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Driscoll versus Barna & Viola

21 de fevereiro de 2010

Algumas semanas atrás, um excelente artigo foi publicado na SOLOMON sob o título “John Piper também erra”, dizendo que Piper, apesar de condenar os modismos evangélicos e clamar pela restauração do evangelho puro e simples, adota costumes e liturgias que não necessariamente refletem a prática dos primeiros cristãos. O autor acertadamente diz que:

Todas as igrejas, com raríssimas excessões, incorporam o modelo de escola grega, utilizando do púlpito, das cadeiras e dos mecanismos acústicos adequados a uma exposição unilateral. A grande pergunta então é: foi Jesus que estabeleceu este modelo?

Alguns dias antes deste artigo ser publicado, alguém me perguntou no Formspring se eu entendia que pastores como John Piper e Mark Driscoll contribuíam com o movimento de reforma da Igreja. Minha resposta foi a de que entendia que Piper e Driscoll sem dúvida representam “um refrigério do Senhor sobre a Igreja institucional. Talvez uma restauração da mensagem evangélica frente aos liberais, sim. Mas no tocante à Igreja como um todo, em minha opinião pessoal, a restauração vai alguns passos mais adiante.”

Mark Driscoll

Mark Driscoll

Esta semana, minhas impressões a respeito de Mark Driscoll se confirmaram. Driscoll publicou uma crítica totalmente desfavorável ao livro Cristianismo Pagão (CP), de Frank Viola e George Barna.  Por acompanhar sua trajetória, não fiquei surpreso com sua posição. Mas a parcialidade de sua crítica é gritante do começo ao fim.

A maneira mais eficiente de se refutar as afirmações de CP é colocar em dúvida a integridade de sua pesquisa histórica.  E para isso, Driscoll empregou praticamente toda a crítica feita por Ben Witherington, Professor de Novo Testamento na Asbury Theological Seminary, em Wilmore, Kentucky (EUA). Driscoll parece ignorar que todos os argumentos levantados por Witherington já foram eficientemente refutados pelo também doutor Jon Zens em março de 2009. A propósito, Zens é um dos nomes em uma lista de pessoas que endossaram CP, entre eles outros acadêmicos, incluindo Howard Snyder (autor de Vinho Novo, Odres Novos), que curiosamente é Professor de História no mesmo seminário em que leciona Witherington.

O que mais me admira, é que pessoas inteligentes como Mark Driscoll e sua equipe possam dizer que as alegações de CP contra a Igreja institucional são “radicais e perversivas”, como se fosse um ultraje afirmar que a Igreja sofreu influencias pagãs no decorrer de 1500 anos. Já vi blogueiros brasileiros dizerem o mesmo sobre CP, pecando, entretanto, pela superficialidade ao não demonstrarem a devida competência para refutar as fontes históricas usadas na obra. Qualquer pessoa que conhece um pouco de História da Igreja sabe que o institucionalismo foi produto de uma “evolução” (atenção às aspas)  que se desenvolveu na Igreja com o passar dos séculos,1 e que este processo foi marcado por influências pagãs. Onde está, então, o disparate?

Aliviar a consciência dos desinformados, colocando em dúvida a integridade de outros eruditos cujas pesquisas compõem as fontes históricas de CP, é fácil. O difícil é justificar o contraste gritante entre a simplicidade e a agilidade da Igreja Primitiva versus a pompa e a burocracia características da Igreja contemporânea. Se estivéssemos falando do catolicismo romano, todos unanimemente concordariam que a Igreja sofreu influencias do paganismo. Mas ironicamente, Driscoll, Witherington e outros parecem crer que estas influencias, em um passe de mágica, simplesmente evaporaram após a Reforma Protestante. Em outras palavras, os protestantes estão dispostos a admitir que o paganismo se infiltrou na Igreja ao longo de mais um milênio, mas se recusam terminantemente a reconhecer qualquer parte desta herança após o cisma da Reforma – como se as influencias pagãs na igreja estivessem restritas somente aos elementos doutrinários corrigidos na Reforma Protestante, e sob possibilidade nenhuma tivessem influenciado a eclesiologia, o governo da Igreja e até mesmo a maneira como a mensagem é pregada. Se até mesmo nos dias de hoje este processo de mutação continua a ser observado, não posso concluir outra coisa além de o fato de que estes irmãos estão tentando tapar a luz do sol, uns com a peneira e outros com seu diploma de PhD.

Segundo a crítica:

O pior de todos os aspectos do livro é a suposição de que a igreja institucional é o grande inimigo da igreja. O institucionalismo não é o inimigo da igreja. O maior problema das igrejas, sejam institucionais ou orgânicas, é tratar qualquer coisa além de Satanás, do pecado e da morte como os grandes inimigos da igreja. Isso resulta na minimização do Evangelho. Jesus não veio para libertar a humanidade das algemas das instituições, mas de Satanás, do pecado e da morte. Este livro foi criado em torno da questão secundária da prática e do governo na igreja, em vez da questão central da tarefa da igreja, que é a proclamação do Evangelho. Sem dúvida, deve haver críticas sobre como a igreja “faz igreja”, mas muito da crítica que Cristianismo Pagão faz da igreja contemporânea é fundamentado em questões secundárias que são, na melhor das hipóteses, passíveis de debate (tanto historica como biblicamente), e totalmente falhas e falsas na pior delas. Não se enganem: a igreja precisa de uma revolução e de uma reforma, mas não do tipo que os autores estão conclamando. A igreja precisa desesperadamente de uma revolução completa do Evangelho e da centralidade de Deus.

Em primeiro lugar, esta é uma afirmação que pode até soar bonitinha, mas dizer que não podemos considerar nada além de Satanás, do pecado e da morte como inimigos da Igreja é algo ingenuamente simplista (crer nisso sim, seria uma minimização do Evangelho). Há outros fatores que minam a expansão do Reino de Deus na terra e que o autor desta afirmação não levou em consideração: Jesus, por exemplo, condenou veementemente o legalismo, a tradição dos anciãos e os mandamentos de homens (Mc 7). O institucionalismo pode não ser sinônimo de apostasia, como o liberalismo teológico, mas certamente representa um estorvo à simplicidade do Evangelho. Em segundo lugar, o fato de a eclesiologia ser uma questão secundária em relação ao pecado e à heresia, por exemplo, não elimina a importância de sua discussão. Terceiro, reconhece-se a necessidade urgente de “uma reforma completa do Evangelho e da centralidade de Deus”, mas se nega a reconhecer a contribuição de Viola e Barna neste aspecto. Sou um daqueles que pensam que a mudança de eclesiologia, somente, não representa a solução de nossos problemas. Mas, sem dúvida, é parte do processo eliminar todos os ornamentos e balangandãs desnecessários que foram sendo pendurados ao longo de milênios nesta enorme árvore de natal em que se tornou a Igreja. Não nego as tremendas qualidades de Driscoll e sua boa contribuição ao Corpo de Cristo, mas penso que, assim como alguns outros que falam de “reforma”, ele é apenas mais um conservador transvestido de profeta pós-moderno. No final, tudo o que estes “reformadores” fazem é colocar um vestido de seda diferente na mesma macaca de sempre.

Ao concluir sua crítica, o autor alega que Viola e Barna se portam como os donos da verdade (the authors are so sure of themselves), mas ironicamente recheia sua análise com as opiniões de um erudito (Witherington) que diz acerca de si mesmo: “Quando digo que o livro (CP) apresenta uma pesquisa deficiente da história da Igreja, não estou brincando, e estou em posição de saber” (como quem diz, “eu mais do que ninguém posso afirmar isso“). Ao que parece, Witherington, que inspirou Driscoll, também parece estar bem “sure of himself” quando emite sua opinião, como se ela representasse unanimidade no meio acadêmico. Por ele mesmo ser polêmico, Driscoll mais do que ninguém deveria saber que ninguém pode ser criticado pelo fato de ter uma opinião.

Continuarei a respeitar o Driscoll e a edificar-me com seus ensinos mas, no aspecto eclesiológico, continuo pensando que ele representa somente um remendo novo no velho odre institucional da Idade Média, apesar de toda sua roupagem pós-moderna.

Notas

[1] Recomendo a leitura do livro Raízes Em uma Terra Seca, de Charles P. Schmitt (Editora Atos), uma das melhores obras sobre história da Igreja que já li. Schmitt descreve com detalhes o gradual processo de “evolução” da Igreja ao institucionalismo.


© Pão & Vinho

Este texto está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcialmente ou na íntegra, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

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22 Comentários
  1. 21 de fevereiro de 2010 11:09

    Bom dia Hugo!
    Que bom encontrar essa postagem aqui. O assunto merece a discussão.
    Melhor ainda seria se tivéssemos as revisões de Witherington e de Zens em português!

  2. 21 de fevereiro de 2010 12:48

    Hugo,
    Bem equilibrado os seus pontos. Já – pessoalmente – saindo do ‘balanço’, creio que há um desespero no ar pela possível ruptura com a instituição, daí o esforço em defender o indefensável. Confundem a Noiva com as suas vestes. Querem preservar as coisas dos homens e da aparência, mesmo que isso signifique sufocar a própria Amada de Cristo.

    Uma coisa é questionar os detalhes da argumentação de CP e outra é querer matar o mensageiro só porque ele não traz boas novas. O maior inimigo de Cristo, de acordo com Paulo, sou eu mesmo – o miserável homem que sou. Colocar a ênfase nos inimigos externos é caminho certo para abraçar o distanciamento de Deus.

    Toda e qualquer ênfase para um cristianismo mais puro e mais bem vivido é rechaçado por setores conservadores que querem manter a instituição acima de Cristo. E assim o sequestram e O mantém longe dos que foram salvos por Ele.

    Um dos pontos de esperança é que a WEB 2.0 e os nativos digitais vieram derrubar as instituições como conhecemos, e depender mais de comunidade e pares. Esperemos a revolução do Alto.

  3. 21 de fevereiro de 2010 14:58

    Não li o CP, mas sou contra o anti-institucionalismo crescente (e isso é altamente pós-moderno com grande influência do secularismo). É ridículo pensar em viver Jesus sem congregar.

    Sou fã do Mark Driscoll, e sei q ele tb erra, chegou uma vez ao ponto de dizer pro povo não ler “A Cabana”.

    Já li outras críticas ao CP além das vindas do Driscoll. E concordo com o Daniel, o bom seria ter Witherington e Zens em português…

    abraços,
    Fique na Graça!

  4. Hugo permalink*
    21 de fevereiro de 2010 19:55

    Vitor, penso que você está se confundindo. Não se trata de ser contra o congregar. O congregar e o institucionalismo são duas coisas completamente distintas e independentes. Há maneiras de se congregar fora das instituições evangélicas.

  5. 21 de fevereiro de 2010 22:38

    Eu já escrevi bastante contra meu ex-guru o Frank no blog, eu acredito que ele errou o alvo mas poderia ter enxergado muito além da paganofobia protestante… eu não vejo séculos de tradição romana com olhos ruins, eu não sou mais catolicofóbico pode-se assim dizer… nem os reformadores eram… as pessoas não gostam mais de Calvino e Lutero porque ele não foi tão radical quanto eles imaginam que é o evangelho, de fato, o evangelho é muito radical para os radicais (risos). Lutero e Calvino não estavam lá para eliminar o paganismo, mas para defender a ortodoxia e a tradição de uma igreja histórica.

    Nós culpamos os cristãos dos primeiros séculos por se misturarem com a cultura local, mas eles fazem igual os cristãos “não-pagãos” de hoje que encontram Deus em Niestzche, em Saramago etc… qual o grande pecado cometido pelos “cristãos pagãos” que não esteja sendo cometido pelos seus críticos? Se os cristãos primitivos encontraram o Logos nos escritos gregos, porque não adotá-los? Se tudo que é bom e belo provém de Deus? Não estariam os gregos se aproximando cada vez mais de de Deus a ponto de terem um altar a um deus desconhecido?

    Talvez o grande mistério da religião cristã é ela no seu fundamento não ter muitas características, por isso ela se torna híbrida com todas as culturas, ao invés de se tornar uma religião cultural, local e segregária.

    Enfim, há muito, mas muito o que dizer sobre… talvez crie uma página para tratar do assunto…

  6. Hugo permalink*
    22 de fevereiro de 2010 0:20

    É algo ruim quando permitimos que alguém se torne nosso guru, ou nos tornamos fã, seja de Driscoll, Viola ou qualquer outro mestre. Em outra ocasião, já havia dito que Viola deve ser lido e contrabalanceado com outros autores.

    Concordo contigo que Jesus e seus apóstolos nunca deixaram instruções a respeito da “eclesiologia correta”. Isso porque ela é resultante da vida da Igreja Local.

    Entretanto, a estrutura se torna um problema quando negligencia certos princípios contidos na Palavra de Deus, como o exercício do sacerdócio universal e o cuidado dos pobres em nosso meio, por exemplo.

    A estrutura pode se desenvolver em um estorvo à obra do Reino, em um claro processo em que começamos enfeitar muito os andaimes e negligenciando as pedras vivas do edifício. Em outras palavras, quando priorizamos programas ao invés de relacionamentos, quando tratamos coisas como pessoas e pessoas como coisas.

    Nas palavras de Neil Cole, as estruturas devem ser como os encanamentos de uma casa, ou o esqueleto de nosso corpo: deve cumprir sua função sem estar à mostra, tão evidente. O que acontece com as estruturas de nosso tempo é que acabam consumindo demasiadamente nossos recursos, seja tempo, dinheiro ou pessoas. Como resultado, a Igreja vive somente em função de sua própria existência, e se torna ensimesmada

    E aí, a estrutura deixa de ser somente um emblema cultural para tornar-se uma pedra de tropeço.

  7. paulo bernardo permalink
    22 de fevereiro de 2010 2:01

    Só pra constar, a crítica não é do Driscoll, mas de um grupo de pesquisa de seu ministério. Mais atenção em dar nome aos bois.

    De qualquer forma, achei a crítica justa, e acredito que esse é o tipo de alegação (tanto dos autores do CP quanto de seu críticos) que você deve fazer com certeza. Então, não vejo motivo pra criticar a atitude do acadêmico citado no texto. Existe sim problema deles falarem com tanta certeza: a pesquisa histórica dos autores não é boa.

    Uma coisa é você dizer coisas da sua cabeça e dizer “eu tenho certeza disso!”, a outra é confirmar por meio da pesquisa histórica e falar “eu tenho certeza que essas alegações estão erradas”. isso não é ser cheio de si. é responder uma pesquisa histórica ruim com uma pesquisa boa.

    Até a definição de pagão do livro está errada. Se seguir a lógica dos autores, fariseus e saduceus entram na lista do paganismo (aqueles que nem se misturavam com irmãos samaritanos!): afinal, tinham templo, liturgia, traje especial, etc. Não confunda paganismo com judaísmo (os dois são ruins, mas são diferentes… o que os autores parecem não saber). Só esse início já demonstra a fraqueza do livro (mesmo que muitas críticas sejam válidas).

    um abraço

    Paulo

  8. Hugo permalink*
    22 de fevereiro de 2010 3:37

    paulo bernardo: Só pra constar, a crítica não é do Driscoll, mas de um grupo de pesquisa de seu ministério. Mais atenção em dar nome aos bois.

    A pesquisa foi realizada pelo Docent Research Group, que pertence ao ministério de Driscoll, à pedido de Driscoll. Se ele encomendou a pesquisa, publicou-a em seu blog e emprestou seu nome à opinião nela contida, não é demais entender que estes bois são da mesma raça e da mesma manada. Não há porque tentar separá-los.

    paulo bernardo: De qualquer forma, achei a crítica justa, e acredito que esse é o tipo de alegação (tanto dos autores do CP quanto de seu críticos) que você deve fazer com certeza. Então, não vejo motivo pra criticar a atitude do acadêmico citado no texto. Existe sim problema deles falarem com tanta certeza: a pesquisa histórica dos autores não é boa. Uma coisa é você dizer coisas da sua cabeça e dizer “eu tenho certeza disso!”, a outra é confirmar por meio da pesquisa histórica e falar “eu tenho certeza que essas alegações estão erradas”. isso não é ser cheio de si. é responder uma pesquisa histórica ruim com uma pesquisa boa.

    Em primeiro lugar, a expressão “so sure of themselves“, que você traduz como “cheio de si” não foi usada por mim, e sim pelo autor do texto. Eu somente empreguei a ironia para apontar a contradição de alguém que acusa um adversário ideológico de estar cheio de si, quando igualmente se utiliza da crítica de alguém que também tem suas próprias convicções bem firmes. Repetindo: ninguém deve ser acusado de estar cheio de si por ter uma opinião. Este foi meu ponto.

    A questão aqui é claramente uma postura arrogante, nas entrelinhas, de aceitar como verdade absoluta o que um acadêmico está dizendo, e desacreditar o que Viola (que é professor de filosofia de high school) afirma. Quando o acadêmico afirma com tanta certeza, o cara é capacitado, não está cheio de si e a pesquisa é necessariamente boa (porque favorece o status quo). Já o professor de high school é cheio de si e sua pesquisa é pobre. O “porém” de tudo isso é que a pesquisa de Barna & Viola está amparada por diversas fontes acadêmicas, e a obra é endossada por uma lista de outros acadêmicos, entre eles um PhD e um professor de História da Igreja que, por casualidade, leciona na mesma universidade de Witherington …

    A análise do Dr. Witherington favorece os conservadores e por isso talvez seja tida como a “pesquisa boa”. Mas outros acadêmicos têm uma opinião diferente e endossam o livro. Se a credibilidade das opiniões se estabelece pelos títulos dos debatedores, como se sugere, é bom lembrar que os dois lados dispõem de credenciais. Portanto, a questão de qual é a pesquisa boa e qual é a pesquisa má deve ser discernida e julgada por quem leu todo o livro e está acompanhando o debate, e não por mero “fã – voritismo”, como se estivéssemos discutindo a respeito de um jogo de futebol. Por isso, diante da minha falta de tempo em traduzir todo o debate, aconselho a todos os que dominam a lingua inglesa que comparem as postagens entre Zens e Witherington e que leiam CP antes de opinar.

    paulo bernardo: Até a definição de pagão do livro está errada. Se seguir a lógica dos autores, fariseus e saduceus entram na lista do paganismo (aqueles que nem se misturavam com irmãos samaritanos!): afinal, tinham templo, liturgia, traje especial, etc. Não confunda paganismo com judaísmo (os dois são ruins, mas são diferentes… o que os autores parecem não saber). Só esse início já demonstra a fraqueza do livro (mesmo que muitas críticas sejam válidas).

    Paulo, penso que você está se confundindo um pouco. Você leu o livro ou somente leu alguma crítica a respeito do livro? O ponto dos autores é justamente o de que, quando os judeus mantiam alguns destes elementos que você citou e outros além (templo, liturgia, trajes especiais, casta sacerdotal, sacrifícios, etc) eles operavam no símbolo do que se cumpriria literalmente em Cristo. Isso não tem nada haver com paganismo, foi uma questão de dispensação profética. E penso que todos nós podemos concordar que, embora estas coisas tiveram seu valor profético no passado, hoje são símbolos que, diante da manifestação da Realidade para a qual os símbolos apontavam (Cristo), se tornaram obsoletos e caducaram em importância. Quem não concorda com isso, que saia por aí sacrificando seus cabritos.

    Já, uma vez que estes símbolos foram abolidos, os cristãos gentios (que nasceram totalmente fora das instituições do judaismo) não se utilizaram de certos elementos até serem influenciados pelas religiões pagãs de seu tempo – que mantinham alguns elementos semelhantes aos da Lei (templos, casta sacerdotal, vestimentas, e outros balagandãs religiosos). E ai, justamente, entra a pesquisa histórica que você parece discordar ou ignorar.

  9. 11 de março de 2010 20:24

    iProdigo traduziu:
    http://iprodigo.com/textos/cristianismo-pagao.html

  10. Hugo permalink*
    11 de março de 2010 20:41

    Bem, resta-nos agora esperar pela tradução da refutação do Dr. Jon Zens aos argumentos de Witherington.

  11. 23 de março de 2010 16:29

    Recomendo ler também a crítica que o próprio Howard Snyder fez sobre CP (uma vez que Snyder parece ter mais “credibilidade” entre os defensores de CP, do que Witherington ou Driscoll).

  12. Hugo permalink*
    24 de março de 2010 4:47

    Sandro,

    Muito obrigado por sua visita e seu comentário.

    Li os comentários de Howard Snyder (What’s the Fuss About “Pagan Christianity”?) e, em minha opinião, a diferença entre as críticas de Witherington e Snyder a CP apresentam uma diferença abismal. É importante lembrar que Snyder é um dos eruditos que endossam o livro.

    A crítica de Snyder é construtiva, na qual ele reconhece a importância da obra apesar de discordar de algumas premissas defendidas no livro e daquilo que ele interpreta como uma postura demasiadamente radical de Viola com relação à Igreja institucional. Ele diz que desejaria que “todos os líderes, em todos os lugares, pudessem calmamente ler e refletir sobre o livro”. Já Witherington arrogantemente classifica a pesquisa de CP como pobre, a ridiculariza (comparando-a às obras de Dan Brown) e usa a palavra “mentira” (ao invés da expressão “em minha opinião isso não é assim”) em uma total falta de ética e respeito aos outros eruditos (de igual estatura acadêmica) cujas pesquisas embasam os argumentos de CP.

    Quem já leu as obras de Snyder sabe que ele apresenta uma interpretação histórica semelhante a de Viola. Portanto, Snyder não coloca em dúvida o fato de a Igreja ter adquirido certos aspectos pagãos ao longo de dois milênios de existência. Quem acompanha Snyder e Viola sabe que a diferença entre os dois é a de que Snyder concorda com Viola quanto as falhas do institucionalismo, mas pensa ser possível uma reforma dentro dos sistemas eclesiásticos estabelecidos. Já Viola diz que a igreja institucional está irremediavelmente falida.

    Na crítica, Snyder enfatiza três coisas, ao meu ver de suma importância para se compreender a essência de seus comentários: 1) Deus ainda derrama sua graça na Igreja institucional no tocante à espiritualidade, ao discipulado e vida em comunidade. 2) Institucionalismo não é sinônimo de apostasia. 3) Nem tudo o que é “pagão” é necessariamente nocivo, é apenas o resultado da contextualização da Igreja.

    Os pontos 1 e 2 de Snyder são válidos, com os quais concordo totalmente. Não posso falar por Viola neste sentido, mas o sectarismo da Igreja nos lares (da qual Viola é oriundo) foi e tem sido uma grande falha do movimento nas décadas passadas. Quanto ao 3, posso concordar que a Igreja passa por um processo de contextualização, e graças a Deus por isso (caso contrário ainda seríamos somente uma seita dentro do judaísmo). Mas devo observar que quando estes elementos estorvam ou anulam alguns princípios bíblicos que devem ser aplicados pela Igreja (como o sacerdócio de todos os crentes, a ajuda aos pobres, etc), então eles precisam ser reavaliados e até mesmo eliminados, quando necessário.

  13. Rhonda permalink
    1 de junho de 2010 1:06

    George Barna and Frank Viola responded to the arguments in this critique here: http://www.ptmin.org/answers.htm also, Viola and Leonard Sweet have just released a new book called “Jesus Manifesto”, it’s been endorsed by Matt Chandler, Steve Brown, Ed Stetzer, and many other Christian leaders.

  14. Hugo permalink*
    1 de junho de 2010 13:30

    Thx for the info, Rondha. I am glad to know that a Q&A on “Pagan Christianity?” is now available @ PTMIN.

    I had also pointed out that Dr. Witherington’s arguments had already been excellently addressed by Dr. Jon Zens. To date, there is no translation of Dr. Zen’s refutation in Portuguese though.

    Looking forward to reading “Jesus Manifesto”.

  15. Guilherme permalink
    20 de julho de 2010 20:42

    Estou acabando de ler (bem no finalzinho) Cristianismo Pagão. Por sugestão do vendedor de uma livraria de Belo Horizonte comprei também Vinho Novo, Odres Novos, de H. Snyder.

    Gostei tanto de CP que acabei de comprar no site da Abba Press 5 exemplares para presentear irmãos de minha intimidade com os quais temos procurado compartilhar sobre a Igreja de Jesus como temos buscado viver a cada dia.

  16. 21 de julho de 2010 2:19

    Este livro do Snyder foi o que me tirou os pés do chão em 1998, Guilherme.

  17. 7 de dezembro de 2011 1:21

    Estava lendo os comentários deste post e encontrei um bastante interessante, que fez eu ter aquela reação tipo ‘ãânh, não entendi nada’. Eis o comentário do Vitor Ferolla:

    “Sou fã do Mark Driscoll, e sei q ele tb erra, chegou uma vez ao ponto de dizer pro povo não ler ‘A Cabana’.”

    Mais que engraçado esse comentário, pois foi uma das vezes (e muitas na verdade) em que ele acertou!

  18. Vandim permalink
    26 de janeiro de 2012 15:48

    Li CP, e achei no livro as idéias pagãs do “maxismo cultural” = revolução ideologica contra as instituições ocidentais (estado, família e igreja) na ilusão que do caos emergirá um paraiso terreno.

  19. 26 de janeiro de 2012 16:11

    Vandim, para mim é difícil crer que lemos o mesmo livro. A verdade nua e crua incomoda, mas tudo o que vejo no livro é a descrição histórica do processo de institucionalização da Igreja. E ainda estou para ler uma crítica que desqualifique as referências citadas pelo livro.

  20. cristina permalink
    19 de março de 2012 12:49

    Hugo , comprei para nós de presente, o livro Cristianismo Pagão, estamos lendo,
    e acredito que será de grande valia para nosso pequeno grupo.
    Somos apenas 5 famílias que nos reunimos como igreja , no meu pouco conhecimento e grande vontade de saber ” A VERDADE”, busco primeiramente do Espírito a direção das leituras auxiliares para a Bíblia, Ele sim é o maior PhD , confio na direção Dele.
    Acredito que todo os homens estão expostos aos erros, mas o Espírito de Deus não, esse nos nos revela e nos conduz a luz da verdade. Assim, acredito que a leitura desse livro será para nossas famílias uma grande fonte de informações e constatações.

  21. Marcelo permalink
    20 de julho de 2012 21:19

    Li o livro.
    Embora os assuntos são abordados com uma sinceridade tamanha, o autor deixa aflorar suas insatisfações com algumas coisas que são bíblicas na igreja, mas que não são de sua concordância. Por exemplo, a questão dos pastores assalariados; qualquer leigo rebate facilmente esta alegação,…Paulo não recebia por opção sua… ele falha feio nisso ai.
    Nos demais temas, o livro é muito bom. As críticas
    Mas o que vem ocorrendo hoje é que muitos “revoltadinhos com o sistema” tem lido esse livro sem um olhar crítico, e aceitado sem pestanejar tudo ali como verdade irrefutável, cometendo o mesmo erro que dizem os “institucionalizados” cometerem.

  22. Ricardo permalink
    30 de julho de 2012 5:38

    Marcelo,
    Paulo também trabalhava fincando tendas por opção sua e ainda sim era apóstolo. Vivia viajando, sendo perseguido, e preso. Ele não se resumia a falar pra congregação 3 vezes na semana e vez por outra fazer o partir do pao. Não havia um pastor nos moldes atuais, na época de Paulo.

    Ele mesmo disse que os Corintios deveriam ser seus seguidores assim como ele era de Cristo. Se voce e seu pastor seguirem a Paulo como ele seguia a Cristo, irão caçar um serviço e trabalhar com as próprias mãos para ter seu sustento e vão fazer como Paulo que dava de graça o que de graça recebeu. Agora se voces enviarem um missionario para um lugar, dêem a ele o sustento para passar um tempo até que possa se estabelecer, mas se ele se recusar a receber oferta e já arrumar um serviço, entenda que ele faz isso por ser um cristão verdadeiro e porque não quer chupar o sangue da sua igreja. Isso é o que um cristão que segue a bíblia faz.

    Hugo,
    Li as críticas de Driscoll e sinceramente não vi nada na “pesquisa historica boa” – que um colega disse aí, que comprovasse que F. Viola estava errado. Ou seja, Driscoll fez comentarios superficiais e um pouco de ironia e desprezo. Mais nada. Nao vi um ponto sequer em que ele mostra claramente que Viola está errado, ou melhor, sua pesquisa “ruim”, é falha. Ele nao prova isso com sua pesquisa. O que eu esperava Driscoll dizer é assim: Aqui está o verso bíblico que prova que a igreja se reunia em templos, nessa outra passagem há uma prova que os apostolos fizeram campanha de arrecadação para construir templos… esse historiador mostra que a igreja se reunia em templos já no ano 99 D.C e assim por diante… Ele não fez isso!

    Ainda sim, voce viu a resposta de Viola a Driscoll? Agora veja a resposta de Frank Viola a ele:

    http://frankviola.org/2010/06/21/two-responses-jon-cardwell-mark-driscoll/

Comentários encerrados.

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