanos” quando os convidamos para “vir à nossa igreja”. Jesus foi duramente criticado pelos fariseus porque seguiu a via contrária. Ele tinha o hábito “mundano” de comer com os pecadores.

No caminho de Emaús, ao invés de simplesmente convidarmos as pessoas para “irem à Igreja” ouvir uma pregação, temos que estar dispostos a comer com os “publicanos” e desenvolver uma relação de amizade com eles. E à medida que caminhamos com as pessoas, confissões, libertações, curas e conversões ocorrerão naturalmente e ao seu tempo.

Lembremo-nos que boa parte do ministério do Mestre foi na mesa da refeição e foi durante o ato de *partir o pão* que os olhos dos discípulos de Emaús se abriram e eles puderam enxergar a Cristo (vv. 30-31).

© Pão & Vinho

Este texto está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcialmente ou na íntegra, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

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3 Comentários
  1. cristina permalink
    23 de abril de 2012 21:48

    ACREDITO QUE O ESPÍRITO FAZ A OCASIÃO, AQUI O QUE MAIS TEMOS FEITO E COMER COM OS PECADORES…

  2. 30 de abril de 2012 12:31

    Irmão, essa palavra me trouxe muita edificação. Cara ontem estava refletindo sobre isso muitas vezes espero conversões milagrosas onde as pessoas “rasgam suas vestes” e confessam seus pecados publicamente. Estou acompanhando um casal tenho percebido uma certa resistência, estamos iniciando em uma amizade e tenho explicando para eles sobre a Igreja ser uma família e não um lugar de reunião ou um dia da semana. Essa palavra me animou muito. Seguirei caminhando no caminho de Emaús com eles. Obrigado. Um abraço do seu companheiro virtual do http://reinoesacerdote.com

  3. 8 de maio de 2012 0:12

    Pedro,

    Obrigado por registrar estas palavras, companheiro. Um abraço para você e que Deus te abençoe nesta jornada, no caminho de Emaús.

Comentários encerrados.

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