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Casas de Adoração

7 de novembro de 2010

Mais uma reportagem a respeito da Igreja nos lares feita pela NBC News (EUA), transmitida no dia 21 de outubro de 2010:

http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=16482459&server=vimeo.com&show_title=1&show_byline=1&show_portrait=1&color=ff9933&fullscreen=1&autoplay=0&loop=0

Algumas observações:

– Quase 10% dos protestantes americanos frequentam unicamente uma Igreja nas casas. Este é um crescimento assombroso comparado com os números de dez anos atrás, que não chegavam a 1%. Isso certamente indica uma revolução silenciosa por parte de pessoas que estão cansados da superficialidade dos “shows da fé” e da ostentação megalomaníaca de certos impérios religiosos.

– Nem todas as Igrejas nas casas têm pastores assalariados como a do vídeo. Algumas entendem que isso é uma forma de incentivo ao clericalismo; outras dão ofertas a seus obreiros conforme a necessidade; outras sustentam obreiros em período integral, principalmente aqueles que possuem uma plataforma extra-local. Não há unanimidade nesta questão.

– Não há nada de místico no número 12. Algumas igrejas caseiras possuem grupos de 10 pessoas e outros de 30, incluindo crianças. É um consenso entre as comunidades, porém, que grupos menores facilitam a 1) interação, a 2) comunhão e 3) a expressão do dom individual de cada membro (redundância proposital). Não há nada de mágico em reunir-se em uma casa, e quando uma Igreja caseira perde estas características, em nada se difere de sua versão institucionalizada (com exceção de seu aspecto geográfico). Na tentativa de evitar este processo de fossilização litúrgico-clerical, quando um grupo caseiro começa a crescer muito, muitas Igreja locais propõem a multiplicação do mesmo.

– Para aqueles que não sabem, a Catedral de Cristal (Crystal Cathedral) na Califórnia – um dos maiores e mais luxuosos mega-templos dos EUA – abriu falência com uma dívida de 40 milhões de dólares. É consenso entre aqueles que adoram nas casas que gastar dinheiro na construção e manutenção de edifícios de adoração é um desperdício e uma inversão de prioridades na Igreja. Levando em consideração que a Igreja viveu sem templos por mais de 300 anos, e que a “Casa de Deus” neotestamentária não se trata de um edifício e sim de pessoas, entende-se que o dinheiro usado na construção e na manutenção de edifícios deveria estar sendo empregado primeiramente no auxílio financeiro aos domésticos da fé e aos de fora (nesta ordem), e também em missões.

– A opção de alguns em exercer uma fé individualista e privada nas mega-igrejas reflete como o conceito de “Igreja” foi distorcido ao longo dos anos. Igreja não é McDonalds, onde as pessoas entram para comer e saem sem se preocupar com aquele que ocupa a mesa ao lado. A Igreja é a Comunidade Divina, a embaixada de Cristo na terra por meio do qual o amor de Deus deve manifestar-se ao mundo. Eliminar o aspecto comunitário de nossa fé é transformar a Igreja em um mero centro de doutrinação, equivalente a um salão de massagens – onde nosso intelecto e nossa consciência são massageados com uma bela mensagem que nos ensina como ter uma vida de sucesso sem nos  preocuparmos com nosso próximo, ou como chegar ao céu sem viver o Reino aqui na terra.

© Pão & Vinho

Este texto está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcialmente ou na íntegra, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

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6 Comentários
  1. 9 de novembro de 2010 12:47

    Glória a Deus!

    Esse é apenas um pequeno sinal, “uma pequena nuvem”, daquilo que o Senhor ira fazer na restauração da Noiva para o encontro com o Noivo… “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se” (2Pe 3.9).

    Irmão Hugo, quero relatar também que, além de Paranaguá-PR, estamos nos reunindo nos lares também em Itajaí-SC e Içara-SC, este último com um grupo de jovens senhores e senhoras entre 50 e 60 anos, completamente felizes, livres, estudando juntos a palavra de Deus, espalhando o amor de Cristo de modo simples na comunidade… Outro dia, uma comunidade católica no bairro deles fez um almoço para arrecadar fundos para uma senhora que precisava seriamente fazer uma cirurgia… e lá foram eles ajudar a cortar frango, temperar salada e lavar os pratos! Penso eu que Jesus teria feito o mesmo, não acha?

    Amado irmão Hugo, gostaria apenas de poder fazer o download para mostrar em vídeo aos irmãos que não possuem internet por aqui. Lá no vimeo está desabilitada esta opção… Obrigado!

    Na Paz que transborda sobre o entendimento,
    Marcio.

  2. 9 de novembro de 2010 18:45

    Marcio,

    Seu testumunho é precioso. Sim, tenho certeza de que Jesus ajudaria a cortar e temperar este frango, sim.

    A opção para download do vídeo foi habilitada.

  3. Marcondes Soares permalink
    3 de janeiro de 2011 11:01

    Acho que a igreja caminha nessa direção mesmo,grupos pequenos(transição) para igrejas domesticas que irão explodir como as igrejas chinesas,ACHO QUE O ESPIRITO ESTA FALANDO ISSO AS IGREJAS NÃO COMO A FORMA CORRETA DE IGREJA PARA TODOS OS LUGARES EM TODOS OS TEMPOS, a biblia não apresenta modelos eclesiologicos fixos e universais ,mas apresenta princios,MAS PRA ESSE TEMPO É REALMENTE NESSA DIREÇÃO SE NÃO VAMOS MORRER NA PRAIA, como a igreja tem promessa das portas do inferno não prevalecerem contra ela, O Espirito ja esta conduzindo muitos, segundo a capacidade de cada um em ouvir e graça e poder espiritual para se mover , os irmãos mas agarrados as estruturas tradicionais ficam chateados comigo quando digo isso e os irmãos mais radicais da restauração tambem,estou em cima do muro? excessivamente cauteloso? MAS OUVIR O ESPIRITO NA PALAVRA PRA MIM É CRUCIAL,muito sangue foi derramado por eclesiologia no sec xvii sobre questões sobre forma de governo ,tipo de culto ,batismo e ceia,quero caminhar sem ferir o corpo,não to falando de quem diz que é do corpo,mas aqueles com quem vc realmente tem comunhão no Espirito e estão num outro ritmo por inumeros fatores.

  4. 3 de janeiro de 2011 13:58

    Marcondes:

    Penso que a sua posição é a das mais equilibradas. Se ler o artigo que escrevi sobre isso – Eclesiologia Líquida – verá que estamos no mesmo pensar e sentir.

    Lá parto do pressuposto de que a Bíblia não nos dá modelos específicos de eclesiologia, mas nos dá princípios, como você disse. Assim, sempre que nossa eclesiologia viola estes princípios bíblicos, ela deve ser revista. Esse é o grande problema do denominacionalismo pragmático, pois resiste a mudanças, como você sabe. Historicamente, a Igreja de hoje sempre resiste à Igreja que Deus quer construir amanhã.

    A Igreja no Brasil é jovem e talvez ainda não sinta tanto isso. Mas penso que a maquinaria institucional está desgastada e a tendência é que este modelo não sirva para nossos filhos, a exemplo do que já ocorre nos EUA e na Europa. Se não redescobrirmos a Igreja como uma família, perderemos as gerações vindouras.

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