Skip to content

Características de uma Igreja Orgânica

9 de março de 2010

Por Marcio da Rocha.

Embora não seja fácil descrever com exatidão o que seja uma igreja orgânica para alguém que não seja membro de uma, existem certas características que as distinguem. São elas:

A forma da igreja

A forma de uma igreja orgânica expressa a própria vida da igreja — tal como a forma do corpo humano expressa a vida do homem. As igrejas orgânicas não surgem a partir de estatutos, cargos e/ou de clérigos. Surgem de relacionamentos entre pessoas que amam a Jesus Cristo.

O clero

Não há clero nem ministro profissional nas igrejas orgânicas. Elas não reconhecem uma classe separada de clérigos para energizar os “leigos”. Nenhum cristão é leigo. Cristo energiza a todos e cada um energiza o outro.

A participação dos membros nas reuniões da igreja

As igrejas orgânicas permitem e encorajam todos os cristãos a funcionarem ativamente nas reuniões da igreja. Não apenas os “ministros” atuam privilegiadamente nos cultos. Todos os membros são sacerdotes ativos.

A idéia e visão de igreja

As pessoas nas igrejas orgânicas não associam “igreja” a um edifício-templo. Elas não vão à igreja – elas, juntas, são a igreja. Isto não é apenas uma teologia. Os membros experimentam isto de fato.

Os locais de reuniões

As reuniões ocorrem principalmente nos lares dos seus membros. Porém, onde estiverem dois ou três em nome de Jesus, ali é um local de reunião da igreja. Há também reuniões maiores com várias igrejas orgânicas juntas em outros locais maiores (sítios, auditórios etc.).

O que une a igreja

Os membros estão unidos unicamente em função de Cristo nas igrejas orgânicas. Não em função de um conjunto de tradições ou doutrinas.

O que sustenta a igreja

As igrejas orgânicas são sustentadas por relacionamentos construídos em Jesus Cristo. Não dependem de um prédio. Não há salário de clérigos. Os recursos financeiros são gastos com os pobres (principalmente os “entre vocês”) e na obra missionária.

O crescimento

Uma igreja orgânica cresce naturalmente por atrair pessoas. Não faz campanhas evangelísticas, embora seus membros evangelizem individualmente ou em pequenos grupos de dois ou três. Quando o número de pessoas se torna grande demais para caber num lar, elas simplesmente se dividem em duas. Esse tipo de crescimento é o mesmo observado em organismos vivos — suas células se multiplicam.

O foco principal

O foco de uma igreja orgânica está em possuir Jesus Cristo corporativamente, em uma comunidade face a face. Tudo mais surge a partir disto. Não está preocupada com a frequencia aos cultos, ou com os prédios da igreja, nem com orçamentos (elas não possuem os dois últimos).

O calendário anual

As igrejas orgânicas passam naturalmente pelas estações do ano. Não estão ligadas a calendários rituais.

Os dons espirituais

Nas igrejas orgânicas, os dons não são vistos como ofícios, mas sim como funções. Eles emergem naturalmente e organicamente, com o tempo. Eles crescem “do solo”, e as pessoas que recebem os dons de Deus não são intituladas, nem recebem mandatos.

O relacionamento entre os membros

Em uma igreja orgânica existe uma comunidade fortemente unida. Os membros são como uma família uns para os outros. Eles vivem uma vida compartilhada em Cristo. Eles se conhecem profundamente, compartilham refeições e não se veem apenas nos cultos da igreja.

A liderança

A liderança surge a partir do corpo. Plantadores de igreja equipam os santos no início da igreja, e presbíteros (quando surgem) supervisionam a igreja juntos.

A tomada de decisões

As decisões são tomadas por todos, em consenso. Não somente pelos ordenados ou por um conselho de ministros.

Os pastores

Pode existir mais de um pastor em cada igreja. Os pastores, nas igrejas orgânicas, são aqueles membros que possuem dons de pastoreio e cuidam do rebanho. Não são ordenados, mas reconhecidos pelo seu amor, integridade, sabedoria e conhecimento bíblico.

Fonte: Igreja Orgânica.

Nesta mesma linha, recomendo a leitura dos seguintes artigos:

  1. A Igreja Institucional versus a Igreja Orgânica;
  2. O que definirá uma Igreja orgânica nos próximos anos – Partes 1, 2 e 3.
Anúncios
4 Comentários
  1. Luciano Martins permalink
    9 de março de 2010 12:22

    Hugo, sempre noto nos posts sobre a igreja orgânica, a ênfase no ponto, de não ser dar um salãrio, ao irmão, ou aos irmãos que estejam, na “liderança”.

    Os irmãos n aigreja orgânica, que foram separados, pelo Espirito, para se dedicar integralmente à Igreja, não podem ter salário?

    Todo mundo, tem que ter um emprego “secular” pra se sustentar?

    E aqueles que foram chamados para o ministério? Sobrevivem como?

    Só das doaçoes?

    Abraço.

  2. Hugo permalink*
    9 de março de 2010 23:05

    Luciano,

    Vou copiar aqui a resposta que dei no Formspring a respeito disso alguns dias atrás:

    Alguns, como Frank Viola, são totalmente contra remuneração pastoral, porque pensam que isso ajuda na recriação de uma nova casta clerical. Eu, particularmente, entendo diferente e favoreço o modelo adotado em várias igrejas brasileiras que conheço em SP, RJ e ES, que remuneram o obreiro à medida que o Senhor aumenta sua plataforma, principalmente na obra em um nível extra-local.

    De qualquer maneira, entendo que um obreiro não necessita ser pago para pastorear um pequeno grupo de pessoas (15 a 30 pessoas). E à medida que o grupo cresce, é obrigação do obreiro equipar os santos e delegar-lhes autoridade, ao invés do que vemos na Igreja institucional onde tudo gira em torno do pastor. Pretendo esclarecer melhor esta questão em um artigo.

  3. 10 de março de 2010 23:02

    A Paz do Senhor a todos os irmãos, suas famílias e igrejas!

    Desculpe irmão Hugo por não andar junto com o amado neste assunto, mesmo sabendo e admitindo que a maioria das igrejas evangélicas que se reúnem nos templos estarem aos poucos se afastando da sã doutrina. Apesar dos pesares, só sairá da minha boca palavras que incentivem os membros a saírem delas quando as suas lideranças disserem para os membros que podem aceitar a marca de identificação global simplesmente porque eles querem continuar com seus projetos. Aí sim não vai dar mais. Irei, se necessário for, as portas de todos os templos evangélicos que eu puder com uma corneta e gritarei para que não sigam suas lideranças. Pode parecer loucura, mas eu lhe garanto que faço isso, a menos que entenda por Deus não o fazer. Mas enquanto isto não ocorrer a minha palavra ainda é:

    1- Oremos pelas lideranças das igrejas.

    2- Falemos com as lideranças sobre nosso ponto de vista Bíblico.

    3- Se não der mais passemos a congregar em outra igreja da mesma ordem e fé.

    4- Se a denominação inteira se corrompeu com o mundo, passemos para outra denominação, mas não deixemos de congregar nos templos, salvo apenas para aqueles que têm um chamado específico para uma obra diante do Senhor, pois esses, e somente esses, sobreviverão fora do convívio congregacional.

    Quando a perseguição aos evangélicos começar, aí a história será outra. Não vai dar mesmo para nos reunirmos publicamente como o fazemos nos templos, nem mesmo nas casas dos irmãos como se sugere neste artigo, não de forma pública.

    O problema, como escrevi aqui em uma postagem passada, não está nos templos, mas na corrupção das lideranças, e o fato de nos reunirmos nas casas não irá resolver esse problema, talvez, muito provavelmente, até mesmo agravará quando começarem a chegar às contas de luz, água e até mesmo as reclamações dos vizinhos incomodados, pois dirão: Para isso existem os templos, vão fazer barulho lá! Isso mesmo, barulho, pois já participei de vários cultos nos lares e os velhos e combatidos problemas dos templos os acompanham até suas casas.

    Bem, é isso, essa é a minha perspectiva sobre esse assunto.

    Seu irmão na fé e na esperança em Jesus Cristo: André M. dos Santos

  4. Hugo permalink*
    11 de março de 2010 20:49

    André,

    O texto acima não visa fazer proselitismo das denominações, prática da qual eu também discordo. Apenas apresenta um estilo alternativo de igreja que muitos hoje em dia já vivem. Como havia dito anteriormente, após um comentário deixado por você, também entendo que quem está contente em uma igreja denominacional deve permanecer onde está, pelo menos até o momento em que as coisas esquentarem de vez.

    Agora, no tocante à Igreja simples, penso que partimos de pressupostos diferentes. Não vejo a Igreja simples somente como uma opção ao desvio doutrinário e à prostituição ideológica/política, e sim como um estilo de vida comunitário que proporcione informalidade, comunhão e simplicidade. Muitos hoje em dia ja não estão contentes com a igreja institucional e estão buscando este estilo de vida comunitário.

    Obrigado por participar com seus comentários.

Comentários encerrados.

%d blogueiros gostam disto: