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Cada crente um ministro

24 de fevereiro de 2010

Pergunta feita no Formspring.me:

@Pedro Rocha: Você acha que cada crente, se treinado, possui a capacidade de liderar uma célula, um núcleo, etc…? liderar também não seria um dom, e com isso chocaria com o princípio do ministério orientado por dons?

CADA CRENTE UM MINISTRO na Igreja celular normalmente quer dizer que o alvo de cada crente deve ser “liderar uma célula”, o que normalmente se entende por pregar ou conduzir um estudo bíblico. Alguns preparam seu próprio estudo, outros são obrigados a facilitar o estudo da “mensagem de domingo”. Esta filosofia adotada pelos modelos de crescimento representa uma uniformização ministerial, em contraste gritante com a multiforme sabedoria de Deus. Penso que esta é uma das grandes diferenças entre a Igreja em células e a Igreja nos lares, muito embora as pessoas se confundam na terminologia. Permita-me abrir um parênteses antes de responder sua pergunta.

Os modelos de crescimento (G12, MDA e afins) trouxeram um certo renovo à Igreja denominacional pelo princípio da descentralização ministerial. Os pastores entenderam que deveriam cumprir na prática, e não somente em retórica, o que diz a Palavra de Deus:

… e o que de mim ouviste de muitas testemunhas, transmite-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros (2 Tim. 2:2).

Muitos pastores gritaram raivosamente de seus púlpitos contra os modelos de crescimento no final da década de 90 mas, mais de 10 anos depois do “boom” do movimento celular no Brasil, a poeira já abaixou e o G12, aparentemente, não é mais tão ruim assim: o Malafaia já beijou o Terra Nova, e muitos dos que outrora condenavam o movimento celular eregiram os mesmos pilares de “ganhar, consolidar, discipular e enviar” em suas Igrejas, somente mudaram a nomenclatura de algumas coisas para não se associarem ao G12.1

No tocante à multiplicação de líderes, devo reconhecer que esta foi uma mudança de paradigmas positiva trazida pelo movimento celular à Igreja institucional. Entretanto, em minha opinião, a aplicação que algumas igrejas celulares têm dado ao princípio carece de melhorias. Não quero falar de maneira generalizada aqui, porque sei que, apesar de toda esta euforia (estilo “Amway”) que permeia estes movimentos, há gente mais madura que trabalha de forma séria. Mas quero aqui ressaltar aquilo que vejo como uma falha a ser corrigida nos modelos de crescimento:

Algumas igrejas celulares são verdadeiras máquinas de xerox: todos os seus ministros saem com o mesmo formato, com as mesmas funções, ministrando da mesma forma e falando praticamente a mesma coisa.2 Esse processo robotizado não é tão diferente do da Igreja tradicional, com a diferença de que na Igreja tradicional o candidato ao ministério precisa passar por 3 ou 4 longos (e às vezes caros) anos de seminário bíblico antes que possa molhar seus pés para batizar seu primeiro convertido; enquanto isso, os gedozistas eliminam a burocracia do diploma e capacitam seus líderes através de uma maratona de programas, realizados dentro da própria Igreja, a saber: pré-encontro, encontro, pós-encontro e escola de líderes.3 A única diferença entre a Igreja tradicional e a celular neste sentido, é que a Igreja celular é uma máquina de xerox muito mais veloz do que a tradicional, devido à eliminação de burocracia religiosa.

O resultado disso, já sabemos: como os líderes todos possuem o mesmo molde, muita gente se vê obrigada a “ser líder de célula” (isto é, ensinar nos grupos caseiros) e operar fora de seu dom. Os resultados são os mais catastróficos. Em muitas igrejas celulares, não há verdadeiro discipulado, tampouco relacionamento. O que há , na verdade, é um programa a ser cumprido e mais uma camada na hierarquia piramidal a ser criada. Muitas destas igrejas são como enormes granjas que produzem suas galinhas em massa, todas com a mesma ração, todas com o mesmo tratamento. Não há espaço para a espontaneidade, nem para a expressão do dom natural de cada crente.

Em um ambiente de Igreja orgânica, forma-se discípulos. “Ganha-se, consolida-se, discipula-se e envia-se” com a diferença de que dois princípios são observados:

1) Discípulo não é como bolo, que se coloca 40 minutos no forno e já está pronto. Não há programa a ser cumprido, não há receita de bolo a ser seguida, não há tempo estabelecido para a formação de um ministro. O desenvolvimento do discípulo deve ser natural e a seu próprio tempo, fruto das juntas e medulas do Corpo bem conectadas e ajustadas, isto é, relacionamentos profundos que, além de estudos bíblicos, proporcionem ensinamentos práticos através da comunhão, da admoestação, do encorajamento e do serviço mútuos.

2) O alvo de todo discípulo deve ser se tornar um ministro (servidor) da Nova Aliança. Isso não quer dizer que todos se tornarão pregadores ou “líderes de célula”. Quer dizer que ministrarão aos demais santos de acordo com seu dom natural em um ambiente de congregação: seja doutrina, seja profecia, seja hospitalidade, seja administração. A sabedoria de Deus é multiforme, e não uniforme.

Portanto, respondendo sua pergunta: uma vez que a rigidez da Igreja celular não dá espaço para a espontaneidade, penso que é impossível que todo crente se torne um bom “lider”, porque nos moldes do G12 e afins, líder é o que ensina a Palavra e nem todos no Corpo de Cristo possuem o dom de ensino.

Em um ambiente de Igreja orgânica, líderes não são escolhidos por cumprirem um determinado programa, e sim por seu caráter, maturidade espiritual e bom testemunho. Eles não funcionam como mediadores, mas como irmãos mais velhos que não dominam o rebanho, mas aparecem na hora certa para orientar as ovelhas. Nas reuniões, há espaço para a espontaneidade do Espírito, e ministro é todo aquele que flue em seu dom espiritual e o usa para a edificação de seu irmão. Cada crente um ministro, e cada ministro com sua própria expressão.

Notas

[1] Um exemplo de como as coisas mudam: um pastor brasileiro, conhecido em São Paulo, foi um dos maiores opositores do G12 em sua cidade, e levou até mesmo o Silas Malafaia para pregar em sua igreja contra o movimento. No ano de 2006, estive em um estado da região dos EUA conhecida como New England e lá visitei uma comunidade evangélica de brasileiros. Para minha surpresa fiquei sabendo que, uma semana antes de minha passagem por lá, este pastor havia não somente pregado na Igreja (que é G12), mas havia também participado de um Encontro.
[2] 7 em cada 10 palavras pronunciadas entre os gedozistas é “VISÃO”.
[3] Algumas igrejas celulares permitem que seus líderes batizem seus próprios discípulos. Outras, delegam esta tarefa ao pastor principal, dependendo do estatuto da denominação.


© Pão & Vinho

Este texto está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcialmente ou na íntegra, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

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13 Comentários
  1. 24 de fevereiro de 2010 9:42

    Excelente artigo. Publiquei em blog com os devidos créditos. Penso que é isto mesmo: a igreja em células impede o fluir natural dos dons, através da padronização do ministério.
    Se a Igreja Orgânica crescer e se fortaleer, será uma libertação para muitos ministros decepcionados.

  2. 24 de fevereiro de 2010 14:41

    Olá Hugo, obrigado pela resposta, o texto foi muito perspicaz e enriquecedor. De fato, a multiplicação de líderes, no método Xerox, é um problema de tais modelos, sem generalizar. Mas permita-me discordar sobre os seminários das igrejas tradicionais. A meu ver, estas instituições não sofrem deste mesmo problema, haja vista que as pessoas que procuram os seminários, geralmente já apresentam um chamado específico para o ensino, o que não ocorre nas células, onde cada crente é treinado para um dia liderar uma célula.

  3. 24 de fevereiro de 2010 16:46

    Que a verdadeira Paz, que só pode vir de Jesus Cristo, seja com todos os irmãos, suas famílias e igrejas!

    Ao ouvir as palavras “pré-encontro, encontro e pós-encontro”, no artigo acima, me “tiram do sério”, pois estas fazem parte, quase que obrigatoriamente, do movimento G12, que por sua vez inclui o crescimento da igreja em células.

    Eu tive o desprazer de passar por uma igreja que se utiliza destes meios para o “crescimento” do reino de Deus, os quais geraram os dois artigos abaixo sobre o tal “encontro com Deus”.

    http://www.bjcv.blog.br/htm/web_noticias_74.htm

    http://www.bjcv.blog.br/htm/web_noticias_78.htm

    Não creio em nenhuma forma de evangelização que venha a “substituir” o simples “Ide e pregai o Evangelho a toda criatura”. Como foi dito no artigo “A ABSOLUTA IMPORTÂNCIA DO MOTIVO”:

    “A prova pela qual toda conduta será finalmente julgada é o motivo. Como a água não pode subir mais alto do que o nível, assim a qualidade moral de um ato nunca pode ser mais elevada do que o motivo que a inspira.”

    É a velha historia de que “os fins não justificam os meios”. Só que no caso do G12 e seus derivados, “parece” que o motivo justificaria os meios, parece, apenas parece. O “problema” dos derivados do G12, como a igreja em células, é que os efeitos “colaterais” só se revelam meses ou amos após a sua implantação nas igrejas. O que aparece de imediato como “confirmação” da aprovação de Deus nesta forma de “evangelização”, é o aparente resultado numérico “positivo” do “crescimento” em células. Nós temos uma tendência “natural” em procurarmos fórmulas “mágicas” para cumprirmos o ide de Jesus. O problema é que as fórmulas se tornaram o próprio motivo em si na vida dos seus idealizadores e defensores, e não mais simplesmente o ide de Cristo em suas vidas. A Internet, por exemplo, é, sem sombra de dúvidas, o maior veículo de comunicação global já disponível em todos os tempos nas mãos de qualquer evangélico que tenha um PC em sua casa conectado a rede mundial. Mas nem por isso vamos transformá-la em regra absoluta e a única forma que deve ser adotada pelas igrejas na evangelização. O problema surge quando veneramos a fórmula, mesmo após descobrirmos erros na sua execução. Os motivos podem até serem bons e sinceros, e os resultados aparentes muito promissores, mas se há uma falha comprometedora na sua execução, deve ser corrigida e não encoberta.

    O batismo por aspersão é outro bom exemplo nessa questão. Segundo o Evangelista Francisco (o testemunho dele está no “meu” site na seção Web Vídeos), ele foi pesquisar o porquê a igreja católica Romana batiza hoje por aspersão, e ele descobriu um pequeno livreto de uma freira que explicou que em uma determinada época haviam muitas pessoas para serem batizadas, então alguém teve a “brilhante” idéia de, por falta de tempo e espaço físico, batizar por aspersão. Mas o caso é que a exceção (batizar por aspersão) tornou-se a regra, ignorando até mesmo o motivo temporal que a gerou (batizar todas aquelas pessoas).

    Como podemos perceber no exemplo acima, tanto o motivo temporal (falta de tempo e espaço físico) como o fim (batizar todas aquelas pessoas) eram bons, mas o meio utilizado (a aspersão) tornou-se um problema, e a esse problema chamamos de DESVIO DOUTRINÁRIO.

    A razão de ocorrerem os desvios doutrinários são essencialmente três:

    1ª- A falta de visão espiritual da liderança em relação às conseqüências a médio e longo prazo causado pelas mudanças contrárias as Escrituras.

    2ª- A corrupção da igreja pelas idéias do mundo.

    3ª- A presença do joio no meio da igreja.

    É interessante que eu não vejo a maioria das igrejas preocupadas com o ide e sim com o vinde. Não sou contra a forma de evangelização que toma por base ilustrativa a multiplicação celular do nosso corpo, mas sou contra os trabalhos celulares inspirados no G12, pois a tática de dividir para conquistar é do diabo, é assim que ele está enfraquecendo mais ainda as igrejas já fracas pela apostasia profetizada. “Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá.” (Mateus 12:25).

    A obra do nosso Senhor é muito simples e está ao alcance de todos o fazerem: viver e pregar as Escrituras. Os meios pelos quais faremos isso (a pregação), fora a nossa própria boca, são apenas acessórios, e são secundários. Mas se os acessórios estão prejudicando a obra, esses devem ser substituídos ou removidos.

    Bem, é isso!

    André M. dos Santos

  4. Hugo permalink*
    25 de fevereiro de 2010 0:22

    @Pedro Rocha:

    Eu entendo seu ponto de vista e o respeito. Mas você já pensou que talvez nem todos os que vão a um seminário tem um chamado para ser mestre? Pessoalmente, já vi casos de vários homens e mulheres que não possuem o dom de ensino, mas que precisam necessariamente passar pelo seminário bíblico para serem “validados” no ministério. Em outras palavras, se você não tiver boa homilética a habilidade de preparar estudos bíblicos, tampouco é reconhecido como líder na Igreja tradicional. Por isso penso que, de certa forma, a uniformização ministerial também está lá.

  5. 25 de fevereiro de 2010 12:27

    Prezado Hugo Graça e Paz.

    Muito bom este artigo, que Deus continue a te abençoar neste trabalho.

    Para muitos é complicado entender, sobre dons e talentos. Dom não se aprende, não se estuda, não se transmite, se não, não seria dom. Podemos até aprender alguma técnica como ser um líder, ter uma boa oratória. Mas o Dom “bíblico” recebido de cima este é único não se copia nem se transfere, nem existe macete para recebe-lo. Sobre crescimento, creio que este modelo G12 deu certo e está dando certo, independente de quem concorda ou discorda” do modelo. Modelo similar é usado na China, onde os cristãos perseguidos não tem outra alternativa, a não ser o modelo do culto domestico e criando seus próprios líderes e treinando outros, pois lá não pode ir ao seminário aprender a interpretar as escrituras ou fazer algum sermão. Basta ver o que tem acontecido por lá, o Governo Chines se preocupa bastante com este crescimento e tem perseguido fortemente estes “líderes”. Ontem eu participei em minha igreja do culto de oração normal com acontece em qualquer Igreja Evangélica. Não só eu mas a maioria dos irmãos presente ficaram incomodados com um determinado “pastor” membro da nossa igreja ministrando a palavra. Era de (doer), o despreparo para tal tarefa, o gaguejo, a olhadinha fixa na cola sobre o púlpito, mesmo assim não funcionou. Eu pergunto, neste caso o que ele aprendeu em um seminário foi suficiente, se não tem o Dom? Conheço outro irmão que nem o ensino fundamental possui, mas quando ele abre a boca, algo acontece, olha nem precisa de cola, fala apenas o que o Espirito Santo ministra a ele. Qual a diferença entre os dois? Um possui a Teologia e várias faculdades, outro apenas a graça de Deus e o ide. Não sou contra o estudo, eu creio que temos que buscar cada vez mais conhecimento, para não falar bobagem no púlpito. Discordo plenamente quando Você cita sobre Malafaia ter Beijado o Criador deste movimento, uma coisa é você discordar das heresias que por lá se infiltra, outra é você apoiar o modelo que o G12 usa para o crescimento. Jamais o PR, Silas concordaria com algumas praticas adquirida e infiltrada neste movimento. Isto ele deixou bem claro em um DVD que ele mesmo vende até hoje, contando toda a historia deste movimento. O PR, Malafaia continua batendo sem dó nas heresias por lá infiltradas. O beijar nos dar uma idéia que ele tenha abraçado o movimento. Tenho freqüentado a Assembleia de Deus na Penha no Rio de Janeiro, e por lá nem se cogita tais grupos ou células.

  6. Luciano Martins permalink
    26 de fevereiro de 2010 12:39

    Mas que beijou, beijou mesmo.

    E dá nojo de ver a politicagem no meio evangélico.

    Antes descia a ripa, depois, Mamom falou mais alto, e os berros e a posição totalmente desfavorável ao G12, deram lugar a beijimhos e tapinhas nas costas do Terra Nova.

    Qual $erá o proó$ito de$$a mudança tão drá$tica do $ilas?

  7. Hugo permalink*
    26 de fevereiro de 2010 23:36

    Oi, @Josiel Dias:

    Obrigado por sua participação.

    Acredito que o G12 serviu para despertar a Igreja tradicional quanto à necessidade de se descentralizar a Igreja na questão geográfica e na questão de quem pode e deve exercer o ministério. O G12 devolveu na prática o sacerdócio para a mão das pessoas, apesar de suas falhas, e tirou a Igreja das quatro paredes. Nestes pontos, pode-se dizer que o G12 deixou um legado válido à Igreja institucional, novamente dizendo, apesar de suas imperfeições.

    Também concordo que o ensino é uma questão de dom, e não de formação acadêmica. Ainda que certas técnicas gregas de homilética nos ajudem na exposição de nosso ponto, o dom é dado por Deus a alguns (não todos) os indivíduos para cumprir seu propósito no Corpo. Mande alguém que não tem dom de ensino ao seminário bíblico e a única diferença é que o mesmo sairá de lá com o ego inflado, e com um papelzinho na mão. Mas continuará operando fora de seu dom. E quando comparei a Igreja tradicional com a celular neste sentido é porque, nos dois tipos de Igreja, líder normalmente é o que ensina, somente. Mas a Bíblia nos ensina que Deus provê o Corpo com o ministério quíntuplo (Ef 4:11) para a edificação dos santos, e dos cinco somente um deles é o de mestre. Nem todos precisam ser profundos mestres da Palavra para liderar o rebanho (ainda que obviamente tenham que saber o essencial), desde que trabalhem em conjunto com outros dons (pessoas) que complementem o ministério local.

    Agora, uma pequena observação: o que acontece na China, na Turquia, na antiga União Soviética (atual Rússia), em Cuba e em outros países fechados ao evangelho não tem nada haver com G12. A única semelhança entre a Igreja nos lares e o G12 é o fato de ambos se reunirem nas casas. Mas assim como o fato de eu frequentar o fórum não me tornar um advogado, ou o fato de eu passar meu tempo em um hospital não me tornar um médico, o fato de o G12 reunir-se nas casas não o iguala à Igreja nos lares. O G12 trabalha com uma rígida estrutura movida à métodos, e a Igreja nos lares opera na flexibilidade dos relacionamentos pessoais. Há uma enorme diferença de filosofia de trabalho ministerial entre os dois. O texto acima relata uma delas e no futuro pretendo falar mais sobre isso.

    Quanto ao Silas Malafaia: não foi minha intenção ligá-lo ao G12, mas apenas dizer que hoje há uma tolerância maior por parte dos evangélicos ao movimento, fato comprovado no vídeo que vimos.

    Quanto às heresias do movimento: é indiscutível que o G12 é controverso. Mas devemos reconhecer que algumas coisas que os evangélicos (inclusive o Silas) rotulavam como “heresia” não se trata necessariamente de um desvio doutrinário; são somente uma afronta à tradição e ao conservadorismo evangélico. Vou te dar um exemplo: o Silas bateu forte no fato de algumas igrejas G12 permitirem que seus líderes de célula batizassem seus discípulos. Pergunto: esta é uma heresia? Onde está escrito na Bíblia que alguém precisa ter formação acadêmica ou ter título de pastor para batizar? Essa questão de quem pode ou não batizar é passível de discussão até mesmo dentro da Assembleia de Deus, conforme nos mostra o pastor assembleiano Altair Germano em seu blog, na série de posts chamada “Quem pode Batizar nas águas.” Citei isso somente para dar um exemplo da algumas coisas que incomodaram o Silas e que não são, necessariamente, heresias.

  8. 4 de março de 2010 13:17

    Prezado Irmão Hugo. Graça e Paz.

    Obrigado pelo esclarecimento, creio que algumas posições minhas, escrita no primeiro comentário, não havia compreendido bem quanto as questões esclarecidas em sua resposta.

    Aprendendo uns com ou outros, crescemos na Graça e no conhecimento.
    Louvo a Deus por pessos com você e tantos que Deus tem levantado nestes últimos dias.
    Mais uma vez obrigado.

    Josiel Dias
    http://josiel-dias.blogspot.com/

  9. cleu permalink
    8 de novembro de 2011 11:46

    Marcus Vinicius: Excelente artigo. Publiquei em blog com os devidos créditos. Penso que é isto mesmo: a igreja em células impede o fluir natural dos dons, através da padronização do ministério.
    Se a Igreja Orgânica crescer e se fortaleer, será uma libertação para muitos ministros decepcionados.

    CONCORDO PLENAMENTE, ESSE MODELO VEM SO A DIVIDIR AS IGREJAS!!!

  10. Andrias Silva permalink
    9 de novembro de 2011 14:50

    Não quanto ao texto, que é ótimo, mas quanto ao vídeo sobre o Silas Malafaia e o Renê Terra Nova; acho inconsistente algumas afirmações, e diria até, difamatórias. No vídeo o autor descreve que “Silas descobriu que o movimento g12 cresce e ganha muitos adeptos”, sendo este o motivo para agora “se aliar” ao Renê Terra Nova, afim de ganhar dinheiro. Há muito que o Silas e qualquer um sabe que o g12 cresce e está ganhando muitos adeptos.
    Mesmo sem de forma alguma querer defender o Silas Malafaia quanto as suas atitudes, nem concordar com as direções do movimento g12, a postura que o autor do vídeo faz é completamente contrária ao que nos ensina Deus. Temos que a intenção é abrir os olhos dos cegos, que são enredados por falsos ensinos, mas não acho que nossa arma deva ser a calúnia baseada apenas em especulações (até porque a afirmação dele não é baseada em prova nenhuma, mas no que ele acha. Coloca algumas evidências e depois de o ter denegrido ainda mais a sua moral, pede para os outros que assitiram o vídeo tirarem conclusões, como se ele tivesse colocado o tema de forma parcial.).
    Em uma das ótimas citações aqui do site pão e vinho uma diz que “A graça humilha sem denegrir e exalta sem ensoberbecer.” de Charles Hodge. Se Deus age assim conosco não é razoável que devamos agir assim também com o nosso próximo, por pior que ele seja? Paulo disse que “nossas armas são poderosas em Deus para anular sofismas”, e oq ue fazemos? Não nos utilizamos dessas armas, mas de práticas que são condenáveis até para o mundo. Repito mais uma vez que não estou aqui para defender o movimento dos g12 e muito menos a teologia do pastor Silas Malafaia, tenho visto que minha opinião quanto aos dois é a mesma dos artigos do pão e vinho, mas não devemos presumir que os erros esdrúxulos dos outros justificam atitudes igualmente esdrúxulas.

  11. Andrias Silva permalink
    9 de novembro de 2011 14:54

    Errata: No terceiro parágrafo, quando escrevo “Temos que a intenção…”, na verdade é: “É claro que a intenção…”

    Paz

  12. Elton Lopes da Costa permalink
    8 de agosto de 2012 16:27

    Querido irmão:

    Li seu comentário, vi ponderações importantes sobre o modelo G12 e como adotei no passado o G12 no meu ministério, concordo em parte com o irmão. Hoje estou no MDA, que possui características bem diferentes do G12. Porém você coloca como afins. Um erro grande. Estude este modelo e entenderá. O G12 da colômbia é uma benção, o problema são as “interpretações brasileiras” de como colocar em prática. Concordo que não podemos padronizar nada, pois o Espírito Santo é livre para distribuir dons. E não fere os princípios do modelo que atualmente adotei. O problema na minha opinião é que a igreja Brasileira é imatura, e tentaram mudar paradigmas muito rápido, causando esta confusão.
    Em Cristo:
    Pr. Elton

  13. 8 de agosto de 2012 22:15

    @Elton Lopes da Costa:
    Em primeiro lugar, muito obrigado por sua visita e seu comentario. Em segundo lugar, desculpe a fata de pontuacao, pois estou escrevendo de um computador ” gringo” . 🙂

    Eu estava no Brasil no final da decada de 90 quando o G12 estourou, e portanto estou consciente dos abusos e modificacoes ao modelo original do Bogota. Mas depois disso, trabalhei como missionario e pude ver o G12 implementado em outras culturas hispanicas. Tambem conheci de perto um dos 12 de Castellanos, aqui nos EUA, e por isso penso que os problemas apontados acima nao estao restritos a uma cultura em particular, seja brasileira ou colombiana, mas se trata de um problema sistemico. Basta ver como a rede do proprio Castellano quebrou, e como os seus proprios 12 foram se afastando, por causa de um controle excessivo sobre a vida e o ministerio daqueles que o acompanhavam.

    Nao tenho duvidas de que o modelo celular e um grande avanco com relacao ao modelo tradicional, mas procuro me colocar em um patamar neutro para enxergar nao somente as vantagens mas tambem as falhas deste modelo. Penso que falta expontaneidade carismatica, porque tudo e programado, cronometrado e sistematizado.

    Nunca estive em Santarem, mas tenho pastores amigos pastores que adotaram o MDA. Obviamente ha diferencas e adaptacoes de modelo para modelo, mas minha observacao e que os problemas relatados acima sao comuns a qualquer modelo celular, que e o da multiplicacao ministerial ” cronometrada e uniformizada.” Mas este espaco esta aberto para que vc possa esclarecer as diferencas entre um modelo e outro, e como o MDA se propoe a resolver este problema.

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