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Da amargura à ternura

17 de fevereiro de 2010

O comentário abaixo foi feito por Eugênio Morais, de Fortaleza, CE através do Formspring.me.

@Eugenio Morais: Hugo, receio a julgar por alguns blogs, o perigo de que muitos os que integram as Igrejas nos lares acabem se tornando a “Comunhão dos Desiludidos”, que se encontram p/ criticar e lamber as feridas do antigo sistema.

Eugênio, muito obrigado por esta excelente colocação. Se você me permite, vou tentar analisar os dois lados desta moeda:

Por um lado, penso que é necessario conscientizar esta geração quanto às mazelas do atual sistema religioso. Estamos passando por período de descontrução do cristianismo, característico de toda dispensação profética em que o Senhor promove certas mudanças de paradigmas na mente das pessoas. Assim, é natural que a blogosfera esteja carregada de denuncias e um certo descontentamento com relação ao denominacionalismo.

O que está acontecendo hoje em dia é comparável aos dias da Reforma. Neste tempo havia muito descontentamento no ar com relação ao romanismo. Com a invenção da imprensa, as denuncias contra o clero se espalharam por toda a Europa e foram recebidas como água no deserto pelos europeus. Este fenômeno do livre fluxo de informação surpreendeu o catolicismo romano e atou o braço de ferro da Inquisição. Penso que um processo semelhante está ocorrendo nos dias de hoje com a mídia digital. Nunca, nas gerações anteriores, houve um tempo em que a informação estivesse tão disponível como hoje. Há mais de dez anos atrás, eu me achava um marciano no planeta Terra, pois parecia que somente eu e minha esposa (na época minha noiva) víamos certas coisas na Igreja. Hoje, ao ler o que se publica na mídia digital, percebo que, se sou um marciano, pelo menos não estou sozinho. Assim, penso ser natural que a blogosfera reflita o descontentamento que há no coração das pessoas.

É impossível tomar a “pílula vermelha” e não ter aquela sensação de “marido traído”, a exemplo do que acontece com aqueles que crescem beijando o anel de algum cura ou os pés de algum boneco de gesso dentro do catolicismo, quando de repente seus olhos se abrem para a realidade das Escrituras.

Por outro lado, sua preocupação é justificável. Os mais velhos têm o dever de ajudar os mais novos a transicionar da amargura à ternura. Quando isso não acontece, os resultados são comunidades cancerosas ou a “Comunhão dos Desiludidos”, como você bem colocou. A Igreja nos lares que cumpre seu propósito deve ser um aprisco seguro às ovelhas sem pastor, com pastagens verdes e água limpa – fonte de cura e libertação. Infelizmente vemos algumas comunidades que se tornaram pântanos de ressentimento e amargura. E a amargura nos torna infrutíferos. Grupos assim podem, no máximo, reprogramar (ou re-doutrinar) a mente de seus adeptos, mas jamais expressar a Glória do Filho de Deus na terra.

Devemos nos reunir em torno do Senhor Jesus, somente, e não em torno de nossos interesses em comum, sejam obras de caridade, seja para lamber nossas feridas mutuamente. A Ekklesia é uma entidade mística cuja vida deriva da Cabeça – a partir do momento em que coletivamente buscamos conhecer as infinitas dimensões de seu amor. Quando nos reunimos por qualquer outra razão que não seja esta, a Igreja deixa de ser a Ekklesia para se tornar uma mera entidade beneficente (na melhor das hipóteses), ou um grupo de apoio ou de terapia coletiva, cheio de gente doente, estilo Alcoólicos Anônimos ou o Narcóticos Anônimos. Corra de grupos assim.

De fato, minha primeira impressão da Igreja nos lares foi a pior possível. Em 1997, tive contato com pessoas muito sectaristas, arrogantes e azedas com relação à “Babilônia”. Tais pessoas não entendem a graça de Deus e como o Senhor tem trabalhado ao longo da história por meio da Igreja institucional. Já dialogo com irmãos oriúndos da Igreja nos Lares há alguns anos, e neste tempo consegui a antipatia de alguns por denunciar aquilo que penso serem dois problemas que podem contaminar o movimento: a amargura e o sectarismo. Mas por conhecer alguns dos líderes brasileiros da Igreja nas casas de expressão nacional, sei que isso não representa uma tendência e sim algumas excessões do movimento nos dias atuais.

Concluindo: minha opinião é a de que não podemos julgar o movimento pelo que se vê na blogosfera, pois toda reforma começa com a conscientização. Deus está criando uma consciência profética em nossa geração e, biblica e historicamente falando, o ministério profético é um ministério NEGATIVO (pois profetas se destacam mais em tempos de crise, justamente ao expor à luz as mazelas de seu tempo). Por outro lado, qualquer comunidade cristã que busca se expressar de forma orgânica e, acima de tudo, saudável, deve entender que destilar ranso contra o sistema e fazer prosélitos das denominações não os torna melhores do que aqueles a quem criticam. É necessário caminhar alguns passos extras para encarnar o propósito de Deus para nossa geração, que é coletivamente conhecer as infinitas dimensões do Filho de Deus, encarná-las e expressar esta glória ao mundo que perece, transicionando da amargura à ternura.

Meu conselho a qualquer um que esteja procurando uma Igreja orgânica é: afastem-se dos teólogos liberais e dos profetões amargurados que estão pregando reforma por aí. Como disse o “profeta” Guevara: Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás.”

Ecclesia Semper Reformanda est!

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6 Comentários
  1. 17 de fevereiro de 2010 11:31

    Prezado; Irmão Hugo; Graça e Paz.

    Muito bom esta matéria, refleti bastante sobre o assunto e será o nosso proximo tema de um debate em sala de aula. Sou frequentador do culto nos lares, eu vejo como Deus tem fortificado seu corpo através deste trabalho pioneiro. Devo informar que todos que participam juntamente conosco, são sujeitos a nossa autoridades espiritual nosso Pastor. Não apoio nenhum movimento que venha dividir, a igreja(denominação), pois muitos que estão desapontado com sua igreja(denominação) encontra uma forma de cultuar, mas (sem responsabilidade alguma), como dizimo, comunhão, ou algum trabalho na denominação. Por outro lado é muito complicado quando dentro de “sua” denominação voce é impedido de cultuar a Deus da sua forma, como levantar das mãos, dar gloria a Deus de uma forma que rompa o silêncio, bater palmas. Isto o povo não tem tolerado, pois eles estão cheios de apenas rituais religiosos e muitos vão a estes encontros , pois lá tem uma “certa” liberdade de expressão. No meu ponto de vista mesmo dentro desta “libertade” eu nunca deixarei minha igreja” Denominação” por nehuma célula, ou reunião ou encontros. Para refletirmos; “Será que chegou o momento de uma reforma, dentro da reforma?

    Deus seja conosco, hoje e sempre.
    Josiel Dias
    http://josiel-dias.blogspot.com/

  2. Hugo permalink*
    17 de fevereiro de 2010 15:34

    Josiel,

    Ecclesia semper reformanda est – A Igreja está sempre em necessidade de reforma.

  3. 18 de fevereiro de 2010 13:19

    A Paz do Senhor Jesus Cristo a todos os irmãos, suas famílias e igrejas!

    Eu gostaria de dizer que concordo plenamente com o irmão Eugênio Morais, mas ele não foi muito esclarecedor no seu comentário sobre as igrejas nos lares. Mas eu também tenho minhas preocupações a esse respeito. Sabemos pelo apóstolo Paulo, a dois mil anos atrás, que entrariam na igreja, e que dentre ela mesma se levantariam homens que buscariam atrair discípulos após si. É Bíblico, Isto foi profetizado. Mas não significa que ficaríamos com os braços cruzados vendo o “circo” pegar fogo e não faríamos nada. Eu tenho dito para vários irmãos que a igreja, em uma comparação talvez grosseira, é como o INPS: “Ruim com ele, pior sem ele!”

    Como escrevi em uma matéria no “meu” site, as igrejas nos lares inicialmente surgiram não como uma proposta de substituição as igrejas “institucionalizadas”, mas como conseqüência dos desvios doutrinários nas mesmas (nas igrejas). Mas acontece que em qualquer grupo social existente sempre estarão presentes o joio e o trigo. O saírem das igrejas “institucionalizadas” não é absolutamente a solução definitiva para resolver o problema dos desvios doutrinários, pois será inevitável que o mesmo ocorra com o passar do tempo nas igrejas nos lares. Então o que fazer? É simples! Não incentivemos a nenhum irmão na fé a trocarem as igrejas tradicionais pelas nos lares e não reprovemos como erro absoluto os que o fazem! Por quê? Porque o mais importante é que estejamos dentro de um grupo que tem unicamente a Jesus como Senhor e Salvador e a sua Palavra como regra de fé e prática, ainda que na prática, fazendo um trocadilho, não seja assim, pois foi Ele quem disse que onde estiverem dois ou três reunidos em seu nome, Ele lá estaria! Devemos, isto sim, é orarmos pela igreja, esteja ela reunida como a conhecemos tradicionalmente nos templos ou como eram no início, dentro dos lares. Mas um não se julgue melhor que o outro. Alem do mais, é fato que quanto mais perto estivermos da volta do nosso Senhor, conseqüentemente maior será a apostasia nas igrejas “institucionalizadas”, o que conduzirá inevitavelmente ao crescimento das igrejas nos lares, até mesmo porque será a única opção possível nos dias da grande tribulação.

    Bem, é isso!

    Que Deus e Pai abençoe a todos!

  4. Eugênio Morais permalink
    18 de fevereiro de 2010 15:45

    Prezado irmão André: paz da parte do nosso Senhor e salvador!

    Devo esclarecer que quando postei esse comentário, tal como o Hugo transformou em artigo, é que ao acessar alguns blogs de irmãos que se reúnem nos lares, observo sempre um certo “ranço” sectarista para com a igreja institucionalizada, coisa de gente chatada com a “babilônia” ,como alguns diriam, se referindo ao cristianismo denominacional.
    Aqui mesmo onde moro, em Fortaleza, conheço alguns irmãos de algumas igrejas domésticas que afimam não suportarem esse discurso repetitivo do retorno aos lares como crítica ao sistema vigente. E daí? a questão é muito mais que mudar do templo para a sala, do banco para sofá. A questão é visceral: é mais de conteúdo-essência do que mudança de odre.
    Como diria sabiamente o Hugo em uma postagem no formspring: “A monarquia dos israelitas também não foi plano divino, mas não obstante Deus levantou Saul e o ungiu para usá-lo. Portanto, Deus ainda se move através das denominações (o que nos mostra que há uma diferença entre ser usado e ser totalmente aprovado por Deus).”

    Eugênio Morais

  5. Hugo permalink*
    18 de fevereiro de 2010 20:13

    André M. dos Santos: Não incentivemos a nenhum irmão na fé a trocarem as igrejas tradicionais pelas nos lares e não reprovemos como erro absoluto os que o fazem!

    […]

    … é fato que quanto mais perto estivermos da volta do nosso Senhor, conseqüentemente maior será a apostasia nas igrejas “institucionalizadas”, o que conduzirá inevitavelmente ao crescimento das igrejas nos lares, até mesmo porque será a única opção possível nos dias da grande tribulação.

    É isso aí.

  6. 5 de maio de 2010 12:21

    Preciosos como o Senhor é maravilhoso, O Corpo edificando o Corpo, e isso é,
    Com a Graça e a Verdade, prosseguimos assim ao ALVO.

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