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Marina Silva versus PV

2 de junho de 2010

Por Mariana Sanches:

Causou rebuliço a resposta de Marina Silva ao portal UOL, quando perguntada sobre o casamento gay. Marina disse que não era favorável à união homossexual e propôs um plebiscito para tratar do tema. O assunto bombou no twitter. Houve quem dissesse que retirava o apoio dado à candidata depois da resposta.

Marina Silva

A decepção com a posição de Marina só pode vir de uma confusão do público entre as convicções da candidata e os princípios de seu partido. Marina não é o Partido Verde. E isso fica claro quando se analisa as posturas públicas de ambos sobre temas polêmicos.

Decidi recuperar o programa de governo do PV e comparar com as declarações de sua candidata à presidência.

Casamento gay

Marina Silva: “Não sou favorável e proponho um plebiscito”
PV: A favor. No tópico 4 de seu programa, entre as missões do partido, está: “defender a liberdade sexual, no direito do cidadão dispor do seu próprio corpo e na noção de que qualquer maneira de amor é valida e respeitável”

Aborto

Marina Silva: “Não sou favorável e proponho um plebiscito”
PV: A favor. No tópico 7 de seu programa defende a “legalização da interrupção voluntária da gravidez”.

Legalização das drogas

Marina Silva: “Sou contrária, proponho plebiscito”.
PV: A favor. Em sua plataforma o partido diz que “uma nova política internacional provavelmente passará pela legalização e fornecimento, controlado pelo Estado, como forma de solapar e inviabilizar economicamente os grandes cartéis da droga”.

Pesquisas e uso terapêutico das células-tronco

Marina Silva: “Sou contra o uso de células-tronco embrionárias para pesquisa. Defendo apenas o uso de células-tronco adultas”.
PV: Em cima do muro. Reconhece que o sacrifício do embrião é um dilema ético embora não tenha se colocado publicamente contrário à utilização de células-tronco embrionárias em pesquisas. O partido assume a tarefa de combater, segundo seu programa “a utilização arbitrária do corpo humano no seu todo ou em partes, para a exploração comercial e/ou como objeto de qualquer pesquisa realizada fora dos paradigmas internacionais de ética médica”.

O divórcio entre as posições progressistas e liberais do PV e as opiniões de Marina, inegavelmente construídas sobre alicerces religiosos oriundos de sua história católica e de sua atual devoção evangélica, criam uma estranha situação para o eleitorado. Nesse princípio de campanha, Marina tenta atrair os religiosos, sobretudo as mulheres, e encontra grande simpatia entre o grupo universitário, urbano, de classe média, que enxerga nela uma opção moderna, em parte por seu discurso de sustentabilidade, em parte porque a identificam com as bandeiras do PV. Com o aquecimento da campanha, as posições de Marina ficarão cada vez mais claras e públicas e será possível ver se ela ainda vai ser capaz de juntar dois mundos tão distintos ou se algum dos lados eleitorais vai abandonar a candidata do PV.

Fonte: Época.

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