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Trapalhadas ante-nicenas: uma retrospectiva histórica da Ceia do Senhor

2 de novembro de 2010

Tenho grande admiração pelos pais ante-nicenos. A fibra moral, a sinceridade e dedicação ao Senhor que encontramos nos registros históricos acerca destes homens são notórias. Alguns serviram ao Senhor até o ponto de martírio, e sem dúvida devemos muito a eles na preservação e na transmissão de vários aspectos de nossa fé.

Temos que reconhecer, no entanto, que igualmente devemos a eles algumas distorções de conceitos e práticas bíblicas que se propagaram na era ante-nicena e que, posteriormente, acabaram sendo transformadas em doutrina pelo catolicismo romano. As crendices ante-nicenas a respeito da Ceia do Senhor são, sem dúvida, um grande exemplo disso.

Como vimos anteriormente, já na segunda metade do século II encontramos registros de que os cristãos começaram a crer que o pão e o vinho, após serem consagrados por meio de oração, se transformavam literalmente no corpo e no sangue do Senhor Jesus1 por meio de um processo místico de transmutação (ou transubstanciação). A partir deste momento, o pão e o vinho não eram mais elementos comuns mas, de acordo com os pais ante-nicenos, eram a Eucaristia (que quer dizer “ação de graças”). Esse sem dúvida foi o fator que abriu caminho para que a Ceia deixasse de ser um banquete familiar para se tornar um ritual solene e litúrgico.  À medida que o misticismo em torno do pão e do vinho aumentava, a Ceia do Senhor diminuía de tamanho no intuito de evitar sua profanação.

Os elementos da Eucaristia adquiriam atributos sagrados em si mesmos e todo tipo de superstição e fanatismo se originava em torno da Ceia do Senhor. Tertuliano, por exemplo, dizia que se entristecia a ponto de “sentir dores” sempre que o vinho ou um pedaço de pão acidentalmente caiam no chão.2 Os elementos da Eucaristia se tornaram tão sagrados que seu depositário era tratado como se fosse literalmente a urna onde jazia o Corpo de Cristo.3 Cipriano, por exemplo, nos conta de uma mulher que tentava tocar a caixa que continha “o sacramento da Eucaristia” com “mãos impuras”, quando foi impedida por labaredas de fogo que supostamente subiram da caixa.4 Não demorou muito para que a mesa que continha os elementos da Eucaristia fosse vista também como um objeto sagrado em si mesmo: no final do século II, “a mesa santa” ou “mesa bendita” já era reverenciada como uma espécie de altar.

Para o cristão ante-niceno, a Eucaristia era literalmente o meio pelo qual Cristo tinha comunhão com sua Igreja. Abster-se da Eucaristia era abster-se da comunhão e do Corpo de Cristo. Cipriano chamava o cálice de vinho de “o cálice da salvação”5 e expressa sua preocupação com aqueles que, por algum motivo, se abstinham de tomar a Eucaristia e se “separavam do Corpo do Senhor” a ponto de distanciar-se da salvação.6

A Eucaristia passou a ser vista também como um meio pelo qual compartilhamos da imortalidade de Cristo e uma espécie de vitamina espiritual.7 Cipriano nos relata que alguns cristãos bebiam o cálice do sangue do Senhor diariamente para serem fortalecidos e serem capazes de derramarem seu próprio sangue por Cristo.8

Influenciados pela cultura pagã de seu tempo, os cristãos ante-nicenos começaram a ver a Eucaristia como um sacrifício a ser continuamente oferecido pela Igreja. O Didaque, um dos documentos apóscrifos mais antigos da História da Igreja (80 d.C. – 140 d.C.), já descreve a Ceia como uma espécie de “sacrifício espiritual”, o que nos mostra que esta distorção já havia entrado na Igreja no início do século II.9 Por volta do ano 180 d.C., Irineu já ensinava que a Eucaristia era “a oblação do novo Pacto”, incenso oferecido a Deus pela Igreja em todo o mundo.10 Cipriano exorta os cristãos a rejeitarem os sacrifícios pagãos de seu tempo e tomarem o Corpo do Senhor em sacrifício.11

Um sacrifício só pode ser oferecido por um sacerdote. Surge então a idéia de que os elementos da Eucaristia deveriam ser consagrados pelo “presidente da congregação” primeiro, e só depois distribuídos pelos diáconos aos demais membros do Corpo de Cristo.12

Conclusão

Em meio ao fanatismo medieval em torno da “Eucaristia”, a Reforma Protestante nos recordou que Cristo foi sacrificado uma só vez pelos pecados da humanidade e que, portanto, a Ceia do Senhor não é uma “oblação” (Hebreus 9:26). Muitos protestantes, porém, apesar de não confessarem a transubstanciação doutrinariamente, na prática ainda perpetuam certas práticas que derivam do conceito.

Na maioria das igrejas hoje, a “Santa Ceia” é vista como um sacramento que obrigatoriamente necessita ser ministrado por um “sacerdote” – um clérigo profissional – para ser validada. Séculos de tradição eclesiológica acumulada transformaram a Ceia em um ritual tão sagrado que, na mente das pessoas, tomá-la pode ser algo perigoso.13 Celebrá-la como os primeiros discípulos nos dias atuais (em um banquete literal), equivale a profanar a “bendita mesa” e cometer um “sacrilégio”.

A Ceia do Senhor foi concebida como uma simples refeição entre discípulos. Era era um banquete que simbolizava uma aliança. É uma profecia encenada, um ato profético composto por elementos comuns que apontam para uma realidade espiritual, mas que não são a realidade espiritual em si mesmos. O aspecto místico da Ceia não está no pão e no vinho literalmente, mas na profecia que eles proclamam – tanto quanto a água do batismo que não limpa pecados, mas de maneira tangível aponta para uma realidade espiritual.

A Ceia não é um banquete como qualquer outro, por causa daquilo que representa, mas para nos aprofundarmos na revelação embutida nesta ordenança, devemos nos desfazer de todo o misticismo e superstição que herdamos de “Mãe Roma” e começar a vê-la novamente como um evento comunal, assim como faziam os primeiros discípulos.

Assim como a Bíblia no século XVI, o pão e o vinho necessitam sair das mãos do clero e ser “desembrulhados” de toda a roupagem mística e supersticiosa que a tradição eclesiástica lhes agregou, voltando a ser manuseados com intimidade pelas pessoas, sem medo, sem superstições, em um espírito de alegria e gratidão.

Continua na parte 4.
Notas

[1] Entre eles Irineu, Justino Mártir, Tertuliano, Orígenes e Cipriano.
[2] Ante-Nicene Fathers, vol. III p. 94.
[3] Ibid. vol. III p. 687.
[4] Ibid, vol. V p. 444.
[5] Ibid, vol. V pp. 359-363.
[6] Ibid, vol. V p. 452. Ele se embasa em uma interpretação literal das palavras do Senhor, que afirma que “aquele que não comer a carne do Filho do Homem e beber de seu sangue não tem a vida em si”.
[7] Clemente de Alexandria em Ibid, vol. II, p.242.
[8] Ibid, vol. V p. 347.
[9] The Didache publicado em Ancient Christian Writers, Cap. 14, § 3.
[10] Ante-Nicene Fathers, vol. I, p. 484.
[11] Ibid, vol. V, p. 347.
[12] Justino Mártir em Ibid, vol. 1, p. 185.
[13] Além de toda a superstição e misticismo que se originaram no século II, isso se deve também a uma má interpretação dos ensinos de Paulo aos Corintios sobre a Ceia. Mais sobre isso no artigo chamado “Discernindo o Corpo de Cristo”.


© Pão & Vinho

Este texto está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcialmente ou na íntegra, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

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19 Comentários
  1. Marcondes Soares permalink
    2 de novembro de 2010 21:45

    mas hugo mesmo que não seja a transubstanciação existe algo misterioso na eucaristia , paulo chama de comunhão do corpo e do sangue de cristo,quero destacar a expressão comunhão para reforçar que independente da forma,acredito que ha uma comunhão espiritual na celebração da ceia, acredito que é um meio de graça, mas acho que seria melhor expresso e de forma poderosa numa refeição com pessoas que realmente se amam e se conhecem, ai experimentariamos a plenitude daquilo que ela representa. penso assim,contudo acredito que mesmo não celebrando de forma plena, não quer dizer que não recebemos nenhuma graça(consolo e fortalecimento em nossas celebrações).

  2. 3 de novembro de 2010 19:13

    Marcondes,

    Há um elemento místico na Ceia, sem dúvida. Mas não penso que ele resida no pão e no vinho literalmente, mas sim na revelação daquilo para o que eles apontam. Em minha opinião, esta revelação no momento da celebração É o meio de graça, vista e vivida tanto individual como coletivamente, e sem ela a Ceia é apenas um ritual, não importa o formato. Entretanto, creio que o formato ajuda nesta revelação e não é um aspecto irrelevante, como alguns dão a entender sempre que se toca neste assunto (não estou dizendo que este seja seu caso).

    Escreverei mais sobre o aspecto místico da Ceia no próximo post. Mas desde já adianto que penso que a passagem de Corintios tem sido mal interpretada por muitos cristãos, o que fez com que o misticismo exagerado torno da Ceia se perpetuasse pelos séculos.

    Suas opiniões serão bem vindas.

  3. Guilherme permalink
    4 de novembro de 2010 20:35

    Aqui em Frutal, com os poucos irmãos com os quais caminhamos, numa fazenda bem mineira e simples, costumamos nos deliciar com uma bela galinhada e, enquanto isso, lembramos com alegria o que Jesus fez por nós, partilhando pão de queijo (no lugar da hóstia) e vinho Canção de garrafão! O que fica desse momento livre e espontâneo, nem por isso “irreverente”, é a gratidão pela profunda obra, vertical e horizontal, que Jesus começou e continua fazendo em nossas vidas e comunhão.

  4. Pastor Lorru Santos permalink
    18 de novembro de 2010 3:48

    NOSSA HUGO, VOCE É PÉSIMO EM EXEGESE, ISTO COLOCA EM RISCO A CREDIBILIDADEDE TODOS OS OUTROS ARTIGOS, POIS ESTAIS A ENSINAR UM ERRO FATALMENTE HERÉTICO

    existem muitos artigos bons neste site mais este é péssimo é totalmente ant-evangelico, o texto ignora totalmente 1ª coritios 11,23-34 que deixa bem claro que se alguem quer comer coma em casa,e aponta tambem os riscos de receber o corpo de cristo em pecados o que pode resultar até em adoecimento e morte (dormição ) e que hirtoria é essa de síbolismo mateus 26,26-27 não diz nada disso mas simplismente a palavrar ” ISTO É O MEU CORPO”

    MAS TIRANDO ISTO, SOU MUITO FÂ DO SITE

  5. cristina permalink
    18 de novembro de 2010 9:02

    GRAÇA E PAZ HUGO, TENHO APROVEITADO O MÁXIMO DESSES POSTS , ENTÃO, EU PRECISAVA MUITO DE TODA ESSA INFORMAÇÃO, EU SEMPRE ACHEI NA VERDADE MUITA DOUTRINA PAULINA NESSAS CEIAS EVANGÉLICAS,( APÓSTOLO PAULO QUE ME PERDOE SE PUDER), SEM CONTAR QUE NO CATOLICISMO O VINHO É SÓ PARA OS SACERDOTES, OS LEIGOS NÃO PODEM PARTICIPAR DO CÁLICE… E ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE… DÁ TRISTEZA TEM HORA…

  6. 22 de novembro de 2010 1:37

    @Pastor Lorru Santos:

    Em primeiro lugar, este website e seus artigos, apesar de não serem necessariamente anti-evangélicos, não tem o compromisso de serem “pró-evangélicos”, somente pró-Bíblia. Se você é “fã do site”, deveria ter a mente mais aberta e ter percebido que, apesar de defender a ortodoxia cristã em seus aspectos essenciais, não é a primeira vez que desconstruo certas crenças comumente aceitas pelos evangélicos.

    Em segundo lugar, o argumento de que Paulo tenha mandado a turma de Corinto comer em casa para se celebrar uma ceia com “aperitivos sagrados” já foi refutado no artigo “Ceia do Senhor: banquete ou aperitivo?

    Terceiro, não tenho nenhuma dúvida de que quando Cristo diz “isso é o meu Corpo” ou “isso é o meu sangue” ele se utiliza de uma figura de linguagem. A Ceia foi instituida antes da crucificação. Diga-me, Lorrus, como poderia Jesus estar se referindo a seu próprio Corpo, ao apontar para os elementos da Ceia em Mateus 26, se seu Corpo literal ainda não havia sido oferecido em sacrifício e Jesus ainda estava encarnado?

    Não há absolutamente nenhum indício nas Escrituras de que os discípulos pensassem que os elementos da ceia se “transmutassem” no Corpo literal de Cristo. O Senhor sempre nos fala em figuras de linguagem espirituais, como por exemplo quando afirma ser o pão da vida (Jo 6:48), ou quando disse “eu sou a videira verdadeira” (Jo 15:1). Em Mt 26:28, logo após ter dito “isto é o meu sangue”, ele disse também: “não beberei DESTE FRUTO DA VIDE, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai” (v. 29). Ou seja, o vinho continuava sendo vinho, e aqui, como em tantas outras vezes, o Senhor somente se utilizava de uma metáfora.

    Não creio na transubstanciação e, como pastor protestante, você tampouco deveria crer. Isso, amigo, é crença católica. Como dito acima, assim como o batismo, a Ceia é um ato profético, uma profecia encenada. Seus elementos apontam para algo místico, mas não são místicos em si mesmos.

    Por não discernir certas metáforas bíblicas, a Igreja romana, assim como ensina a transubstanciação, ensina também que a água do batismo salva e limpa pecados (eis a razão de batizarem crianças) baseados em algumas passagens que usam esta figura de linguagem para referirem-se ao batismo. Lutero deixarou passar esta distorção despercebida na reforma (os anabatistas foram perseguidos por Lutero por pregar que o batismo era somente um ato profético), mas ao alcançar maturidade neste assunto (já em um período pós-reforma), a Igreja entendeu que a água do batismo não salva, não limpa pecados e que não tem nenhum aspecto místico em si mesma. É somente água. Poderosa é a profecia para a qual ela aponta, não o elemento “água” em si.

    Da mesma maneira no que corresponde à Ceia, penso que é hora de amadurecermos e deixarmos certas superstições de lado, olhando para a ordenança como ela realmente é apresentada na Bíblia: um banquete que simboliza um pacto (nossa Páscoa) – em um ambiente famíliar, alegre e descontraído – em que o pão continua sendo pão e o vinho continua sendo vinho. Isso quer dizer que os farelos podem cair no chão, a taça de vinho pode ser acidentalmente derramada, e o Corpo de Cristo não está sendo profanado por causa disso.

    Nesta série de artigos, dou-lhe uma retrospectiva histórica de como toda esta superstição em torno dos elementos da Ceia surgiu na Igreja. Se quiser refutar minhas fontes históricas e bíblicas, fique a vontade, estou aberto ao diálogo INTELIGENTE. Por “diálogo inteligente” quero dizer que você vai ter que fazer mais do que de simplesmente repetir certos dogmas igrejeiros e me chamar de herege. Faça seu dever de casa, pesquise as Escrituras e os documentos históricos para verificar se de fato o que estou falando é falso, se minhas fontes históricas são verídicas ou não, e somente depois volte aqui para dialogar, se quiser.

    Quanto ao “comer indignamente” e a crença de que a Ceia pode matar ou adoecer alguém (crendice baseada na má interpretação das palavras de Paulo aos Corintios) que você cita, estarei escrevendo em meu próximo e último post desta séria sobre a Ceia.

  7. 22 de novembro de 2010 1:53

    @cristina:

    O problema não está naquilo que Paulo ensinou, mas na má interpretação de suas palavras. Em breve estarei concluindo o último artigo desta série que fala a respeito disso.

  8. lorru santos permalink
    7 de janeiro de 2011 1:55

    oi hugo o eu aqui denovo

    é imprecionantemente ilárico, que voce hugo, se coloque teologicamente, acima de irineu,de horigenis, de tertuliano
    homens respeitados por todos os grandes teólogos do mundo, incluindo o Dr. Biligram, mas voce com argumentos variaveis até em sua própria esplanação,quer contradizer o que estes grandes homens de Deus , em profunda oração e santidade, descobriram,e nos legaram para os seculos posteriores,

    suas contradições são cruéis, pois uma hora voce diz que concorda com Jesus, e aceita tudo o que ele diz, como verdade absolutamente dígna de fé, outra hora voce simplesmente diz : ,não esse não É o seu corpo Jesus, nem seu sangue, voce tem que dizer significa meu corpo e meu sangue, Jesus voce não pode dizer isto É ,pois na minha concpção não é, é só síbolismo,

    que ingenuidade essa sua, HUGO, agora quer saber mais que Jesus,

    frisando os novos envagélicos, ou os novos cristãos, todos em conformidade, aceitam os escritos dos monges do deserto e dos pais da igreja, até o ano 300 DC,portanto o que voce escreve como orientação deles, (as quais voce rejeita, e heretiza) é válida pra nós,GLOBAL DO AVIVAMENTO, ABRIGO7, PROGETO 242,(que inclusive usa como profisão de fé o creio usado ainda hoje na igreja Católica Romana,) etç……….e estamos ótimos assim

    AI PERDÃO SE EXAGEREI NAS COLOCAÇÕES, POIS O INTENTO É SÓ DE ESPRESAR O PENSAMENTO, NÃO PRETENDO DENEGRIR NINGUEM VALEU ……..

  9. 7 de janeiro de 2011 4:16

    Pastor Lorru, não vou perder meu tempo falando com alguém que obviamente não tem condições de discutir o assunto em profundidade e o máximo que pode fazer é chamar-me de “herege”. Levando em consideração sua linha de argumentação, custa-me crer que você possa sequer citar uma única referência de “Horigenis”, Irineu ou até mesmo “Biligram” a respeito do assunto em questão. Ou está papagaiando coisas que ouviu de alguém ou entrou aqui somente para tirar uma com a minha cara. De qualquer maneira, não vale à pena perder tempo discutindo contigo.

    Se você crê na transubstanciação (ou na consubstanciação, que no fundo acaba sendo a mesma coisa) tudo bem. Não quero “mudar a religião de ninguém”, mas vou continuar escrevendo o que penso. Se não gosta do que lê, é simples: não volte mais aqui.

    Para mim, quando Jesus disse “eu sou a porta” (João 10), certamente não queria dizer que era um folha de madeira de 20 cm de espessura com 2 metros de altura. O Senhor sempre se utilizou de analogias espirituais em seus discursos. Não sou nenhum revolucionário por pensar assim, pois o reformador Zwinglio já defendia esta posição há 500 anos atrás. Este é o pensamento das igrejas que seguem a Confissão de Westminster também. A única “inovação” proposta por mim é a restauração do conceito da Ceia como uma refeição e não como um ritual. Mas a não ser que nos desfaçamos do misticismo em torno dos elementos, sempre veremos esta proposta como um “sacrilégio”.

    Termino esta “tentativa de diálogo” esclarecendo que só uso a Bíblia como regra de fé e prática. O resto, eu leio, analiso e reciclo. Não gosto de comer comida ruminada por terceiros, por isso aprendi a ler e analisar as coisas por mim mesmo.

    Sou trinitariano, o que quer dizer que leio os Pais da Igreja e reconheço seu legado. No entanto, discordo deles em muitos pontos. Eles eram sinceros, mas não eram perfeitos: Orígenes era universalista, Irineu era clericalista ao máximo, Tertuliano era fanático na questão da transubstanciação e Cipriano ligava a questão da salvação ao ato de tomar a Eucaristia.

    Se, apesar destes erros grotescos, para você a tradição patrística tem força de doutrina, é inquestionável e está acima do senso crítico, sugiro que volte para Roma e seja feliz.

  10. lorru santos permalink
    8 de janeiro de 2011 14:18

    gosto do blog e vou vir aqui sempre, se não tem a capacidade de ser questinado não deveria escrever o blog, eu tambem tenho blog, site, e vidios no youtube, e recepciono mil e uma coisa que, para mim é até ofencivo, mas o meu senso de imtelectualidade, me diz que e normal receber criticas, e é até bom para nossa auto-avaliação
    porem não critico voce, e o acho muito inteligente, não por se esconder debaixo de citações dos históriadores, mas por está se empenhando no desenvolvimento do novo, com relação a reforma e tem feito o que pode, com muita qualidade

    mas não é por isso que vou aceitar seus grotescos erros ceialistas,

    Jónatas edwords tomava a ceia todo domingo e fazia profunda genoflexcencia,(leia heróes da fé)chegando a indicar como metodo de santificação,Jhon wésley do mesmo modo indica a ceia como santificadora (leia os morávios)
    a doutrina da santificação pela ceia, não é católica, é bíblica e profundamente cristã desde o premeiro século

  11. 8 de janeiro de 2011 18:35

    Lorru,

    Independente de concordar ou não com o que está escrito, seu “senso de imtelectualidade” (sic) deveria lhe fazer ver além de sua cartilha doutrinária e lhe conscientizar de que esta é somente mais uma das questões que são discutidas há séculos na Igreja e sobre as quais não há consenso.

    Não estou te expulsando do P&V (se quisesse já o teria feito). Você é e será sempre bem vindo, mas deve se acostumar a ter seus dogmas confrontados por aqui e discutir diferenças de opinião com a mente aberta e de maneira civilizada. Como você mesmo já percebeu, não tenho problemas em publicar opiniões contrárias às minhas (caso contrário não abriria esta seção para comentários). Meu ponto é que, por ser um leitor assíduo de P&V (como se descreve), você deveria ter uma maior elasticidade na avaliação de conceitos diferentes dos seus sem, logo de imediato, sacar a pistola da Santa Inquisição e disparar palavras como “herege”, “sacrilégio” e argumentos toscos do tipo “você é ingênuo e quer saber mais do que Jesus.” Tais palavras não me ofendem (na verdade já estou acostumado), mas demonstram que seu fundamentalismo tradicionalista é demasiadamente aflorado para este debate seja realmente produtivo e supere o nível da fútil troca de adjetivos. Como eu disse, não tenho problema em ser questionado, mas somente invisto meu tempo em debates INTELIGENTES.

    Assim como você, eu poderia citar-lhe alguns personagens históricos que respaldam meu pensamento no tocante ao MEMORIAL da Ceia. Mas isso seria uma perda de tempo, pois tanto eu quanto você sabemos que nenhum registro pós-canônico tem a mesma autoridade das Escrituras, e seus autores estão sujeitos a erros.

    Edwards, por exemplo, não ligava a questão do batismo ao novo nascimento, somente à “membresia” na Igreja, seguindo a tradição católica da “membresia por sacramento”. Assim, apesar de me inspirar muito em homens como Wesley e Edwards, reservo-me o direito de discordar destes homens sempre que entender que algumas de suas crenças eram fruto de uma tradição religiosa herdada de Roma.

    Se ler as páginas CREIO e POR QUE “PÃO E VINHO”? neste blog, verá que entendo a mística do “comer a carne e beber o sangue do Senhor”. Mas não creio que Jesus habite literalmente nos elementos da Ceia -para mim o pão é pão e o vinho é vinho – e já lhe expliquei o porquê. Trata-se de um ato profético, em que ações e elementos naturais apontam para algo sobrenatural (assim como é no batismo). Para mim a Ceia não santifica, mas aponta para a comunhão entre Cristo e sua Igreja. A santificação não se dá pelo “ritual” da Ceia, mas no desenvolvimento de um CONTÍNUO ESTILO DE VIDA. A Ceia somente aponta para isso de maneira tangível. É um MARCO, um MEMORIAL, mas não é a realidade. Somente aponta para a realidade que é UM CONTÍNUO ESTILO DE VIDA. A mística da Ceia está no Espírito que paira sobre a congregação, a revelação espiritual coletiva das chagas do Cordeiro.

    Acima, defendo (e respaldo com as devidas referências bibliográficas) a idéia de que certos conceitos em torno dos elementos da Ceia são fruto de uma tradição pós-canônica que se desenvolveu ao longo dos séculos. Portanto, para refutar minha premissa, você vai precisar fazer mais do que simplesmente citar dogmas e tradições de séculos atrás.

    Mostre-me meus “grotescos erros ceialistas” (sic) com algo mais significante do que meros adjetivos e palavras de origem e existência duvidosas na lingua portuguesa. Não tenho tempo a perder com fúteis debates que não levarão a nada. Estou aberto à crítica, mas se quiser levar este diálogo adiante, apresente-me uma exegese bíblica inteligente e lógica que responda as seguintes perguntas:

    1) Em que Escritura você se baseia para dizer que o crente é santificado pela Ceia?
    2) Jesus por diversas vezes falou em parábolas e usou analogias espirituais. Ele disse que era a porta, o pão, a videira e disse que nós somos os seus ramos. De qual critério você se utiliza para determinar quando Jesus fala em parábolas e fala de forma literal quando se compara a um objeto inanimado? Como e quando você traça a linha de distinção entre uma alegoria espiritual e um discurso literal? Cite-me versículos que embasem a sua crença.
    3) Para você, a água do batismo limpa pecados? Se SIM, por quê? Se NÃO, por quê?

    A quarta pergunta é somente especulativa:

    4) Se o Corpo de Cristo reside literalmente no pão e no vinho, como diferenciar a sua prática da supersticiosa prática romanista de veneração e idolatria a elementos inanimados?

    Se você se dispor a responder estas perguntas de forma direta, sem rodeios, e utilizando-se da Bíblia, poderemos continuar esta conversa.

  12. Guilherme permalink
    18 de janeiro de 2011 20:46

    Hugo, voce ainda nao escreveu a parte 4 sobre a Ceia do Senhor?

  13. 18 de janeiro de 2011 21:21

    Fiquei devendo essa, Guilherme. Tenho postergado a publicação deste artigo por algumas razões. Falta-me revisar algumas coisas e completar outras. Vou me esforçar para publicar logo.

  14. 25 de julho de 2011 15:06

    Hugo,

    Qual sua opnião sobre o ponto de vista de Calvino sobre a Ceia do Senhor. Sobre a questão do formato da ceia na igreja primitiva achei muito interessante.

    Atualmente 4 são as correntes sobre a Ceia do Senhor: Zuingliana (memorial), Calvinista (presença real – espiritual), Luterana (presença física no elementos0 e Católica (presença física).

    Alexandre Mello

  15. 4 de agosto de 2011 11:41

    Alexandre,

    Eu acredito na presença real do Senhor na Ceia. Penso que esta presença é proporcionalmente tangível à medida da revelação que temos do Corpo de Cristo, não somente dos benefícios do sacrifício vicário, mas dos efeitos deste sacrifício em nós, tanto individualmente, mas no caso da Ceia principalmente no aspecto coletivo. Para mim o formato da Ceia é importante porque a Ceia é um evento essencialmente comunal e não individualista. Creio que a Ceia é um veículo de graça, e creio na presença do Senhor durante a Ceia, mas não creio que esta presença resida nos elementos da Ceia, tanto quanto não acredito que a água do batismo limpa pecados. É somente um simbolismo com significado profético. O pão ou o vinho aponta para uma realidade espiritual que não podemos ver, mas não é a realidade em si mesmo.

  16. 13 de março de 2012 20:01

    hugo todas pessoa pode tomar ceia mesmo que não é batizado que eu sai da igreja tradiçonal agora eu estou na igreja organica

  17. cristina permalink
    15 de março de 2012 16:13

    HUGO , PESSOAS COMO ESSE TAL DE PASTOR LORRU SANTOS SÃO O NOSSO PASSAPORTE PARA O CÉU , COMO O TAL LEONARDO DO PÚLPITO CRISTÃO,
    ESSES NOS PROVAM A MANSIDÃO…
    EU ACREDITO QUE AQUELES QUE NÃO SABEM ESCREVER CORRETAMENTE TAMBÉM
    NÃO SABEM NEM LER… MUITO MENOS INTERPRETAR… NEM UM TEXTO, QUISERA UM LIVRO…
    AO INVÉS DE APROVEITAR A RICA OPORTUNIDADE DE APRENDER O CERTO , QUEREM DEBATER, EXPOR IDÉIAS , IMPRESSIONAR(não sei quem, eles mesmos …acho )
    SABEDORIA… ESSA VEM DO CÉU , MESMO!!!!!!!

  18. Rogerio Lázaro permalink
    25 de junho de 2013 10:55

    @Hugo:

    HUGO,

    Esse “pastô” é uma piada!
    Caricatura de cristão!

    Melhor ver dessa forma e enxergar alguma coisa engraçada nisso tudo do que chorar, pois essa é primeira vontade que me dá.

    Graça e Paz!

  19. Renato permalink
    11 de março de 2014 1:55

    Hugo, achei tremenda sua explanação sobre a Ceia. Tenho salvo os seus posts e aguardo pela parte 4. Tenho pensado em compartilhar seu estudo com vários líderes da minha igreja, mas temo que seja necessária uma nova Reforma para voltarmos às bases do evangelho. Quero poder viver na minha comunidade a ceia farta e alegre, discernindo o corpo de Cristo – que somos nós mesmos, os irmãos – como bem apresentado por você. Gostaria de aproveitar e saber de você se também concorda que, quando Jesus partiu o pão, este “partir o pão”, sendo ele o pão da vida e a Palavra, representa também que nós devemos partir e compartilhar desse alimento que temos recebido. Deus continue te abençoando.

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