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Discípulos de Maquiavel

8 de maio de 2010

O livre tráfico de informação da blogosfera e seus efeitos em nossa geração podem ser comparados à invenção da imprensa no século XVI e à difusão das 95 teses de Lutero.

Não somente certos ícones do evangelicalismo brasileiro estão sendo duramente criticados – por sua ostentação ministerial e pela agressividade de seus apelos financeiros – como também a efetividade de certos elementos da máquina eclesiástica institucional – herdados do catolicismo medieval pelo evangelicalismo. Diante das críticas, o argumento mais comum por parte dos defensores do status quo é o de que “as pessoas estão se convertendo” e que o Evangelho está sendo pregado.” Sem nem sequer entrar no mérito (ou demérito) das estatísticas referentes àqueles que realmente estão se convertendo, a Igreja de Cristo precisa entender que não somos discípulos Maquiavel. Somos discípulos de Cristo.

O artigo abaixo é de autoria de Airo.

Os fins justificam os meios

Nicolau Maquiavel

Esta tão famosa expressão, citada no título, é a grande sugestão do livro “O Príncipe” que Maquiavel escreveu no início do século XVI. Dizem que o livro é um dos tratados políticos mais importantes do pensamento humano e, que seu papel foi crucial para a construção do conceito de Estado que conhecemos.

Maquiavel, em sua obra, deixa claro que não importa o que o governante faça em seus domínios, desde que seja para manter-se em autoridade – esta é uma interpretação tradicional do pensamento maquiavélico. Para ele, um príncipe não deve medir esforços, mesmo que se utilizando de crueldade ou trapaça, para manter a integridade e o bem de seu povo [ou dele mesmo?].”… sou de parecer de que é melhor ser ousado do que prudente, pois a fortuna (oportunidade) é mulher e, para conservá-la submissa, é necessário (…) contrariá-la. Vê-se, que prefere, não raramente, deixar-se vender pelos ousados do que pelos que agem friamente. Por isso é sempre amiga dos jovens, visto terem eles menos respeito e mais ferocidade e subjugarem-na com mais audácia”.

Sempre que faço algum tipo de confrontação ao pensamento e prática da igreja contemporânea, ouço como reposta: “Mas tem um montão de gente se convertendo… as igrejas estão cheias… importante é que o evangelho está sendo pregado [será?]… que as pessoas estão quebrantadas, etc… Como se Deus não fosse suficiente em Cristo e pela revelação do Espírito Santo, alcançar pessoas independente de. Como se inchaço e volume fosse o grande sinal da aprovação de Deus em relação a conduta humana.

É como se me dissessem, “não importa se não fazem prestação contas, se não existe transparência, se prosperam a benefício das arrecadações, se criam doutrinas esquisitas, se dogmatizam a fé, se andam de anéis de ouro e rubi, se lideram arbitrariamente, se tiram proveitos da posição que ocupam, se só andam com os mais ricos, se não estão alinhados nem com a metade do sentimento que havia na Igreja primitiva… pois estão pregando e pessoas vêem aos montões para dentro de suas denominações, enfim, os fins justificam os meios.

Pergunto: realmente, os fins justificam os meios? Me desculpem pela pergunta maquiavélica. Pois assim como não importa o que o governante faça para manter a autoridade e domínio sobre seu povo, pelo jeito também não importa se usurpam de um poder para manter grandes máquinas religiosas. Não importa a crueldade que sobrepuja pessoas mau informadas, porém com fé; e nem importa se a trapaça financeira enriquece comandantes do topo de uma pirâmide – uma construção do Egito. Pouco importa se denominações estão virando potências econômicas que nada constroem.

Parece mesmo que ousadia sem prudência é a grande virtude, pois ela agarra a oportunidade – de ser grande, ficar rico, ter domínio… – para fazer submisso o povo fiel. Em favor disso, parece-me que o povo fiel também prefere se vender para os poderosos príncipes dessa pirâmide egípcia. Infelizmente.

Será mesmo que os fins justificam os meios? Será que nossas atitudes, por pior que sejam, poderá ser justificada pelos objetivos que temos?

Não seria melhor dizer que, “os fins determinam os meios”. Nesse sentido, não existem justificativas para tantos abusos, mas sim, uma extrema vaidade pessoal, com um objetivo egocêntrico, envolvendo poder e domínio, que determinará a maneira que faremos as coisas agora. Pelo jeito o fim não justifica, mas determina. Então o fim, que imaginávamos ser algo bom, já não é tão bom assim, então também não poderá ser justificável, porém determinante para elaboração de um plano maquiavélico. Agora, o fim com o qual nos deparamos, nada tem a ver com o propósito/finalidade de Deus para seus filhos. Me parece que o fim é algo meramente humano, envolvendo domínios e poderes.

Fonte: Blog do Tropical via: Igreja Emergente.

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