Skip to content

O fenômeno Catélico-Evangólico

3 de março de 2010

@Anônimo: Hugo, o que você acha que vai acontecer daqui há alguns anos entre os católicos e os protestantes? Você acha que as coisas estão encaminhando para a unidade? Temos visto alguns evangélicos influentes mudarem de visão (Francis Beckwith). O que vc pe[nsa?]

Para entendermos este fenômeno, necessitamos analisar o contexto em que ele ocorre. No Brasil, a união entre católicos e evangélicos se dá predominantemente em torno do movimento carismático. Nos EUA, o elemento comum que os une é a militância política em questões morais como o aborto e o casamento gay. Já em certas partes do México, como a presença evangélica ainda é insignificante, os curas ainda se portam como coroneis medievais, que mandam prender, discriminar e perseguir os evangélicos, se necessário. Portanto, esta unidade é relativa ao contexto, e depende dos interesses do catolicismo em uma região em particular. É bom que esclareçamos isso, porque tenho visto alguns brasileiros escreverem ingenuamente sobre esta questão, sem o devido conhecimento daquilo que acontece fora do contexto brasileiro.

No caso de Beckwith, para mim ele sempre foi um católico enrustido, somente saiu do armário em 2007. Sempre favoreceu a visão católica de Igreja-Estado e já teve problemas por suas visões radicais (para mim medievais) contra o Estado Laico. Mas ele é um exemplo da razão pela qual o catolicismo se torna atraente para muitos protestantes americanos: a militância política nas questões morais acima citadas. Enquanto muitos evangélicos americanos são tolerantes com relação ao casamento gay e ao aborto (como no caso de Obama e a maioria do Partido Democrata), os católicos unanimemente tomam uma postura mais conservadora pro-family & pro-choice, a ponto de alguns medalhões evangélicos conservadores aqui nos EUA endossarem o catolicismo, nas entrelinhas, como mais uma “denominação irmã.” Para entender melhor este fenômeno, basta ler o blog do Julio Severo, que é evangélico, mas boa parte dos artigos que publica em seu blog é da Notícias Pró-Família (uma tradução da LifeSiteNews), um sítio católico romano que milita nestas questões.

Os dons carismáticos fazem parte de qualquer igreja saudável, a militância política/social é um direito de todo indivíduo e até mesmo o bom moralismo, aquele não contaminado pelo legalismo, é algo positivo. Todas estas coisas são boas na essência, mas, no tocante à Igreja, à Comunidade Divina, qualquer unidade que não seja fundamentada na Pessoa de Cristo certamente se deterioriará e não permanecerá. No Brasil, católicos e evangélicos carismáticos se unem em torno do Espírito Santo e seus dons, mas o papel do Espírito Santo é exaltar a Pessoa de Cristo, e não tornar-se o objeto de nossa atenção em si mesmo. Nos EUA, católicos e protestantes se unem em torno do moralismo, mas alianças políticas tendem a se deteriorar em pactos profanos que favoreça o poder político de esta ou aquela instituição em particular. Assim, os dons carismáticos ou o moralismo não devem ser o elemento comum de nossa união. Muitos podem alegar que ao unir-se em torno de certas coisas como o moralismo, dons carismáticos ou obras sociais, já estão se reunindo em torno da Pessoa de Cristo. Mas estes claramente confundem a Árvore da Vida com seus frutos.

Não creio em uma unidade bíblica no plano institucional. Já escrevi anteriormente que a unidade na Igreja, ao meu ver, será semelhante a várias árvores plantadas em um bosque. À primeira vista, (no âmbito institucional), estarão separadas, mas onde o olho não vê, sob a terra, estarão unidas por algumas raízes que se entrelaçarão. Assim como nos tempos de João Batista, muitos cristãos sairão de suas citadelas para se alimentarem de uma palavra profética fresca, proclamada fora do arraial (quem lê, entenda). Eles serão oriundos de várias vertentes institucionais, e não necessariamente abrirão mão de suas respectivas afiliações religiosas, mas  se entrelaçarão com outros cristãos de maneira informal e exclusivamente em torno da Pessoa de Cristo, em uma relação de amor despretensiosa que não favoreça a uma ou outra instituição em particular – seja em poder político ou crescimento movido à carisma – mas esteja fundamentada unicamente no Ágape divino (amor sacrificial, não interesseiro). Este mover será fruto do ministério profético da reconciliação dos últimos dias, e não terá donos, rótulos ou placas.

© Pão & Vinho

Este texto está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcialmente ou na íntegra, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

Anúncios
2 Comentários
  1. 26 de março de 2012 20:35

    hugo eu queria saber com funciona batismo igreja organica

  2. 26 de março de 2012 20:36

    @mcastine: @mcastine: tenho muitas duvida

Comentários encerrados.

%d blogueiros gostam disto: