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Impressões de Portugal

4 de dezembro de 2009

Por Augustus Nicodemus.

símbolo-de-portugal

Neste mês de novembro de 2009 tive a oportunidade de ser um dos palestrantes na 9ª. Conferência FIEL para pastores e líderes em Portugal. O encontro foi no Acampamento Batista em Água de Madeiros, ao norte de Lisboa e no litoral. Participaram cerca de 50 pastores e líderes, alguns com a esposa. Além de mim, falaram Stuart Olyott, pastor batista reformado do País de Gales, e mais dois, os quais enfocaram as 9 marcas de uma igreja saudável defendidas por Mark Dever.

Embora o número de participantes tenha sido pequeno (tem se mantido nessa faixa com os anos) é na verdade uma das maiores conferências evangélicas em Portugal, para vocês terem uma idéia do tamanho das igrejas evangélicas e particularmente das reformadas naquele país. A bem da verdade, não havia somente pastores reformados – acho até que eram minoria. Havia vários de origem pentecostal. Menos de 1,7% da população de Portugal se considera evangélica. As igrejas são pequenas e esparsas. E naturalmente não faltam igrejas neopentecostais, que já criaram problemas inclusive com o governo em questões de dinheiro.

As impressões que tive do tempo que passei neste belo país – que não merece algumas das piadas infames que fazemos com seus habitantes – são estas.

1. Tanto Portugal quanto a Espanha rejeitaram a Reforma protestante. Hoje, estão entre os países mais pobres da União Européia. A porcentagem de crentes na Espanha é ainda menor. Países onde a Reforma floresceu se desenvolveram muito mais em todos os sentidos. Apesar disto, Portugal não é um país atrasado, mas com certeza não se parece com seus primos ricos europeus.

2. Muitos pastores brasileiros que estiveram em Portugal, de denominações diferentes, não causaram uma boa impressão nos portugueses. Ao que parece, despertaram a desconfiança e a rejeição. As causas foram várias, pelo que pude perceber, desde mercenarismo até mau caráter. Hoje as igrejas evangélicas em Portugal têm talvez mais brasileiros do que portugueses. A população portuguesa continua largamente intocada pelo Evangelho de Cristo. Um certo dia de manhã, quando estava com a minha esposa tomando um café com pastel de Belém numa mercearia em Lisboa, ouvimos alguns portugueses contando histórias e piadas de pastores pentecostais em Portugal enquanto tomavam uma cerveja. Detonaram todos os pastores em geral!

3. O Catolicismo Romano vem diminuindo a cada ano em Portugal. Há cerca de dez anos, de acordo com o censo oficial, mais de 90% dos portugueses se declaravam católicos. Hoje, estes números estão na faixa de 70%. Mas, os portugueses não estão largando a Igreja Católica e abraçando a fé evangélica. Estão engrossando a fileira de ateus e agnósticos que cresce bastante na Europa, ou simplesmente se tornaram totalmente indiferentes para com religião em geral e o Cristianismo em particular.

Esta indiferença vale para todas as religiões. Há somente uma mesquita em Lisboa, pelo que me contaram. Eu a vi e achei enorme. Mas, como o Stuart Olyott me disse, no Reino Unido e na Europa, os filhos dos muçulmanos não são tão radicais como os pais. A grande maioria deles deseja ocidentalizar-se, trabalhar e estudar, tomar sua cervejinha e ver jogo de futebol como os demais britânicos. Sinceramente, espero que ele esteja certo.

Fonte: O Tempora, O Mores!

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7 Comentários
  1. Evelin Olívia Fróes permalink
    5 de dezembro de 2009 12:02

    O que os portugueses pensam dos pastores evangélicos de um modo geral (sem distinguir os históricos dos pentecostais e ambos dos neopentecostais) é mais uma prova de que as igrejas evangélicas produzem falsas conversões, nem os próprios pastores são mesmo convertidos! Por isso, se eu quiser realmente me converter, o melhor mesmo é não mais frequentar igrejas evangélicas. É melhor deixar que o próprio Espírito Santo me guie na minha conversão e deixar que somente as pessoas certas me auxiliem nessa caminhada, independente de denominações religiosas.

  2. Patrícia Coelho permalink
    5 de dezembro de 2009 16:15

    Boa tarde.É meu primeiro comentário neste site,embora o tenha visitado com freqüência e indicado aos meus amigos e parentes,tenho declarado que este é um dos mais brilhantes sites que tenho lido ultimamente.
    Sobre o comentário acima Evelin,afirmo seu engano! Primeiro acho muito pesado você dizer que a igreja evangélica “produz falsas conversões”.Minha cara,igreja alguma converte o ninguém.A Palavra de Deus nos ensina que o Espírito Santo é quem convence o homem da verdade,da justiça e do juízo,portanto,quando um pecador se arrepende e se volta pra Deus em uma vida de transformação em uma igreja evangélica,foi obra de Deus e não de determinada igreja.Segundo,O ÚNICO,puro,perfeito e santo ,que cumpriu toda a lei e nos justificou,foi somente JESUS CRISTO,sendo assim,ele é o único que não errou,todos os outros homens que proclamam o Nome do Senhor,seja ele pastor,ou padre,ou que leve qual título eclesiástico que for,é passível de erros e falhas.Os homens, mesmo convertidos de fato,que não vão à igreja para aparecer ou pq está na moda,podem cair,e pecar,e errar o alvo,assim fazem coisas abomináveis,todavia,não se pode generalizar,vc já deve ter lido sobre joio e o trigo…Evelin,devemos nos ater a Palavra que nos diz em Hb 12:2a,Olhar para o Autor e c
    Consumador de nossa fé,Jesus… Os homens são imperfeitos,e a igreja na terra tbm é imperfeita,mas Jesus é perfeito e devemos buscar a estatura de Cristo não olhando para o homem.Terceiro ponto,ninguém se converte,esta tarefa é dada somente ao Espírito Santo,o nosso eu não faz nada neste sentido.Como vc mesma disse,deixe o Santo Consolador te guiar e te abrir os olhos e vc está certíssima em dizer sobre pessoas certas te ajudar e aconselhar,pessoas que vc confie e veja testemunho de Cristão que prega a Sã doutrina sem adulterá-la.

  3. Evelin Olívia Fróes permalink
    5 de dezembro de 2009 16:39

    Que interessante Patrícia! Justo o meu comentário fez com que você fizesse o seu primeiro nesse blog, que também considero brilhante! Eu generalizei? Talvez, mas os portugueses também generalizam! E se as igrejas evangélicas brasileiras quiserem enviar missionários e apóstolos a Portugal, que comecem por dar o exemplo e o que o texto nos mostra é que maus exemplos estão afastando os portugueses das igrejas evangélicas e por tabela do Cristianismo. E eu cheguei a essa conclusão das falsas conversões por experiência própria, já frequentei igrejas evangélicas. Eu simplesmente não me adapto mais às doutrinas das igrejas protestantes, eu me sinto um peixe fora d’água! Estou pouco a pouco me desfazendo da religiosidade e aprendendo a ser apenas espiritual. Eu sei que as pessoas são falhas, até eu sou falha, e que somente Jesus foi um ser humano perfeito.

  4. Hugo permalink*
    5 de dezembro de 2009 17:13

    Patrícia e Evelin,

    Obrigado por visitar e apoiar este trabalho. Fico contente que esteja servindo de edificação para o Corpo de Cristo.

    O resumo do que vocês duas estão dizendo é: não podemos confiar em pessoas ou instituições. Temos que estar firmemente alicerçados na nossa relação com Cristo. E muitas vezes, isso quer dizer “viver de maná no deserto”, principalmente nos dias atuais, quando há tanto fermento na Casa de Deus.

    Quanto ao precioso relatório que Augustus Nicodemus nos apresentou: aconselho a todos os que tenham um chamado para evangelizar na Europa que busquem sua cidadania européia (se tiver direito), e que não se apresentem à sociedade como “clérigos”, mas que consigam um trabalho comum e evangelizem através das amizades.

    Penso que a Igreja, de modo geral, está passando por mudanças de paradigmas. A missiologia é um exemplo disso. O grande problema com os missionários brasileiros é que vão para o campo missionário com a mentalidade “categoga” (catedral + sinagoga). Pensam que vão a países como Portugal, por exemplo, como clérigos abrir uma capelinha e esperar que os portugueses apareçam para seus cultos. Esta é uma mentalidade ultrapassada e que mantém o Evangelho alienado da vida comum e perpetua a visão da Igreja evangélica como uma religião estrangeira aos olhos de qualquer íbero-europeu.

    Como alguém que está envolvido em missões desde 1998, fui pego no meio desta transição. Há anos atrás larguei minha carreira em uma conhecida multinacional para fazer missões. No fringir dos ovos, estou tendo que me re-capacitar e voltar para o mercado de trabalho para fazer tendas (por isso entendo o “drama” pelo qual você está passando, Evelin, em sua re-adaptação profissional). Um amigo que serviu na Turquia por alguns anos entendeu que precisa entrar lá como um profissional, e não como pastor ou turista, se quiser ver o fruto de seu trabalho no país. Ele é da mesma safra que eu, e agora voltou à faculdade.

    Há duas semanas atrás conversei com alguém que acaba de voltar de lá. Veio com um relatório muito animador, à princípio, de como a Igreja está crescendo. Como conheço a realidade deste campo, comecei a inquirir mais até que ele deu a entender que este crescimento está ocorrendo na verdade entre os imigrantes, sobretudo latinoamericanos. Assim como em Portugal, o espanhol não está nas igrejas evangélicas.

    Na Itália, em certas partes, as pessoas sequer falam contigo pelo fato de você ser estrangeiro. Quanto mais “pastor” ou “missionário”.

    Minha opinião pessoal é a de que a Europa não é lugar de “clérigos”. É lugar de fazedores de tendas que possam se integrar na sociedade. Já à princípio, é necessário ter um trabalho como qualquer outro cidadão para poder ser aceito pelos demais. É necessário desaprender esta forma religiosa de evangelizar nas categogas, para aprender a conviver e evangelizar nos “cafés”, que é onde a vida social dos íbero-europeus acontece.

  5. Evelin Olívia Fróes permalink
    5 de dezembro de 2009 21:37

    Concordo contigo Hugo! Minha esperança é conseguir cumprir a visão que Deus me deu. Até agora, parece que as coisas se encaixam, pois ano que vem vou fazer um curso preparatório para conseguir o certificado de proficiência em língua inglesa, finalmente. Espero poder mudar de profissão e a questão Europa, no meu caso, só se Deus me abençoasse com uma bolsa de estudos para fazer mestrado. Os europeus, como eu já disse, se impressionam com exemplos, com conduta e caráter e não com religiosidade. Por isso minha necessidade de me afastar das igrejas evangélicas e de voltar ao convívio com os judeus que tanto me ensinam sobre os mistérios da Torá, afinal o apóstolo Paulo já disse que os judeus possuem os oráculos de Deus.

  6. MARIA SILVA permalink
    18 de janeiro de 2010 9:58

    Eu estive nessa conferência, não sou Pastor, nem sequer estudante de alguma Seminário. Sou simplesmente mulher e crente.
    Sobre o seu artigo devo referir que sendo portuguesa sinto-me triste pelos comentários…..
    Deus não faz acepção de pessoas, depois como crente sei que aqui sou apenas uma forasteira, este não é o meu país real, o meu país é a Sião celestial. Ainda sei que onde abunda o pecado pode superabundar a graça, pois o Senhor é soberano e tem poder para fazer grandes coisas neste país.
    Tenho 59 anos anos, tinha 3 anos quando a minha mãe se converteu ao Senhor na 1ª Igreja Baptista em Portugal- Lembro-me de estar no culto e sermos apedrejados ( era o tempo do fascismo),ia para a escola, onde um padre ia todos os dias para dizermos o terço e eu recusava e apanhava palmadas da professora, tinha 7 anos!!!
    Ainda não desesperei de ver Portugal convertido, apesar da Inquisição, da perseguição aos cristãos novos e de tantas coisas que os nossos governos têm feito. Mas repito, onde abunda o pecado pode superabundar a graça!!!!
    Somos nós os crentes que muitas vezes damos mau testemunho aos católicos deste país e aos que não sabem o que são…. O melhor seria que o Brasil que tem tantos crentes, mas também tantos “místicos” que não têm a certeza da salvação, orassem por este país e não nos enviassem pastores e líderes que pregam tudo menos a PALAVRA. Pregam as doutrinas das denominações a que pertencem e aí a meu ver é que está o erro dos REFORMADOS E PROTESTANTES. Com tanta divisão mas pouca discussão amigável não nasce a luz!!! Cada Igreja vive fechada em si mesma e não colaboram com as outras. Será que os crentes brasileiros não poderiam ensinar-nos nas Igrejas a sermos mais sociáveis e menos fechados?
    Eu vejo a disciplina de Deus sobre o povo evangélico aqui, a cada dia a nossa sociedade piora, agora com a aprovação do aborto, do casamento homossexual, da educação sexual nas escolas tirando aos pais o poder da educação etc etc. É dificil ser crente num país destes tão pequeno e a cada dia pior….. Mas o povo de Deus deve manter-se firme porque foi sempre o “remanescente” que venceu em toda a tribulação. É o que vemos no VT.
    Talvez se os pastores brasileiros se aculturassem um pouco ( aprender a cultura portuguesa, saber as nossas leis etc. )antes de vir para Portugal ajudasse um pouco. Chegam aqui cheios de alegria, com montanhas de prohjectos e daí a um tempo como não há progresso na Igreja desistem…. Onde está a persistência? Onde está a paciência? Onde está a esperança, a fé?
    Agradeço os seus comentários pois sei que tem visão espiritual e é disso que precisamos aqui. Porque não vem viver um tempo e aqui e dar conferências e ajudar-nos a ver mais longe?
    MARIA

  7. Hugo permalink*
    18 de janeiro de 2010 15:40

    Sem comentários…
    Maria, seria muito interessante que você postasse este comentário no sitio do Augustus Nicodemus. Deus abençoe Portugal.

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