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John Wesley e a "extravagância" do Espírito

24 de novembro de 2011

Em seu diário, John Wesley comenta sobre certas manifestações espirituais que acompanharam seu ministério. As seguintes palavras foram escritas no mes de novembro de 1759, na cidade de Everton, Inglaterra, onde o avivamento metodista foi acompanhado por fenômenos como visões, gritos, convulsões, quedas e “transes” no Espírito:

John Wesley

O perigo era atribuir demasiado valor às circunstâncias extraordinárias tais como gritos, convulsões, visões e transes,1 como se estas coisas fossem essenciais na obra de transformação interior, de tal forma que tal obra não pudesse acontecer sem tais manifestações. Talvez o perigo esteja em atribuir-lhes muito pouco valor, em condená-las de forma generalizada, em pensar que nelas não havia nada de Deus e vê-las como um obstáculo na concretização de Sua obra.

A verdade é que Deus, de forma repentina e profunda, convenceu a muitos de que eles estavam perdidos em seus pecados. A consequência natural de tal convicção era gritos repentinos e fortes convulsões. Para fortalecer e encorajar aqueles que creram, e para tornar sua obra ainda mais aparente, ele concedeu sonhos divinos a alguns, transes e visões a outros.

Em alguns casos, com o passar do tempo, a carne se misturava à graça. Igualmente, Satanás falsificou estas manifestações de Deus para desacreditar a obra como um todo; mesmo assim, não é sábio desqualificar este aspecto do ministério do mesmo modo como não podemos desqualificar o ministério como um todo.

Sem dúvida nenhuma, no começo tais manifestações eram totalmente de Deus. Em parte, até hoje continuam sendo, e Ele nos dará discernimento, de caso em caso, para saber até que ponto tal obra é pura e em que ponto ela se contamina e se degenera.

Extraído do Diário de John Wesley, p. 255. Traduzido por @paoevinho.

Nota do Tradutor

[1] Transe, do inglês “trance“, era como Wesley chamava o fenômeno em que as pessoas perdiam seus sentidos, caiam, eram arrebatadas em espírito e tinham visões do mundo espiritual (p. 251).


 

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4 Comentários
  1. 24 de novembro de 2011 9:17

    Muito pertinente o texto! Ainda mais agora em meio a essa balbúrdia no meio evangélico por causa de certas “manifestações espirituais”. Ao fazermos uma leitura na história da igreja, encontraremos muitos relatos semelhantes ao de John Wesley.

  2. 25 de novembro de 2011 0:45

    Boa reflexão para amadurecer o discernimento de quem que caminhar na liberdade do Espírito à luz do Evangelho!!!

  3. 14 de julho de 2013 20:41

    Eu creio na manifestação do Espírito Santo do tipo do pentecoste que aconteceu no começo da igreja primitiva. Mas fico com um pé atrás quando vejo muitas desordem sem conversão, sem o fruto do Espírito. Satanás é imitador de Deus.

  4. 14 de julho de 2013 20:52

    É um grande erro pensar que tudo que é sobre natural é de Deus. “A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira” (2 Tes. 2:9).

Comentários encerrados.

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