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Ceia do Senhor: banquete ou aperitivo?

19 de outubro de 2010

É curioso o fato de o Senhor Jesus não ter deixado nenhum estatuto de natureza doutrinária, administrativa ou litúrgica a seus discípulos, de ter falado muito pouco da Igreja nos Evangelhos mas, no entanto, ter deixado duas ordenanças a serem observadas pela Igreja: o batismo e a Ceia – o que nos mostra a importância destes atos proféticos para Deus: o batismo é a iniciação de nossa fé, e a Ceia é a confirmação da mesma ao longo de nossa caminhada cristã.

É unânime o entendimento da importância e do significado da Ceia na Igreja como um memorial ao sacrifício vicário de Cristo a nosso favor. Entretanto, recentemente, um diálogo tem sido encorajado entre os irmãos no tocante a três aspectos da Ceia do Senhor: o formato, o espírito e o propósito em que ela é celebrada.

Assim como outros irmãos, particularmente entendo que milênios de tradição eclesiástica alteraram o entendimento destes aspectos e o modus operandi da Igreja quanto à Ceia. Esta série de artigos visa dar a minha contribuição neste diálogo. O título e alguns termos que usarei ao longo destes artigos podem soar um pouco provocadores, mas esclareço que minha intenção não é ridicularizar, nem mesmo mudar aquilo que milhões de irmãos praticam por todo o mundo. O propósito é fazer-nos refletir sobre algumas tradições que herdamos de nossos pais na fé e esclarecer certas práticas e entendimentos diferentes que estão emergindo em nossa geração no tocante a esta importante ordenança.

A prática dos primeiros cristãos

Era comum entre os primeiros cristãos observar a Ceia em um formato de celebração, ou seja, como uma refeição literal. Além de [1] observar um memorial ao sacrifício vicário de Cristo a nosso favor, a Ceia também tinha o propósito de [2] criar um ambiente de comunhão e fraternidade entre os irmãos (2 Ped. 2:13, Jd 12) e [3] prestar solidariedade e ajuda aos irmãos mais pobres da Igreja (1 Cor. 11:17-34).

A Igreja primitiva era uma rede de cristãos que se reuniam de casa em casa para juntos adorarem o Senhor Jesus. A mesa da comunhão era o epicentro desta celebração. O “partir o pão” (Atos 2:46) era um elemento tão importante desta celebração quanto os salmos, orações e a meditação das Escrituras que hoje tanto prezamos. A Ceia era uma celebração que fazia parte do cotidiano dos discípulos; não era um ritual litúrgico realizado no primeiro domingo de cada mês e sim uma celebração em família.

Há algo na comida que estimula o espírito fraternal e, sabendo disso, não poucas vezes Jesus ministrou enquanto compartilhava uma refeição com seus discípulos. Por isso, a Ceia, apesar de não ser uma refeição como qualquer outra (pois possui um significado espiritual), nos seus primórdios era tão literal a ponto de, até mesmo, ser confundida com um banquete qualquer (esse foi juntamente o problema que estava ocorrendo em Corinto, como veremos mais adiante).

1 Cor 11:23-28 é uma das passagens mais lidas em nossas igrejas na celebração da Ceia do Senhor. Poucos atentam, porém, para o fato de, em 1 Cor 11, Paulo usar a palavra grega δεῖπνον (deipnon) para se referir à Ceia. Δεῖπνον se refere à PRINCIPAL refeição do dia entre os gregos e romanos de seu tempo (normalmente no final da tarde ou no começo da noite).1 Ou seja, ao ensinar sobre a Ceia, Paulo tinha em mente um banquete que não somente era literal, mas era também SUBSTANCIAL.

A propósito, as admoestações de Paulo contra a comilança e embriaguez dos coríntios não fariam o menor sentido se os primeiros cristãos celebrassem a “ceia tradicional” com elementos simbólicos atualmente realizada em nossas Igrejas.

O problema de Corinto

O episódio em Corinto merece nossa atenção devido a má interpretação da proposta de Paulo para a solução dos problemas que estavam ocorrendo na celebração da Ceia naquela igreja.

Não poucos irmãos entre nós (até mesmo na Igreja nos lares) entendem as admoestações de Paulo aos corintios (para que os irmãos mais abastados “comessem em casa”) como um mandamento para que a Ceia fosse realizada como um evento distinto e separado do farto banquete que mais tarde seria conhecido entre os discípulos como “Festa Ágape” (Jd. 12). Mas esta é uma má interpretação das instruções do apóstolo.

Ao lermos 1 Cor 11:17-34 com atenção, entenderemos que os mais abastados estavam trazendo a comida e comendo a sua refeição individualmente, sem se preocuparem com os irmãos mais pobres da Igreja, envergonhando assim “os que nada têm” que normalmente chegavam de mãos vazias ao evento e acabavam ficavando sem comer (v. 22). As pessoas somente “enchiam a pança” sem se preocupar com os demais membros do Corpo, esquecendo-se de consagrar o pão e o vinho em conjunto com TODOS os membros do Corpo Local. A Ceia deixava então de ser a celebração do Corpo de Cristo para tornar-se uma mera comilança egoísta.

Paulo não mandou ninguém comer em casa porque pensava que a Ceia era algo “demasiadamente sagrado” para ser celebrada durante uma refeição normal. A repreensão de Paulo não se deu por eles estarem “profanando” a Ceia pela “falta de reverência” ao literalmente festejá-la com fartura de alimentos. Paulo repreendeu os corintios por estarem comendo fora do espírito da comunhão, pelas dissensões que havia na Igreja (v. 18) e porque cada um estava fazendo “a sua própria ceia” de maneira egoísta (v.21). A solução proposta por Paulo não foi uma “ceia simbólica”, e sim que “se você não consegue se controlar, coma em casa, aplaque essa sua ‘fome de leão’ e abençoe o mais pobre” para que todos possam participar JUNTOS da Ceia. O apóstolo é bem claro quanto a isso quando termina o capítulo dizendo que “quando vos ajuntais PARA COMER, esperai uns pelos outros” (v. 33).

É obvio, portanto, que Paulo não aboliu a prática de compartilhar uma refeição literal durante a Ceia do Senhor em Corinto, apenas corrigiu alguns excessos que estavam ocorrendo naquela Igreja.

Conclusão

A maioria de nós vem de uma tradição católica onde o batismo por aspersão é praticado. Algumas denominações protestantes nunca aboliram esta prática herdada do catolicismo, apesar do amplo entendimento de que o batismo por imersão reflete com mais fidelidade o batismo bíblico, tanto na questão morfológica da palavra (a palavra “batismo” vem do grego βάπτω – bapto – quer dizer literalmente “imergir”)2 quanto na prática da Igreja primitiva (que batizava por imersão). Assim como a ordenança do batismo, a Ceia do Senhor também sofreu uma mutação em seu formato original.

A Ceia foi originalmente instituída pelo Senhor Jesus em um contexto de refeição literal (Lucas 22: 15-20). O Senhor consagrou o pão e, somente depois de cear (v.20), consagrou o vinho e o tomou com seus discípulos. Ele abriu a Ceia com o pão, comeu o banquete da Páscoa3 e fechou o jantar ao levantar o cálice de vinho. Anos de tradição religiosa “enxugaram” a ordenança ao minimizar ao máximo a literalidade dos elementos que a compõem: o pão foi substituído por alguns farelos e a taça de vinho por suco de uva servido em copinhos de flúor.

Obviamente esta é uma questão secundária com relação à salvação e que, pela graça de Deus, não é o formato da ordenança e sim a fé de cada um que cumpre o seu propósito principal. Entretanto, tal princípio não invalida o valor desta discussão: é fato que a ceia simbólica que atualmente celebramos em nossas igrejas foi uma adaptação pós-bíblica da tradição apostólica. Uma análise bíblica e histórica imparcial na questão da Ceia nos levará a reconhecer que a ceia literal está para o batismo por imersão assim como a ceia tradicional está para o batismo por aspersão no tocante ao seu formato.

A Ceia do Senhor não se distingue de outras refeições no seu formato, somente em seu significado. O que distingue a Ceia como um ato profético não é um ritual solene em que experimentamos alguns “aperitivos sagrados”, mas o propósito pelo qual nos reunimos: não somente para “encher a pança” (como nos adverte Paulo), mas para, em alegria, relembrar a oferta vicária feita em nosso favor à medida que confraternizamos uns com os outros.

A cirúrgica separação entre a Ceia do Senhor e o banquete promovida pela tradição eclesiástica transforma a ordenança em um ritual totalmente estranho às Escrituras e à prática dos primeiros apóstolos, desprovido totalmente de seu contexto de celebração e fraternidade. Diante de tantas descrições bíblicas da Ceia como um banquete, enxergar Pedro, João, Paulo, Silas, Timóteo e os demais discípulos comungando em torno de uma mesa cheia de “aperitivos simbólicos” é mais do que uma idéia equivocada. É algo totalmente surreal.

Continua na parte 2.
Notas

[1] Strong # G1173
[2] Strong # G911
[3] Em 1 Cor. 11:25, Paulo diz que Jesus, depois de cear, tomou o cálice. “Cear” do grego δειπνέω (deipneo), quer dizer “jantar”, ou seja, antes de tomar o cálice Jesus comeu SUBSTANCIALMENTE (Strong # G1172).


© Pão & Vinho

Este texto está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcialmente ou na íntegra, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

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19 Comentários
  1. cristina permalink
    21 de outubro de 2010 12:15

    GRAÇA E PAZ AMIGO HUGO, OBRIGADO PELO ESCLARECIMENTO SOBRE A CEIA NESTE TEXTO, NÓS AQUI AINDA NÃO CEAMOS, POIS ESTAVÁMOS A REVER CERTOS CONCEITOS, FOI DE GRANDE VALIA E ENSINAMENTO PARA TODOS AQUI. ABRAÇOS.

  2. Pastor Lorru Santos permalink
    18 de novembro de 2010 4:10

    NOSSA HUGO, VOCE É PÉSIMO EM EXEGESE, ISTO COLOCA EM RISCO A CREDIBILIDADEDE TODOS OS OUTROS ARTIGOS, POIS ESTAIS A ENSINAR UM ERRO FATALMENTE HERÉTICO

    existem muitos artigos bons neste site mais este é péssimo é totalmente ant-biblico,
    o texto ignora totalmente 1ª coritios 11,23-34 que deixa bem claro que se alguem quer comer coma em casa,e aponta tambem os riscos de receber o corpo de cristo em pecados o que pode resultar até em adoecimento e morte (dormição ) e que hirtoria é essa de síbolismo mateus 26,26-27 não diz nada disso mas simplismente a palavrar ” ISTO É O MEU CORPO”

    MAS TIRANDO ISTO, SOU MUITO FÂ DO SITE

  3. 22 de novembro de 2010 1:03

    Lorru,

    Talvez o problema não esteja em minha exegese tanto quanto esteja em sua disposição ou capacidade de ler e interpretar o que está escrito.

    Pode ser que, na ânsia de defender seu dogma, sequer tenha lido o texto completamente, porque o surrado argumento de que Paulo tenha mandado a turma de Corinto comer em casa para se celebrar uma ceia com “aperitivos sagrados” já está refutado no próprio texto. Em segundo lugar, neste artigo me propus a somente discutir o formato, não a postura do cristão ao tomar a Ceia. Não entro no mérito da questão do “examinar-se a si mesmo” e “discernir o Corpo”. Mas em momento nenhum disse que devemos “tomar a ceia em pecado”, somente que podemos celebrá-la em um formato de banquete. É a sua herança católica romana que o leva a deduzir que celebrar a Ceia em formato de um banquete equivale a profaná-la, e não a Bíblia.

    Como o próprio texto que você não seu deu ao trabalho de ler diz, é inquestionável que a Ceia foi estabelecida em um contexto de refeição. Se quiser provar ao contrário, convido-o a ler o texto com atenção, para que, se tiver que refutá-lo, o faça de uma maneira que demonstre que você pelo menos está lendo e tem capacidade para entendender o que está escrito – fazendo assim algum juz a este título que você costuma exibir antes de seu nome.

    A respeito de seu pensamento, que se assemelha à crença católica da transubstanciação, leia minha réplica a seu comentário no artigo “Retrospectiva histórica da Ceia do Senhor“. Quanto a esta crendice de que a Ceia pode matar ou adoecer alguém (baseada na má interpretação das palavras de Paulo), irei abordar este assunto no próximo post.

  4. lorru santos permalink
    6 de janeiro de 2011 14:18

    pra inicia a palavra é tranconsubistanciação,e como pode dizer que não li o texto se não estavas aqui comigo,mateus 7,1-2 já foi violado,sem que a maioria dos evangenlicos não gostam da ceia porque vivem em pecados mortais,então se desvirtualizarmos a mesma todos ficaram a vontado para o tamanho sacrilegio biblico ja os católicos adoram a eucáristia isso é clara ídolatria,mas eles respeitam bem mais os textos biblicos com relação a ceia do os evangelicos isso é nítido

    obrigado por postar o meu cometário ant-argumentalista ,isso mostra que voce não pretende engana ninguem, nem ludibriar, mas símplismente apresentar a sua retórica pensativa até um pouco reflexisiva mas epicurista

    abraços e continue a missão

  5. 6 de janeiro de 2011 22:41

    Lorru,

    Eu não preciso estar ao seu lado para entender que 1) ou não leu o texto ou 2) tem sérios problemas de interpretação ou concentração, simplesmente porque levantou questões que já haviam sido respondidas no próprio texto. Não estou julgando ninguém, somente dizendo o óbvio.

    A propósito, é muito engraçado ler alguém que se esconde atrás de Mateus 7 acusar *a maioria* dos evangélicos de cometerem pecados mortais. Este é um argumento deveras farisaico para alguém que diz que “não devemos julgar”.

    Você está correto quando diz que não quero enganar ninguém, e estou aberto à discussão. Mas não discuto com pessoas que obviamente não entram aqui com a cabeça aberta para dialogar. Chegam simplesmente empurrando seus surrados argumentos SEM PRESTAR ATENÇÃO AO QUE ESTÁ ESCRITO. Não me meto mais neste tipo de debate sem fim.

    Portanto, não me agradeça por eu haver postado seus comentários, porque a não ser que você suba um pouquinho o nível da argumentação, não vai mais ver seus comentários publicados aqui. Todos os dias bloqueio gente que entra aqui só para encher o saco, mas que não fala nada com nada. Você está se tornando um deles e por isso meu papo contigo está se encerrando.

    A título de informação, a palavra que você tentou usar e se embananou todo é CONSUBSTANCIAÇÃO, um conceito inventado por Lutero para diferenciar sua crença do dogma católico da TRANSUBSTANCIAÇÃO. A transubstanciação é a crença católica-romana de que o pão e o vinho se transformam na carne e no sangue de Cristo de forma literal. A consubstanciação é a crença de que Jesus se encontra presente COM a substancia do pão e do vinho sem que haja transformação de substância. No final das contas, acaba sendo a mesma coisa e a supertição e o misticismo em torno dos elementos permanece.

    Já expliquei porque entendo que as palavras do Senhor (“Isto é o meu corpo”) são analogias espirituais.

  6. cristina permalink
    30 de setembro de 2011 15:27

    Há pessoas, e pessoas… querer discutir exegese sem nem mesmo saber escrever a palavra
    “péssimo”, que é erro também fatal… acredito que quem não sabe escrever corretamente é porque não tem o hábito de ler.
    Admiro sua paciência caro Hugo, que Deus te abençoe por estar nos abençoando sempre com ensino .

    abraços.

  7. 13 de fevereiro de 2012 19:56

    Excelente texto, Hugo. Não podemos descaracterizar a ceia do Senhor com formalismos sedimentados pela tradição protestante. No próprio comentário sobre a ceia como descrita no “Didaqué”, o autor católico admite: “A Eucaristia aqui mencionada diverge bastante do rito eucarístico que hoje conhecemos […] O texto deixa claro que a Eucaristia era celebrada dentro de uma refeição comum…] (Didaqué, 6ª ed. Ed. Paulus, 1989, p. 21). Um abraço.

  8. silvana sales permalink
    13 de fevereiro de 2012 23:24

    Graça e paz do Senhor, irmão Hugo.

    Como estou feliz por ter conhecido seu blog (muito rico) e por ler esse artigo sobre a ceia. Minha felicidade é exatamente pela experiência que tenho vivido quanto a esse importante assunto. Saí há quase três anos de uma denominação que celebra a ceia do Senhor de modo tradicional. Graças a Deus, O Senhor revelou ao coração dos meus líderes essa verdade, não nova, mas antiga, explícita e que por tantas vezes a nossa leitura condicionada não nos permitia enxergar.
    É com muita alegria e gratidão que há alguns meses, celebramos a ceia da maneira como entendemos que Jesus a celebrou. Ele nos deixou o modelo, os homens, porém, a transformaram no que vemos hoje, um pedaço de pão e um pouco de vinho.
    Nos reunimos a mesa, com alimentos mesmo e isso nos não nos tira o valor e a espiritualidade do momento. Queria compartilhar isso.
    Deus seja louvado por sua vida.

  9. 29 de maio de 2012 14:10

    Graça e Paz.

    Que o SENHOR DUS continue abençoando você e todos àqueles que procuram tratar dos assuntos concernentes a ortodoxia e ortopraxia cristã com seriedade e responsabilidade. Seu artigo muito me alegra e me estimula a continuar pregando TODO o evangelho para o homem TODO em TODO o mundo.

    Fraternalmente em Cristo,

    Cláudio Araújo, Pr.
    IGREJA BATISTA NO BEM-STAR
    Sobradinho II – Distrito Federal

  10. Wanderson permalink
    10 de junho de 2012 13:10

    Olá Hugo. Saí de uma igreja evangélica e tenho questionado a forma como celebramos a ceia nos moldes atuais. Entendi perfeitamente o que você escreveu e concordo. Mas há algo que ainda tenho questionado: Jesus disse que os apóstolos deveriam fazer isso em memória dele. Nisto há 2 considerações: “em memória” não seria em consideração a alguém que morreu ? Logo, ainda precisamos celebrar esse ritual (ceia) já que Ele está vivo ? Outra coisa: Ele disse “fazei isto…” aos apóstolos e não a nós, por ser um momento muito íntimo entre Ele e aqueles que o seguiam diretamente. Ainda tenho esse questionamento. Obrigado.

    Wanderson

  11. 10 de junho de 2012 19:56

    Oi Wanderson,

    É importante lembrar que, muito embora recordemos sua morte, não estamos fazendo algo em memória de alguém que está morto, e sim de alguém que ressucitou, cuja morte e ressurreição têm implicações práticas em nossas vidas hoje. Não perdemos um ente querido, mas ganhamos a vida eterna por meio de seu sacrifício. Por isso, Jesus é a nossa Páscoa, o equivalente à Pessach judaica em que os judeus celebram (não pranteiam) o fim da escravidão no Egito, pelo sangue do cordeiro nos umbrais de suas casas.

    Quanto a segunda colocação, pessoalmente vejo dois problemas em dizer que as instruções do Senhor para celebrarmos a Ceia foi exclusiva aos seus discípulos imediatos. Primeiro, há registros nas próprias Escrituras de Paulo e Judas fazendo menção da Ceia como uma prática da Igreja neotestamentária em geral. Paulo inclusive ensinou sobre o assunto aos Corintios, como você deve se lembrar. O segundo problema é que não vejo nada nas Escrituras que indique que este mandamento de celebrar a Ceia é relativo ao contexto da Igreja neotestamentária. Se entrarmos por esse terreno minado, então o que dizer do batismo e dos dons espirituais? Também seriam somente para aquela época? Se não há nada explícito que indique que algo se limitava somente àqueles tempos, onde traçaremos a linha que determina o que ainda é válido para os dias de hoje e o que já caducou?

  12. 5 de agosto de 2012 9:26

    Graça e paz Hugo!

    Parabéns pelo excelente blog! Em meu coração subiu há poucos tempos essa questão da antiga celebração da Ceia, e logo me pus em oração e leitura da Palavra, ao que Deus me testificou posteriormente por meio de irrefutáveis matérias como esse artigo publicado por você. Glória a Deus!

    Por muitos anos pastoreei em diversas igrejas de múltiplos ministérios, mas hoje minha comunhão é com minha família e alguns conhecidos aqui em meu lar mesmo. Já não engulo mais esses tradicionalismos, hierarquias, barganhas coma fé etc, chega de “catolicismo protestante” kkkkk.

    Só há um problema: não encontro nenhum ministério onde a ceia seja celebrada dessa forma, onde não há ameaças pra quem não contribui regularmente com o dízimo, onde seu “propósito de existência” seja baseado em programas…e ainda assim, não abra mão de ser um ministério avivado e onde os milagres de Deus operam abundantemente.

    Por fim, caso eu não encontre, estou inclinado a agir com audácia e iniciar sob a direção do Pai esse trabalho que não encontro, pelo menos aqui na região Oeste da Grande São Paulo. Peço assim sua oração em meu favor e de todos quantos são fças de seu blog e que leem também este comentário. Grato

    Ps: Já salvei sua pg em meus favoritos. O Senhor é contigo.

  13. 5 de agosto de 2012 21:18

    Marlon,

    Tudo bem? Obrigado pela visita ao blog. Fico contente que algo do que escrevi tenha “ressonância” com o que você está captando do Espírito para nossa geração. Eu e minha família estamos no exterior e recentemente nos mudamos de estado. Deixamos uma comunidade para trás e estamos começando de novo também. Não é fácil encontrar pessoas que enxerguem a igreja como ela realmente é, em que a mesa da comunhão seja o epicentro da fé cristã, e não o púlpito. No seu caso, que está no Brasil, eu recomendo que tente se comunicar com algumas pessoas que já estejam caminhando nesta visão e dando frutos. Recomendo o pessoal da Grupo News (http://www.gruponews.com.br). Alguns irmãos são da Grande SP e seguramente podem te orientar melhor. Recomendo que se tiver que começar a caminhar por fé, que procure gente não convertida, gente de fora da Igreja, porque é mais fácil ganhar gente nova nesta visão do que tentar mudar a “forma” daqueles que já são crentes.

    Oro ao Senhor que te abençoe no Caminho. Estamos juntos.

  14. 19 de outubro de 2012 9:49

    olá irmão hugo bom dia graça e paz já tem algum tempo que eu deixei as denominações em especial os batistas, desde do inicio da minha caminhada cristã à (20 anos atrás mais ou menos) que no meu coração não concordava com muita coisa no meio evangelico, eu sempre gostei e gosto de ler as escrituras em especial assuntos sobre o final dos tempos e por isso vejo todos os dias o comprimento profético principalmente no diz respeito às heresias no meio da igreja, resumindo por isso me afastei, só que estou me sentindo muito sozinho, aqui na minha cidade não encontro pessoas que comunga com o mesmo pensamento, se no decorrer dos anos eu não desenvolvesse um culto individual dependesse de culto coletivo para servir a Deus eu acho que eu já tinha abondonado o caminho mas graças a Deus que as escrituras estão dentro de mim e eu estou em Jesus mas sinto a necessidade de comungar com os irmãos e aí o que você me aconselha?

  15. 21 de outubro de 2012 20:30

    Há pessoas que deixam a Igreja por discordâncias doutrinárias, outras porque estão machucadas com a liderança e há outras que saem porque receberam de Deus uma visão para desbravar novas formas alternativas de se viver em igreja, em uma eclesiologia em que o ensino se dê em um contexto de comunhão, em que a igreja deixe de ser uma empresa e se torne uma família novamente. Somente a terceira razão dará fruto. As outras duas não, porque a Igreja neotestamentária tinha que combater as heresias, e o Senhor nos ordena a perdoar aqueles que nos ofenderam. O cristão não foi feito para caminhar sozinho, e a solidão muitas vezes é um estágio, porém deve ser temporário. Nunca devemos nos conformar com um estilo de vida solitário, pois Deus não nos chamou ao culto individual, mas para ser parte do Corpo de Cristo. Assim, se você saiu da religião organizada pela terceira razão, o que eu diria é que você primeiro busque pessoas que tenham a mesma visão de comungar na mesa da comunhão, e não em frente de um púlpito. E se não encontrar, que você se torne com a graça de Deus a boa semente de Deus para trazer os perdidos para o Reino, e os discipule para que eles cresçam espiritualmente em um ambiente orgânico de Igreja.

  16. 22 de outubro de 2012 11:30

    Hugo,
    Bom dia graça e paz, Obrigado meu irmão eu entendo que foi o Senhor que me orientou sendo assim a terceira opção.

    Deus continue ti abençõando neste ministério de esclarecimento e orientações
    Um abraço
    Evanildo

  17. Wanderson permalink
    6 de fevereiro de 2013 13:43

    A graça e a paz do Senhor Jesus sejam contigo homem. Hugo, qual sua opinião a respeito dos elementos que constituem a ceia? No meu entender podemos celebrá-la com suco, pão, frutas, salgados, etc. Seria isso o banquete que você se refere. Obrigado.

  18. 10 de março de 2013 2:51

    Sim. Wanderson. Eu creio que os elementos principais (pão e vinho) não devem faltar, e devem ser acompanhado de pratos comuns e outras bebidas também. Esse é o ambiente em que a Celebração ocorria na Bíblia. (desculpe pela demora da resposta)

  19. Douglas Santana permalink
    5 de janeiro de 2014 11:43

    Olá querido irmão!

    Há tempos leio os seus artigos e acho excelentes provocações (positivas no meu ponto de vista) com relação as temas do cotidiano bíblico evangélico.

    Justamente hoje iremos celebra a Ceia do Senhor numa igreja batista a qual sou pastor auxiliar e pretendo aos poucos semear estas questões.

    Realmente romper com o “tradicionalismo” é desafiador, mas necessário. Tenho colocado diante do Senhor essa e outras questões “religiosas” da igreja que se tornaram mais ritos religiosos do que algo que podemos viver de forma simples e objetiva (vida pratica), mas que perderam o cerne por conta da tal religiosidade.

    Infelizmente colocamos o Senhor Jesus e algumas coisas que Ele nos ensinou num lugar diferente de onde ele deixou.

    Mas vamos em frente, o chamado é para ensinar, mas graça a Deus que o maior trabalho é do Espírito Santo.

    Um grande abraço.

    ahhhh volte a escrever, pois estamos sentindo falta!!!

    Douglas

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