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Pesquisadores negam que pedra maia profetize o fim do mundo em 2012

5 de abril de 2011

Pesquisadores apresentam pedra maia que deu origem aos rumores de que o planeta seria destruído no ano que vem. Segundo eles, o antigo calendário apenas menciona o fim de uma era e o início de outra. Mas a pedra fala da “chegada de um senhor dos céus, coincidindo com o encerramento de um ciclo numérico.” Seria este um fator Melquisedeque?

Quem tem planos para depois de 2012 pode ficar aliviado. Não, o mundo não vai acabar. Todo o reboliço criado em torno do calendário maia, que supostamente previa o apocalipse em 23 de dezembro do ano que vem, foi apenas uma interpretação errada das presciências indígenas, afirmaram pesquisadores do Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH). Eles apresentaram, em Tabasco, a famosa pedra que deu origem ao mito e explicaram a forma correta de interpretá-la.

Formada de calcário e esculpida com martelo e cinzel, a peça tem talhada, de fato, a inscrição “23 de dezembro de 2012”, o que provocou rumores de que os maias teriam previsto o fim do mundo para esse dia. Até uma produção hollywoodiana foi lançada sobre o apocalipse. A pedra foi encontrada na década de 1960 e contém inscrições que preveem o acontecimento de algum evento em 2012 envolvendo Bolon Yokte, um misterioso deus maia associado tanto à guerra quanto à criação. Porém, o fim da passagem é quase ilegível, porque a pedra está muito danificada.

“No que podemos apreciá-la, em nenhum de seus lados é dito que o mundo vai acabar em 2012”, garantiu José Luis Romero, diretor adjunto do instituto. “Sobre a data, os maias se referiam à chegada de um senhor dos céus, coincidindo com o encerramento de um ciclo numérico. Trata-se ao Bactum 13, que significa o início de uma nova era”, esclareceu.

As teorias do juízo final deixaram algumas pessoas em pânico. A cientista Ann Martin, que cuida do site Curious? Ask an astronomer (Curioso? Pergunte a um astrônomo), disse que, na época do lançamento do filme 2012, baseado na falsa previsão, recebeu muitos e-mails desesperados. “É muito ruim receber mensagens de crianças dizendo que são muito jovens para morrer. Uma mãe escreveu dizendo que estava com medo de não ver seus filhos crescer”, contou, no site.

O diretor do Acervo Hieróglifo e Iconográfico Maia, ligado ao INAH, Carlos Pallán, já havia explicitado sua opinião contrária à ocorrência do apocalipse. No ano passado, ele afirmou que em nenhum dos 15 mil textos deixados pelos antigos maias existem citações a cataclismos no ano que vem, uma crença, segundo ele, originada em escritos esotéricos da década de 1970. Pallán também defendeu que a data 2012 aparece nos documentos antigos em referência ao fim de uma era, e não de todo o mundo.

Profetas

De acordo com Pallán, nos místicos anos 1970, profetas do apocalipse começaram a divulgar que, com o fim do 13º ciclo do calendário maia, o alinhamento de um buraco negro com o Sol romperia o equilíbrio da Via Láctea, modificando o eixo magnético da Terra, com consequências nefastas. Tudo isso, garante o arqueólogo, não passa de uma bobagem. “Para os antigos maias, o tempo não era algo abstrato, mas formado por ciclos. Esses, às vezes, eram tão concretos que tinham nomes e podiam ser personificados. O ciclo de 400 anos, por exemplo, era representado por uma ave mitológica”, explicou. O cientista insistiu que os maias “jamais mencionam que o mundo vai acabar, jamais pensaram que o tempo terminaria em nossa época”. Os maias simplesmente celebravam com grandes festas o fim de um novo ciclo.

O mesmo diz Sandra Noble, diretora-executiva da Fundação para o Avanço de Estudos da Mesoamérica, nos Estados Unidos. Em entrevista ao jornal norte-americano USA Today, ela esclareceu que 2012 seria, para a civilização, um momento comemorativo, e não apocalíptico. “Esse momento cósmico de mudança é uma completa invenção, e uma chance encontrada por muita gente para aparecer”, criticou. “Não existe nenhum registro de que os maias pensariam que o mundo iria acabar no ano que vem.”

Se a opinião dos especialistas não bastar para convencer a população, uma boa ideia é ouvir os descendentes dos maias, como o indígena Apolinário Chile Pixtun, da Guatemala. Ele contou ao The Telegraph que está cansado de ser bombardeado com perguntas sobre o fim do mundo. “Essas teorias ocidentais sobre o juízo final não existiam na civilização maia. Existem outras inscrições em sítios arqueológicos que citam datas muito além, incluindo uma que fala do ano 4771. Os maias nunca disseram que o mundo vai acabar e nunca afirmaram que nada de ruim iria acontecer”, garantiu Pixtun, com a sabedoria de um legítimo representante moderno da civilização.

Número sagrado

A civilização maia, conhecida por avançada escrita, matemática e astronomia, floresceu na América Central, tendo seu ápice especialmente entre os anos 300 e 900. O longo calendário, interrompido com a colonização espanhola, começa em 3114 a.C. e marca períodos de 394 anos, conhecidos como Bactuns. O ano de 2012 seria o Bactun 13, e esse era um número significativo e sagrado para os maias.

Catástrofe

Em 2009, o cineasta alemão Roland Emmerich, diretor de Independence Day e O dia depois de amanhã, aproveitou os rumores sobre a suposta previsão apocalíptica maia para realizar o filme-catástrofe 2012. Na trama, o planeta realmente entra em colapso e, em uma das cenas, o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, aparece submerso, depois de ser atingido por um tsunami.

Fonte: Correio Braziliense.
Indicação de Wildener Rodovalho.

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