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Verdades que os crentes não querem saber

12 de janeiro de 2010

Jesus não foi o fundador daquilo que chamamos de cristianismo. O que hoje chamamos de “igreja” é fruto de uma metamorfose que reflete o processo inverso daquele em que a larva se transforma em uma borboleta. O texto abaixo foi escrito por Ed René Kivitz, com o título original “A respeito de coisas que eu não posso deixar de saber.” Tomei a liberdade de repostar no P&V com o título acima:

Você sabia que foi apenas no ano 190 d.C. que a palavra grega ekklesia, que traduzimos como igreja, foi pela primeira vez utilizada para se referir a um lugar de reuniões dos cristãos? Sabia também que esse lugar de reuniões era uma casa, e não um templo, já que os templos cristãos surgiram apenas no século IV, após a conversão de Constantino?

Você sabia que os cristãos não chamavam seus lugares de reuniões de templos até pelo menos o século V? Você sabia que o primeiro templo cristão começou a ser construído por Constantino, sob influência de sua mãe Helena, em 327 d.C., às custas de recursos públicos, e sua arquitetura seguia o modelo das basílicas, as sedes governamentais da Grécia e, posteriormente, de Roma, e dos templos pagãos da Síria?

Você sabia que as basílicas cristãs foram construídas com uma plataforma elevada acima do nível da congregação e que no centro da plataforma figurava o altar, e à sua frente a cadeira do Bispo, que era chamada de cátedra? Você sabia que o termo ex cathedra significa “desde o trono”, numa alusão ao trono do juiz romano, e, por conseguinte, era o lugar mais privilegiado e honroso do templo? Você sabia que o Bispo pregava sentado, ex cathedra, numa posição em que o sol resplandecia em sua face enquanto ele falava à congregação, pois Constantino, mesmo após a sua conversão ao Cristianismo, jamais deixou de ser um adorador do deus sol?

Você sabia que o atual modelo hierárquico do Cristianismo, que distingue clero e laicato, teve origem e ou foi profundamente afetado pela arquitetura original dos templos do período Constantino? Você sabia que Jesus não fundou o Cristianismo, e que o que chamamos hoje de Cristianismo é uma construção religiosa humana, feita pelos seguidores de Jesus ao longo de mais de dois mil anos de história?

Você sabia que o que chamamos hoje de Cristianismo está profundamente afetado por pelo menos três grandes eras: a era de Constantino, a era da Reforma Protestante e a era dos Avivamentos na Inglaterra e nos Estados Unidos? Você sabia que é praticamente impossível saber a distância que existe entre o que Jesus tinha em mente quando declarou que edificaria a sua ekklesia e o que temos hoje como Cristianismo Católico Romano, Protestante, Ortodoxo, Pentecostal, Neopentecostal e Pseudopentecostal?

Você sabia que os primeiros cristãos se preocuparam em relatar as intenções originais de Jesus com vistas a estender seu movimento até os confins da terra? Você sabia que este relato está registrado no Novo Testamento, mais precisamente nos Evangelhos e no livro de Atos dos Apóstolos?1

Você sabia que o terceiro evangelho, Evangelho Segundo Lucas, e o livro dos Atos deveriam formar no princípio uma só obra, que hoje chamaríamos de “História das origens cristãs”? Você sabia que os livros foram separados quando os cristãos desejaram possuir os quatro evangelhos num mesmo códice, e que isso aconteceu por volta de 150 d.C.? Você sabia que o título “Atos dos Apóstolos” surgiu nessa época, segundo costume da literatura helenística, que já possuía entre outros os “Atos de Anibal” e os “Atos de Alexandre”?

Nesse emaranhado de coisas que eu não sabia, três coisas eu sei. A primeira é que a crítica que o mundo secular faz ao Cristianismo institucional tem sérios fundamentos, ou como disse Tony Campolo: “Os inimigos estão parcialmente certos”. A segunda coisa que sei é que nesta Babel que vem se tornando o movimento evangélico brasileiro, está cada vez mais difícil identificar a essência do Evangelho de Jesus Cristo, nosso Senhor. A terceira coisa que sei é que vale a pena perguntar aos primeiros cristãos o que eles entenderam a respeito de Jesus, sua mensagem, sua proposta de vida e suas intenções originais. Vale a pena voltar à Bíblia. Não há outra fonte segura de informação e formação espiritual, senão a Bíblia Sagrada, especialmente o Novo Testamento.

Fonte: Irmãos.

Nota

[1] É importante denunciarmos uma nova onda no diálogo da Igreja Emergente de elevar os Evangelhos a um nível superior às demais escrituras, especialmente com relação ao Antigo Testamento e às cartas paulinas. Essa horrenda prática, a qual eu chamo de “Teologia da Subordinação Bíblica”, ataca a infalibilidade do cânon e coloca em dúvida a integridade de algumas porções das Escrituras. Nasce da dificuldade que alguns teólogos neomarcionistas têm em conciliar o Deus de amor do NT com os atos do Deus irado do AT, e com o Deus “machista, homofóbico  e escravagista” do apóstolo Paulo. Em nossa peregrinação de Roma à Jerusalém, devemos estar abertos ao processo de desconstrução do cristianismo atual, mas esta deve ser feita à luz das Escrituras. Ao questionar o poder de Deus em guardar nossa única referência para a Verdade, perdemos nosso Fundamento e referência. No processo de descontrução que todo movimento de reforma requer, a única coisa que jamais podemos abrir mão é da premissa inegociável de que TODA Escritura é a Palavra de Deus. Caso contrário, estaremos desconstruindo o cristianismo atual somente para construir outro ao nosso bel prazer, fundamentado no humanismo “altruísta e caridoso” do pós-modernismo. Não julgo as intenções do autor neste sentido, no que se refere a este artigo em particular, mas faço esta ressalva porque conheço o diálogo emergente do qual Kivitz participa e sei que  porções do texto como esta podem ser usadas pelos emergentes liberais para sustentar a subordinação que alguns estão propondo. No demais, parafraseando o Campolo: “Nossos adversários não estão tão errados assim.”


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17 Comentários
  1. Pedro Rocha permalink
    12 de janeiro de 2010 10:46

    Nobre Hugo,

    Não sei se você já escreveu um texto da forma que vou lhe dizer, mas se não, gostaria, se possível, que você redigisse um texto relatando as dificuldades surgidas em uma igreja nos lares. Sempre ouço, e também me preocupa, o fato de receber pessoas estranhas em casa. Afinal, nossa casa é nosso lar (local mais privativo não existe), onde reside nossa família, nossas crianças, e sempre ouvimos falar de pessoas mais antigas que os tempos mudaram, que os filhos não mais brincam nas ruas, e isso tudo por causa da violência.
    Diante disso como superar o problema de não fazer acepção de pessoas, uma vez que o drogado, o bêbado, o mendigo, a prostituta, que ainda não passaram por transformação, também deverão ser recebidos em nossas lares?
    Meu conhecimento de igreja nos lares passa basicamente pelos textos que você costuma postar, embora não tenha lido todos. Por certo devem existir muitos outros problemas além desses, que é preciso refletir.

    Att.

    Pedro Rocha

  2. Hugo permalink*
    13 de janeiro de 2010 5:53

    Estarei escrevendo algo a respeito nos próximos dias, Pedro. Obrigado por sua pergunta.

  3. 8 de março de 2010 15:35

    Ao Pedro Rocha…

    Não como solução, mas como possibilidade, já pensou em visitá-los, é uma honra para muitos nos receber, apesar de nós. Tenho feito isso, e é bem legal, num foi nem pensando nisso e sim pelo fato de eu naum ter MINHA casa, não sou sem teto, moro com meus pais e não posso fazer algo que eles não concordem e eles gostam muito da privacidade deles e preciso respeita-los.

    So tentando ajudar.

    SHALOM

    Abraço e que o SENHOR JESUS continue te acrescentando mais e mais.

    FUI

  4. Adriana Helena permalink
    8 de abril de 2010 17:37

    Olá, gostei muito do post. Eu e meu marido estamos há muito tempo questionando a igreja institucionalizada (as que conhecemos)… Estamos buscando viver o modo de vida do NT. Ainda temos muitas dúvidas, mas a plena certeza de que Deus nos chamou para algo diferente do que conhecemos até hoje, temos sim que voltar às Escrituras e aprender mais com os primeiros convertidos o modo de vida que Deus quer para nós. Sejamos mais humildes, deixemos de lado a “roupa de domingo”, os jargões evangélicos (fica difícil até conversar com as pessoas, pois muitas vezes elas não entendem o que nós estamos falando), entre outras coisas. Me sinto cada vez mais livre para adorar o Senhor conforme a Bíblia: em Espírito e em Verdade!!!

  5. 17 de maio de 2010 18:05

    Olá Pessoal, fico muito feliz em saber que existem cada vez mais pessoas que pensam também como nós, que já estamos nesse entendimento faz tempo, e é o próprio DEUS uqe nos tem revelado a SUA verdade e separado esse povo sem nenhuma capa de religiosidade, tem nos descontaminado de mundo gospel corrupto e mentiroso. Já alguns anos meu marido e eu começamos a nos aprofundarmos e meditarmos mais na Palavra, pq tinhamos tb muitas dúvidas, desde então o Espírito Snto tem nos dirigido e revelado mutas verdades das quais não são ditas, ou melhor, pregadas nas atuais igrejas evangélicas, como a verdade sobre dízimos e ofertas, autoridades, liberdade cristã,….. Nos sentíamos muito escravizados, hj realmente experimentamos a verdadeira liberdade em CRISTO JESUS.
    Se puderem acessem nosso blog: wwwexortacao.blogspot.com, ele fala sobre várias dessas coisas.
    Espero que gostem e sejam edificados.
    DEUS abençõe a todos
    Dani e Eber

  6. 25 de maio de 2010 19:38

    Olá, onde se localiza essa igreja que aparece no vídeo acima? Achamos muito interessante esse modelo de igreja e é exatamente oque nós sempre tentamos fazer, esse tb é nosso objetivo!
    Acessem wwwexortacao.blogspot.com
    Paz
    Dani e Eber

  7. Hugo permalink*
    25 de maio de 2010 20:52

    Danielli,

    As Igrejas nos lares estão espalhadas por todos os EUA e também no Brasil.

    Este é um fenômeno que vem ocorrendo discretamente na América. Não penso que ainda é algo comum, mas está crescendo.

  8. 26 de maio de 2010 17:57

    Amém irmão, acredito nisso tb! Eu e meu marido temos um chamado para os EUA, por isso gostaria de saber onde essas pessoas se reunem até para quem sabe conhecÊ-los pessoalmente e nos unirmos, pois aqui no Brasil é muito difícil conhecer pessoas que estejam nessa visão, até já encontramos mas a visão deles era um pouco distorcida do verdadeiro evangelho.. Vc já entrou no nosso blog?
    Muito obrigada
    Danielli

  9. 26 de maio de 2010 20:12

    Sim, Danielli. Eu visitei o seu blog. É muito edificante e me faz pensar que o Senhor está formando uma rede de pessoas que tenham o mesmo sentir quanto a sua Igreja. Estou contente por poder estar em contato com vocês.

  10. Danielli Bergman Andrade permalink
    27 de maio de 2010 18:30

    Q bom! Nós temos o mesmo sentimento tb Hugo! Vc é brasileiro mesmo?
    DEUS t abençõe

  11. 28 de maio de 2010 3:19

    Sim, Danielli. Vivo fora do Brasil há alguns anos, mas sou brasileiro. Abraços!

  12. 8 de junho de 2010 3:17

    Não concordo com o título “verdade que os crentes não querem saber” – há milhares de pessoas hoje no Brasil que são evangélicas e que sabem que o cristianismo atual praticado nas igrejas não tem refletido a mensagem cristã. E por isto muitos (batistas, assembleianos, e neo-pentecostais) saem a procura de ministérios voltados e centrados na palavra de Deus, onde o apego ao dinheiro e às coisas materiais não são importantes. E Deus já está levantando pastores e líderes com esta visão de últimos dias! O título correto seria (sugestão) A Falência do Cristianismo Oficial

  13. Hugo permalink*
    8 de junho de 2010 3:46

    Lázaro,

    Ainda continuo pensando que há muitos crentes que não querem saber as coisas escritas neste artigo. E muitos quando as leem, as ignoram. Penso que este processo ao qual você se refere ainda é uma excessão e não uma regra. Como alguém já disse, o pior cego é aquele que não quer ver.

  14. Alexandre permalink
    3 de novembro de 2011 18:23

    Excelente artigo!

  15. Valter Sales Gomes permalink
    14 de setembro de 2012 17:58

    utimamente este assunto tem me interesado muito, gostei da materia, já e hora de despertarmos do sono!

  16. Samuel Silva permalink
    2 de janeiro de 2013 17:51

    Concordo com os esclarecimentos acima, mas também, como outras questões, deixam evasivas que, não definem a verdade. Não me importo o que nem quem pensa isso ou aquilo sobre o cristianismo, mas sei que há um único Deus Criador e que, enviou o Seu Filho para salvar a humanidade perdida e que, isso só pode ocorrer mediante a fé no sacrifício vicário de Cristo. O resto é balela.

  17. 3 de janeiro de 2013 11:32

    O texto não se propõe a discutir questões soteriológicas ou de cunho doutrinário, como as que você abordou. Somente questões eclesiológicas, importantes para nossa vida em Igreja. Tampouco tem a pretensão de esgotar em um pequeno artigo tudo aquilo que se refere à Verdade, pois esse é somente um texto, não um compêndio fisolófico/teológico. Entretanto, não há evasivas no tocante às referências históricas as quais ele se refere. Se para você o assunto se trata de “balela”, não se preocupe em ler ou comentar a respeito de algo que você não entende ou não enxerga a importância. Mas para muitos cristãos que estão prestando atenção aos rumos do Cristianismo ao longo da História, a correta ortodopraxia é tão relevante quanto a ortodoxia.

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