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Paradoxos Pentecostais

27 de janeiro de 2010

O Movimento Pentecostal surgiu no começo do século XX como um poderoso avivamento que abriu novas igrejas e incendiou tantas outras por todo o planeta. Sem dúvida alguma, no Brasil o pentecostalismo é o seguimento evangélico que mais cresceu nas últimas décadas. Mas ao que parece, esta suposta vitalidade das Igrejas pentecostais é igualmente propocional ao conservadorismo, ao legalismo e ao semi-analfabetismo bíblico que eivam o movimento em sua versão tupiniquim. O texto abaixo é de Gutierres Siqueira, originalmente publicado sob o título “As Contradições no Pentecostalismo Brasileiro”.

O Movimento Pentecostal é algo lindo e maravilhoso, sendo certamente um grande avivamento de Deus. Agora, o pentecostalismo brasileiro está cada vez mais distante desse ideal, além de conter várias contradições.

– A liturgia das igrejas pentecostais é totalmente engessada. O engraçado é que todos pensam justamente o contrário. Ora, mas tente em uma igreja pentecostal clássica cantar músicas que fogem daquele padrão- hino da harpa, “hino” de fogo e “hino” de vitória. Fora os hinos da harpa, esses músicas de fogo e vitória são cheias de erros doutrinárias, antropocêntricas e mal feitas. Se você tenta dispensar logo é recriminado. Mas esse problema não é recente, pois tais músicas já existiam na década de 1970.

– Muito se condena a “teologia da prosperidade” nas igrejas pentecostais, mas enquanto isso se prega o triunfalismo, que é tão pernicioso quanto. O triunfalismo é uma “teologia da prosperidade light”. Quase todos os cultos dominicais giram no tripé- cura, emprego e perfeição emocional.

– Nas igrejas pentecostais clássicas muito se condena a “vaidade”. Só que a “vaidade” é mais ou menos combatida dependendo do contexto social daquela igreja. Quanto mais pobre, menos alfabetizada e mais interiorana é a igreja, mais legalista ela é. Engraçado que alguns pastores usam ternos finíssimos enquanto condenam o brinco. Definir isso como hipocrisia é pouco.

– O pentecostal é o povo da Bíblia. Alguns levam a Bíblia para qualquer lugar que frequentam. Realmente, é difícil ver um pentecostal que não carregue a Bíblia debaixo do braço. Assim também como é difícil ver um pentecostal versado nas Escrituras. O que sobra nos púlpitos são superficialidades, trivialidades e chavões e mais chavões. Ora, tem pastor pentecostal que NUNCA leu a Bíblia completa uma única vez.

“Ah, como você é chato com os pentecostais, até parece um tradicional”. Olha pessoal. Quem ama não fecha os olhos. Se você realmente considera-se pentecostal, saiba discernir o bom do ruim.

Fonte: Teologia Pentecostal.

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2 Comentários
  1. Evelin Fróes permalink
    27 de janeiro de 2010 10:20

    O autor desse texto deve ser saudável, equilibrado emocionalmente e ser realizado profissionalmente. Sabe Hugo, já estou farta de as pessoas confundirem o desejo legítimo de ter suas necessidades mais básicas serem atentidas com Teologia da Prosperidade. Isso já não é nenhuma novidade para mim. Há treze anos que passo por uma fase de enfermidade – desequilíbrio emocional – fracasso acadêmico e profissional. Sou egoísta? Nesse caso não, pois sei que minha longa situação tem várias causas e implicações e consequências inclusive sobre as vidas alheias, afinal ninguém é uma ilha. Como diz o velho ditado: Pimenta ardida nos olhos dos outros é refresco! Por quê será que as pessoas adoram julgar apressadamente e a generalizar? Nós não somos todos iguais, e penso que existem pessoas que já passaram ou estão passando pela mesma situação que eu, essas sim podem me compreender.

  2. Hugo permalink*
    27 de janeiro de 2010 17:01

    Oi Evelin.

    Eu lamento muito pelo que você está passando. Estarei orando por você a respeito desta situação.

    O texto reflete algumas coisas que eu já via no movimento pentecostal há mais de 10 anos atrás. Não conheço o autor, mas tenho a impressão de que o ponto levantado por você não reflete exatamente o que o autor quiz dizer. Pelo menos eu interpreto este ponto sobre da Teologia da Prosperidade de forma diferente de como você interpretou.

    Penso que o que está em questão não é ser indiferente com as necessidades das pessoas, porque Jesus não era. O problema é a prática de um evangelho humanista que gira somente em torno das necessidades humanas. Como se diz em inglês, “it’s too much of a good thing”. Como Arthur Willis escreveu, a verdade é como uma foto e quando enfatizamos somente uma parte da verdade, transformamos a foto em uma caricatura. Salvação pela graça, batalha espiritual, cura interior, cura física, prosperidade e outras coisas boas fazem parte do SHALOM de Deus para nós, e foram princípios ensinados e ministrados pelo Senhor Jesus. Mas quando nos atemos a pregar somente um destes pontos (seja ele qual for) e negligenciamos os outros, deixamos de pregar o Evangelho pleno para pregar um Evangelho parcial moldado a uma necessidade humana. E penso que este é o problema que o autor quer abordar.

Comentários encerrados.

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