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NÃO à homofobia. SIM à liberdade de expressão.

6 de março de 2010

Havia postado este texto na seção de comentários do post original que contém os vídeos dos debates entre Silas Malafaia e a ex-deputada Iara Bernardi (24/2), e posteriormente com o transsexual Rosana Star (24/3). Decidi elaborar um pouco mais a respeito do que penso por entender que este é um assunto de grande importância. Como o texto ficou muito longo para um comentário, decidi transformá-lo em um artigo. Leia o artigo e comente, tendo em mente que não escrevi estas linhas para aprofundar-me em conceitos bíblicos/morais, mas somente defender o direito de expressão.

@Formspring.me: O que pensa do $ilas Malafeia no programa do Ratinho?

Independentemente de gostar ou não do Silas, de aprovar ou não seu estilo, de estarmos de acordo ou não com a compra de seu jatinho e de sua associação com o Morris Cerullo, não podemos permitir que nossas opiniões pessoais influenciem nosso discernimento do cerne desta questão. No ponto em que defendeu durante o debate, o Silas está correto. Quando cheguei aos EUA, escandalizei-me com o pessoal da Klu Klux Klan que, de vez em quando, vai às ruas em seus uniformes de assombração pregar White Power. Tal cena é ridícula? Sim. É ofensiva a qualquer mente liberta? Sim. Mas depois de um tempo, entendi que enquanto este bando de cabeças ocas e retardados sociais tiverem o direito de dizer o que pensam, eu igualmente terei o direito de dizer o que creio, sem nenhum receio de que o Estado me censure. Deus abençoe Freedom of Speech. Isso é LIBERDADE DE PENSAMENTO E OPINIÃO, um dos pilares fundamentais do Estado democrático e de toda nação desenvolvida.

Apesar da ex-deputada Bernardi alegar que leis como as que propõe o PL 122/2006  “estão em todo o mundo”, é importante salientar que, pelo menos nas nações desenvolvidas, assegura-se a integridade física e a igualdade de direitos do cidadão AO MESMO TEMPO em que se protege o direito de expressão. Uma coisa não pode ser feita em detrimendo da outra.

Prefiro dar liberdade aos meus oponentes para dizer o que pensam do que ter meus adversários censurados e depois ser obrigado a usar a mordaça também. Neste ponto, sou “discípulo” de Voltaire:

Não concordo com o que você diz, mas defenderei até a morte seu direito de expressão.

A PL 122/2006, como se encontra, é provinciana e necessita ser polida antes de ser aprovada. Quase 30 anos depois que o General João Batista Figueiredo entregou o poder nas mãos de um civil, o inconsciente coletivo brasileiro ainda está contaminado por resquícios da ditadura militar. Muitos ainda estão acostumados a ter o Governo como mediador de opinião, e por isso não estão entendendo o tamanho do retrocesso que este projeto de Lei representa para o Estado democrático. Em qualquer país do mundo, quando o Estado desfruta de qualquer dispositivo constitucional para silenciar a opinião, seja ela qual for, inevitavelmente usará isso para oprimir um grupo em favorecimento de outro. Minha opinião é a de que o Estado deve intervir apenas na contenção do caos, censurando mensagens e opiniões que façam apologia à violência e em questões universalmente aceitas como extrema depravação moral, como a pedofilia, por exemplo.

Cresci em uma geração homofóbica. Lembro-me da época em que fazia SENAI em Campinas, e a “fiapada” saía em grupos nas ruas para “pegar o busão”. Se encontrassem qualquer “traveco” ou simplesmente alguém que sabiam que era “viado”, havía uma grande possibilidade de que o coitado seria xingado ou até mesmo espancado. Graças a Deus, nunca participei disso (devo reconhecer que por falta de oportunidade, não porque discordava da atitude). Hoje, cristão e mais maduro, estou de pleno acordo que nenhum estabelecimento deve negar serviço a um cidadão porque ele gay, e entendo que nenhum homossexual deva  ser espancado ou humilhado publicamente sob qualquer hipótese. Mas devemos entender que uma coisa é a intolerância – demonstrada por atos covardes de violência e a execração – e outra coisa é a respeitosa discordância de opinião em diversos aspectos.

Posso dar um exemplo em minha própria família. Amei e respeitei meu finado pai até o fim de sua vida, mas entre nós havía grandes discordâncias na maneira de pensar e de fazer certas coisas, apesar do amor e do respeito mútuo que nutriam nossa relação. Da mesma maneira, posso discordar sem ser intolerante, posso criticar sem ser rançoso e posso biblicamente opinar a respeito do comportamento homossexual sem ser necessariamente homofóbico. Mas os gays, que não suportam qualquer crítica, querem transformar toda e qualquer opinião que não os agrade em “homofobia.” Isso é um golpe baixo, uma ignorância e uma tremenda demonstração de intolerância (o mesmo “crime” que os gays alegam que a sociedade comete contra eles).

Tenho lido coisas do tipo: “nós (os cristãos) deveríamos aprovar esta lei e assim conquistar a simpatia dos homossexuais.” Esta opinião é, na melhor das hipóteses, ingênua, na pior delas demagoga. Este projeto de lei, como se lê hoje, é pernicioso porque criminaliza a opinião, e este foi o ponto do Silas Malafaia durante todo debate. Quem não gosta do Silas deve esforçar-se por ignorar sua linguaguem corporal e seu tom de voz, e prestar bem atenção ao que ele está dizendo. É muito pior do que a velha lenda de “obrigar a igreja a casar gays” (algo que a lei não propõe). O problema é que ela penaliza qualquer “discriminação filosófica” ao comportamento homossexual. Como disse o Silas, quem é que vai medir isso? Quais vão ser os parâmetros, qual vai ser o aferidor de medidas que vai determinar o que é “pensamento filosófico homofóbico”?

Se alguém tentar expressar seu entendimento bíblico quanto às raízes do homossexualismo, não seria isso uma forma de “pensamento filosófico homofóbico”? Se algum juiz provinciano entender que sim, pronto: 2 a 5 anos de prisão no crente.

Amados, tenhamos compaixão dos homossexuais, mas não sejamos ingênuos. Já tentaram tirar o programa do Silas do ar e o denunciaram junto ao Conselho Federal de Psicologia. Há aproximadamente dois anos e meio, tentaram tirar o blog do Julio Severo do ar. Tudo isso ANTES MESMO DA LEI SER APROVADA. O que farão, então, se conseguirem passar este projeto de lei no Senado? Se depender deste projeto de lei, o Brasil será um país hipócrita onde alguém como Luis Mott poderá fazer apologia à pedofilia sem ser preso ou perder seu emprego (na Universidade FEDERAL da Bahia), e um cristão que pregar suas convicções  bíblicas será perseguido por promotores públicos, pagos com o dinheiro do próprio contribuinte cristão.

Concordo que este monumento à ignorância, este circo mambembe chamado “Programa do Ratinho”, idealmente não seria o melhor lugar para se discutir algo tão sério. Mas infelizmente, este é um reflexo do baixo nível cultural de muitos brasileiros. Devemos entender duas coisas: em primeiro lugar, o alto nível cultural dos que criticaram a aparição do Silas no Ratinho não representa o nível cultural de uma boa parcela dos brasileiros. Em outras palavras, se quisermos alcançar o povão por meio da mídia, temos que aparecer nos programas que o povão gosta, ao invés de ficar falando somente para nós mesmos, criando programas de TV que só crente vê. Em segundo lugar, não é qualquer programa na mídia aberta que convidaria um bom articulador como o Silas para debater em seu programa. Alguns criticam seu temperamento mas, pelo menos da mídia americana, estou cansado de ver gente bem intencionada ir à TV discutir esta e outras questões delicadas e, por não saber se impor, ser cortado todo o tempo, tanto por seus oponentes quanto pelos mediadores (que normalmente são liberais). A não ser que isso somente aconteça na terra do Tio Sam e não em território tupiniquim, penso que talvez todo este jeito espalhafatoso do Silas seja um mal necessário nesta situação em particular.

Enfim, aos blogueiros que estão descendo a ripa no Silas após a sua aparição no Ratinho, aconselharia duas coisas: primeiro, deixem de ingenuidade ou demagogia, e prestem atenção ao teor da lei. A homofobia é algo detestável, mas criminalizar a opinião é igualmente abominável no Estado democrático. Segundo, se o Silas não é um representante à altura dos evangélicos por sua deselegância, que nos esforcemos por fazer melhor do que ele ao alertar a população brasileira quanto a tremenda fria que é esta lei e, assim, ter melhores opções para o debate com os demais membros de nossa sociedade.

Concluo com um provérbio chinês que diz que “aquele que diz que algo não pode ser feito, não deveria atrapalhar aquele que já está fazendo.”

© Pão & Vinho

Este texto está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcialmente ou na íntegra, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

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5 Comentários
  1. Welbert Yuri permalink
    8 de março de 2010 8:28

    Hugao, meu irmao vc falou tudo cara, to cansado de ver pessoas criticando Silas mala por causa deste debate, a galera tao olhando o fato de ser um cara como o ( silas) e esquecendo o que esta em jogo nesta lei, e eu acho importante deixar claro qual a opiniao dos evangelicos no Brasil, existe coisas que sao inegociavel, existem coisas que nao devemos aceitar mesmo, e se o Senhor quiz usar um cara chato como o Silas , fazer o que, quero que ele quebre tudo mesmo se ele estiver mesmo disposto, e se Deus quiser assim, que venha uma perseguiçao sobre a igreja Brasileira, acho que é isso que falta no Brasil… Devemos respeitar os gays, mas nao aprovar este estilo de vida e ensinar nossos discipulos o que é pecado é pecado.

    Abraços

  2. 8 de março de 2010 13:27

    A Paz do Senhor Jesus Cristo ao irmão Hugo e aos demais irmãos e suas famílias!

    Reli o artigo e confesso não ter entendido a sua republicação, mas vamos lá!

    A nossa vida é pautada nas Escrituras, e para estarmos 100% certos em nossas ações é necessário conhecê-la, entendê-la e praticá-la. Mas nossas próprias correções de rumo revelam-nos claramente que não conseguimos como deveríamos, o que não significa não termos a capacidade de discernir o certo do errado.

    Eu comentei no primeiro artigo aqui publicado sobre este assunto que não consigo mais olhar sequer para o semblante do irmão Silas Malafaia, o que não significa que ele deixou de ser servo de Deus, nem que suas palavras sobre este ou aquele assunto não seriam verdadeiras, mas que eu não consigo mais olhar para ele. Nos diz um velho ditado popular: “Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa!” A forma como o irmão Silas pregava era impactante, pois ele não somente falava, mas interpretava a sua fala como um artista em um palco que da vida ao texto diante de uma platéia. Mas acontece que nem só de pão viverá o homem. Todos nós precisamos de vez em quando de uma “carga extra”, um incentivo, e tal normalmente não vem com palavras suaves e calmas, imagine, por exemplo, o nosso Senhor Jesus entrando no templo e vendo aos vendedores no átrio e pedindo educadamente com palavras tranqüilas que saíssem todos, pois a casa de Deus deveria ser um local de oração e não comércio. Mas o que nos diz o texto:

    “E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; e disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.” (Mateus 21:12,13). Mas vejam que nem sempre Jesus agiu assim, pois a regra é: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.” (Mateus 11:29). Mansidão, podemos dizer que esta é a característica constante na vida do irmão Silas, claro que não! Quanto mais aprendemos nas escrituras mais discernimento temos do certo e do errado.

    Para entender melhor o que estou dizendo, ouça esta mensagem, espero que você tenha uma caixa de som razoável, pois com uma caixa “tupiniquim” não vai dar para sentir o trabalho do que o produziu, e conseqüentemente também não me entenderá:

    http://www.youtube.com/watch_popup?v=5sPXz57lHeY

    Esta é ou não é uma mensagem impactante? Eu vibro e choro envergonhado quando a ouço, pois sei o que eu poderia ser e não sou, mas não posso passar minha vida escutando somente mensagens deste tipo, e nem o pastor deve pregar sempre assim, pois isso, aos ouvidos dos que tem discernimento, soará em pouco tempo como um erro manipulativo, ainda que não intencional.

    A IURD, por exemplo, tem que inventar uma “novidade” a cada culto, pois são as novidades, sejam elas certas ou erradas, que “prendem” os seus membros nessa denominação, e não somente a fé na Palavra de Deus. Jesus disse a um nobre: “Se não virdes sinais e milagres, não crereis.” (João 4:48). O que estou dizendo? Que o povo (a igreja) é destruída por lhe faltar o conhecimento, pois a maioria dos que tem o conhecimento o estão retendo para proveito próprio, manipulando os incautos, os humildes e os simples. E isto não é novo, já aconteceu no passado, o livro do profeta Jeremias que o diga! Estou julgando? Não! Estou relatando fatos dos quais temos pleno conhecimento.

    “Fazer cortesia com chapéu alheio é fácil.” Esse também é um velho ditado popular que infelizmente está sendo realizado por muitos evangélicos em nossos dias. A te eu, confesso, quase cai nessa esparrela quando recebi ajuda de vários irmãos quando precisei. Assim como os políticos fazem com os impostos, muitos líderes evangélicos estão se engrandecendo as custas das ofertas a eles confiadas. Depois ficam gritando na televisão que: “Eu faço isso, eu faço aquilo a X anos, Deus tem abençoado esse ministério.” Há até alguns que dizem em alto e bom tom: “Eu não preciso dos dízimos e ofertas das igrejas, pois tenho minha venda de CDs, DVDs e livros.” Só tem um pequenino detalhe, os CDs, DVDs e livros que eles vendem não são seculares, mas são materiais evangélicos comprados por evangélicos, e eles se utilizam de seus programas para divulgá-los, programas esses mantidos não por seu próprio bolso, pois não podem, mas pelas ofertas. Porque pensam esses que todos somos cegos? Tem muita gente vivendo do evangelho em nossos dias, mas poucos investindo no evangelho. A falta de humildade é gritante no meio desses, mas a arrogância é maior!

    Seu irmão na fé e na esperança em Jesus Cristo: André M. dos Santos

  3. HÉLIO DE DEUS permalink
    5 de abril de 2011 0:42

    Hugo sou Católico e estou cona a PL 122, caso ela seja aprovada será a nova ditadura; A DITADURA GEYZISTA, pois se nosso esta é laico ele deixará de ser, pois haverá perseguição contra os religiosos que ao menos citar o nome família com o tom de mulher e homem e não homossexual, me perdoe, mas isso é um absurdo, na minha opinião deveriam dar as mãos os católicos, os evangélicos, os espiritas e outras seitas contra essa “futura extinção da família”,
    Não podemos deixar que depois de anos de mordaça da ditadura miliar, agora nos empurrem na goela essa NEODITADURA DOS GAYS.
    Olha adorei seu texto, você esta de parabéns pelo bom senso e objetividade no assunto.
    NOTA 10.

  4. Gisela permalink
    1 de novembro de 2011 10:53

    Olá sou estudante de direito e sou transexual,

    Bom, não devemos confundir homofobia com liberdade de expressão, muito antes de existir a homofobia generalizadam, existe a constituição dos direitos humanos.
    Os homossexuais são discriminados e assassinados a todo o instante, muitas vezes não há divulgação de tais casos.
    A homossexualidade é a minoria, assim como os protestantes(a religião católica não se enquadra na minoria), e nem por isso devemos apedrejar o evangélico, pois ele está agindo dentro do estatuto de direitos humanos, ele não está prejudicando outras pessoas, assim como o homossexual, que por sua vez não está prejudicando os demais.
    Peço aos senhores participantes desse debate, não confundir a lei espiritual “na qual os senhores acreditam” com a legislação.
    Todos tem direitos e deveres na sociedade.
    Se formos levar a biblia como base para leis teremos algo em torno dos seguintes argumentos:
    AOS CATÓLICOS: Não adorar imagens…, (Isaías 42.8)
    AOS ESPÍRITAS: Idem aos católicos
    AOS EVANGÉLICOS: Não julgues… (Mateus, VII: 1-2)
    AOS HOMOSSEXUAIS:Nem os sodomitas… (I Coríntios 6:9-10)

    Enfim, como os senhores podem conferir, a legislação não deve ser confundida com as leis biblicas e muito menos aplicada como os senhores desejam que seja, porque se forem aplicadas dessa forma, estaria ferindo de forma grotesca e erronia toda uma base que ampara TODO SER HUMANO, e não somente os homossexuais.
    O direito de um ser humanos termina quando o do outro começa!

  5. 3 de novembro de 2011 20:54

    Vou citar a sua ultima linha:

    “O direito de um ser humanos termina quando o do outro começa!”

    Não estamos falando de impor nossas crenças aos homossexuais. O Estado e Laico. Entretanto, defendemos a liberdade de expressão para dizer tudo aquilo que pensamos e cremos. Assim, do mesmo modo que os cristãos não podem impor suas crencas a quem quer que seja, uma minoria barulhenta tampouco pode censurar os cristãos por pregarem aquilo que acreditam. Você, como estudante de direito, deve entender o que estou dizendo.

    Portanto, liberdade, sim, mas para TODOS!

Comentários encerrados.

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