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Cristianismo pós-igreja – Parte 1

21 de janeiro de 2010

Onde dois ou três estiverem reunidos, alí estará a Igreja. Será? Este jargão, baseado em Mateus 18:20, é o mais usado por alguns que se recusam a ter o compromisso formal de congregar-se com um grupo de irmãos. Os adeptos do pós-igrejismo entendem que qualquer encontro informal entre duas ou três pessoas, independente da frequencia ou do formato destes encontros, já caracteriza a Igreja – seja na academia, seja na lanchonete, em um bate papo por telefone ou até mesmo em um chat pela internet. Tal atitude descomprometida e indisciplinada no congregar-se é uma reação extremada ao formalismo do cristianismo institucional que, infelizmente, pende para o outro lado do pêndulo, como nos explica Frank Viola:

Há um fenômeno crescente no Corpo de Cristo hoje. Além do movimento da Igreja Missional, a Igreja Emergente e o movimento da Igreja nas Casas, há uma nova corrente de pensamento na Igreja que eu chamo de “cristianismo pós-igreja”.

O cristianismo pós-igreja se baseia na premissa de que as formas institucionais de Igreja são ineficientes, anti-bíblicas, inoperáveis, e, em alguns casos, perigosas. A institucionalização não é compatível com a ekklesia – de acordo com os adeptos do cristianismo pós-igreja.

Mas a visão do cristianismo pós-igreja vai ainda mais longe, dizendo que “qualquer forma de organização, qualquer tipo de liderança é algo errado e opressivo. A igreja é simplesmente dois ou três que se reúnem em qualquer formato. Quando isso ocorre, a Igreja acontece.”

Aqui vão alguns exemplos daquilo que o cristianismo pós-igreja defende:

“Na semana passada, tomei um café com a Sally na Starbucks. Aquilo foi igreja”.

“Reúno-me com dois outros irmãos uma vez por mês no restaurante Sonny’s Barbecue. Isso é igreja para nós”.

“Viajo constantemente e sempre que visito cristãos em diferentes cidades, temos igreja juntos.”

“Vivo em Dallas, Texas. Na semana passada, conversei com meu amigo por uma hora no telefone, Ele vive em Miami, Flórida. Na semana anterior, falei com um amigo que vive em Portland, Oregon. Estamos tendo igreja por telefone. Eu pertenço à mesma Igreja deles.”

“Não freqüento nenhuma reunião de Igreja. Eu tenho igreja pela internet. Participo de diversos tipos de fóruns e redes sociais. Isso é igreja para mim.”

“Não entendo porque as pessoas falam de plantar igrejas. Como podemos plantar igrejas quando nós somos a Igreja? Eu sou a Igreja. Você é a Igreja. Então, seja a Igreja!”

Para mim, as afirmações acima são uma redefinição da maneira como a palavra ekklesia é vista, usada e entendida no Novo Testamento. Nenhum cristão do primeiro século teria usado a palavra “Igreja” desta maneira. Ainda que não haja nada de errado em ter comunhão com os irmãos na Starbucks, no telefone ou pela internet, o significado bíblico da palavra ekklesia é algo bem diferente.

Grande parte da doutrina do cristianismo pós-igreja se baseia em Mateus 18:20: “Onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.”

É importante, no entanto, ler este verso em seu contexto:

Ora, se teu irmão pecar, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho teu irmão; mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada. Se recusar ouvi-los, dize-o à igreja; e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano. Em verdade vos digo: Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu; e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu. Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.

Aqui, Jesus está falando da ekklesia local, uma comunidade composta por seguidores de Cristo que vivem na mesma localidade. As pessoas desta ekklesia se conhecem. E o assunto que esta passagem aborda é uma reunião de excomunhão. Portanto, é um texto terrível – um texto que um cristão jamais deveria ter o desejo de usar. O texto descreve uma pessoa em rebeldia e que se recusa a se arrepender de seu comportamento.

Quando isso acontece, a pessoa prejudicada deve falar com a pessoa que a prejudicou em particular. Se esta se recusa a se retratar, dois ou três irmãos da ekklesia local devem falar com ela. Se, mesmo assim, o ofensor se recusa a se arrepender de sua conduta rebelde, ele deve ser excomungado da ekklesia.

Note que Jesus diz que estas duas ou três pessoas devem levar o assunto à Igreja se a pessoa não se arrepender. Agora, pense: se dois ou três fossem a Igreja, este texto seria irrelevante. Consequentemente, estes dois ou três não podem ser a Igreja. Eles são simplesmente parte da Igreja. O que o texto quer dizer é que estas duas ou três pessoas que conversaram com este indivíduo que não se arrependeu devem estar orando por ele. E o Senhor estará com elas de uma forma especial, à medida que elas orarem. Ele estará ao lado deles.

O contexto também indica que a ekklesia é uma entidade orgânica onde um grupo de crentes comprometidos “ligam e desligam”, usando as chaves do Reino que o Senhor Jesus as deu. Consequentemente, Mateus 18 não é um texto em que Jesus nos define o que é a Igreja. Muito pelo contrário, é um texto que descreve o terrível processo da excomunhão.

Uma vez que esta é a passagem principal no qual o cristianismo pós-igreja se baseia, sou da opinião de que esta posição não resiste a uma análise à luz do Novo Testamento.

Continua na parte 2.

Fonte: Out of Ur. Tradução: Pão & Vinho.

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