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Atualizando o Sistema Operacional da Igreja

12 de março de 2011

Em um encontro realizado na Noruega, Neil Cole – autor do livro Igreja Orgânica – nos explica a necessidade de um “upgrade” no sistema operacional da Igreja.

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Algumas perguntas para a reflexão de todos aqueles que estão atentos ao mover do Espírito em nossa geração:

1) A questão das finanças – É lícito, ético, bíblico a Igreja gastar mais dinheiro em estruturas eclesiásticas (salários, imóveis, eventos, etc) do que com os necessitados da Igreja e com missões? E mais: onde, no NT, encontramos bases bíblicas para cobrar o dízimo como um imposto compulsório? Se a Lei do AT se aplica na questão dos dízimos, quais são os parâmetros desta linha teológica que separa o dízimo malaquiano dos demais preceitos do pacote mosaico (como a circuncisão e a guarda do sábado) cuja obrigatoriedade foi abolida após o advento do Messias?

2) A questão do clericalismo – Desde a Reforma Protestante, “sacerdócio universal” se tornou uma espécie de jargão teológico de cunho meramente posicional, com pouquíssima ou nenhuma expressão prática na Igreja Protestante. Apesar da ruptura com o catolicismo há 500 anos atrás, ainda favorecemos a infame distinção entre cleros e leigos na Igreja. Como devolver o sacerdócio aos discípulos, tornando-os participantes da colheita ao invés de meros expectadores de culto? E mais: como pastorear as ovelhas sem controlá-las ou torná-las co-dependentes, formando obreiros para servir o Reino, ao invés de mantê-las eternamente em simbiose clero-laical? Como mudar a imagem do presbitério, do pastor-sacerdote ao mentor-facilitador?

3) A questão missional – O “culto”, em seu formato tradicional, é a vaca sagrada do evangelicalismo. O sermão pregado por um orador profissional foi transformado no “clímax espiritual” da experiência cristã. Na prática, a maioria dos evangélicos entende que ir a um culto, cantar e ouvir uma mensagem é a coisa mais importante na fé cristã. Como resultado, a maior parte dos recursos da Igreja (pessoas, tempo e dinheiro) são gastos na preparação de eventos. Onde estão as bases bíblicas para esta prática? Como canalizar os recursos disponíveis de maneira eficiente para tornar a Igreja mais missional e menos ensimesmada? Como podemos otimizar os recursos na Igreja para gastar mais tempo com os perdidos e com os necessitados, ao invés de gastar a maior parte do tempo entretendo os que já são salvos?

4) A questão da koinonia – No Novo Testamento, a Ekklesia era “costurada por relacionamentos”. Hoje em dia, muitas vezes é composta por um amontoado de estranhos que se reunem uma vez por semana para “adorar a Deus” e ouvir um sermão. A ênfase da Igreja é a pregação ao indivíduo, não o estilo de vida comunitário. O sucesso de uma igreja local é medido pelo número de cabeças em um culto, não pela profundidade dos relacionamentos entre os membros. Como criar ambientes de aprendizado, oração e ministração em que ao mesmo tempo possamos nos conhecer intimamente e “lavar os pés”  uns dos outros?

Por mais que falemos de reforma e da relevância da Igreja na pós-modernidade, toda mudança que fizermos será meramente cosmética se não mudarmos o sistema operacional da Igreja. É imperativo que dediquemos tempo para refletir e discutir estas questões, esforçando-nos para fornecer respostas sinceras à nossa geração. Disso depende o legado que oferecemos a nossos filhos.

Precisamos urgentemente de um upgrade.

Ecclesia semper reformanda est.

© Pão & Vinho

Este texto está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcialmente ou na íntegra, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

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4 Comentários
  1. 19 de março de 2011 13:25

    Irmão Hugo e demais irmãos, a Paz do Senhor Jesus!

    Não se ofenda, pois não é essa a minha intenção, mas o irmão, através deste site, tem batido muito nessa tecla da igreja no lar e têm exposto através dos seus artigos vários problemas existentes nas igrejas. Eu sei, como já havia dito em postagens antigas, que dias virão em que as igrejas não mais se reunirão em templos como hoje por causa da manifestação pública do anticristo, o qual, como já nos foi revelado, irá impor uma marca de identificação sem a qual não poderemos comprar nem vender, mas este dia ainda não é chegado. Não seria melhor preparar o povo evangélico para um parto natural do que precipitar uma cesariana?

    Digo isto porque aqui no Brasil tem surgido um movimento, a meu ver das trevas, contra as lideranças evangélicas de forma indiscriminada, conduzindo o rebanho a não somente questionar seus líderes, mas até a rejeitá-los e abandonarem as congregações. Este movimento está não somente atacando as lideranças, mas a Bíblia e o próprio Nome de Jesus, afirmando que este é um nome de blasfêmia e que será a marca da besta.

    Ora, uma coisa é combatermos os erros na igreja, como era a intenção de Martinho Lutero, outra é incentivarmos o rebanho a um tipo de levante contra a forma eclesiástica, tanto de culto como administrativa. E mesmo sem querer é isso, ao meu ver, que o irmão, através de matérias semelhantes, estaria conduzindo os seus leitores a isto.

    Amado, aqui no Brasil a coisa esta feia no que diz respeito à liderança e as formas de culto a Deus, ainda assim eu não teria a sua “coragem”, como a de muitos outros, de dizer para um irmão ou uma pessoa que deixe de congregar em um templo e não entregue mais os dízimos.

    Muitos têm criticado Martinho Lutero por ele ter querido reformar a igreja e não iniciado uma nova. Eu creio que as igrejas como as conhecemos, sem, é claro, seus erros gritantes, foi aprovada por Deus, e por isso eu incentivo e incentivarei, mesmo não estando eu congregando em um templo de forma tradicional, a que permaneçam neles. Agora, quando à hora chegar, a do anticristo e sua marca, será outra história, principalmente se as lideranças evangélicas conduzirem o rebanho a aceitarem, por causa do dinheiro, a famigerada marca 666.

    Bom, este é o meu entendimento.

    Fiquem todos na Paz de Jesus!

    André M. dos Santos

  2. 20 de março de 2011 1:23

    André,

    Basta ler a seção sobre teologia em meu blog e a página “CREIO” para entender que condeno, assim como você, o liberalismo teológico ao qual você se refere. A propósito, este liberalismo está muito mais presente no cristianismo em sua forma institucional do que na Igreja nas casas. Basta olhar para as igrejas históricas na Europa e nos EUA para entender o que estou dizendo.

    De qualquer maneira, minha mensagem não é a de que “a igreja nas casas é o modelo de Deus”. Estou aqui para dizer que a Bíblia é um livro de princípios, não modelos. Leia meu artigo intitulado “Eclesiologia Líquida” para entender que parto do princípio de que as Escrituras não sancionam NENHUM MODELO ECLESIOLÓGICO EM PARTICULAR (nem mesmo o denominacional), que a eclesiologia deve ser uma consequência da vida e das necessidades da igreja local, e que um modelo eclesiológico somente perde sua legitimidade quando viola princípios biblicamente estabelecidos (alguns dos quais procuro expor acima).

    Assim, reitero que não estou organizando nenhum levante contra a igreja institucional. Não uso este blog como um palanque eletrônico para fazer piquete contra as denominações. Minha intenção é somente chamar as pessoas ao diálogo. Diga-me onde foi que você leu algo escrito por mim dizendo que as pessoas devem sair de suas congregações, e eu me retratarei publicamente, em letras garrafais.

    Somente estou trazendo para a mesa tópicos que, ao meu ver, são válidos para nossa geração, para qualquer igreja, seja ela caseira ou institucional. Ao invés de adotar uma postura tão defensiva, seria interessante que você estivesse discutindo comigo, com bases teológicas, a validez ou a ilegitimidade de meus questionamentos. Se há algo em meu texto que você discorda do ponto de vista teológico, diga e discutiremos a questão. Mas não podemos adotar uma teologia tão futurista, a ponto de esperar que o anticristo venha para “resolver” os problemas da Igreja. Há coisas que podemos e devemos reconhecer e discutir nos dias atuais.

    Certamente há muitos “rebeldes sem causa” e “maria vai com as outras” que se levantam contra as lideranças instituídas, e usam os problemas da Igreja como uma desculpa para um estilo de vida rebelde e descomprometido com o Reino. Entre nós há muitos jovens inexperientes e arrogantes, “profetinhas da internet”, que estão criticando a liderança da Igreja, mas fazem sexo com a namorada. Você está correto em apontar este extremo, mas achar que devemos nos calar e nos conformar com o que há de errado até a vinda do anticristo é igualmente um erro. Submissão cega, às custas de passividade e ignorância, é algo tão diabólico quantos os levantes aos quais você se refere.

    Não quero comparar-me com o grande reformador Lutero, até mesmo porque não bolei 95 teses. Mas Lutero também teve que lidar com os extremistas de seu tempo, que pegaram carona nas suas teses para colocar fogo nas basílicas católicas e agredir “os papistas”. Ele condenou duramente os que tais fizeram, mas não abriu mão de suas convicções. Esta é a minha posição.

  3. 10 de janeiro de 2013 23:45

    A questáo de Lutero em sí como reformador da Igreja Medieval não deixou espaço para aqueles que tinha suas formas de cultuar a Deus que foi passado de forma oral de pai para filho. Quizeram tirar todo tipo de adoração que não fosse tipificada de forma institucionalizada, tirando o direito do judaísmo e o islamismo de defenderem a sua fé sua cultura e suas convicções. Hoje na atual Igreja Gentílica dita protestante ou católica se cria um pensamento Chauvinnista e triunfanista da salvação por esforços por condições por meios de conseguir mais adéptos fiéis aos seus feudos pastorais para se manterem numa linha de estabilidades de poder financeiro onde se declaram emissários diretos da santissima trindade com toda autoridade de amaldiçoar ou abençoar ditando seus próprios parad ígmas eclesiásticos. Quero entender que tipo de conceito pseudo- cristão nos enquadramos como crentes?

  4. Ricardo Pimentel permalink
    30 de julho de 2013 16:20

    Irmãos Paz e Graça !
    Quanto aos modelos eclesiásticos vigentes tanto no Brasil quanto no resto do mundo, não temos padrões bíblicos para definir, mesmo porque essa não era a intenção dos Apóstolos , oque eles no deixaram foram pistas de como agir , como se organizar , mas nada tão definido como se tem hoje nas igrejas , o modelo orgânico é algo ao meu ver,que vai nessa linha , sem o congelamento litúrgico pastoral da institucionalização, acredito que entre erros e acertos a igreja como organismo vivo , também evolui… cresce , muda se adapta e tudo que é novo assusta ainda mais quando se tem tantos paradigmas a serem mudados.

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