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Migração Apostólica

26 de novembro de 2009

Por Wolfgang Simson

Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam (Sl 127:1).

Nós não construímos a Igreja de Jesus. Ele constrói. Nós esvaziamos. Haja vista o que aconteceu na Europa nas últimas décadas, sob a ação do homem. Mas, como é, afinal, quando Deus constrói a casa? Sabemos como é quando nós construímos. Queremos saber como é quando Deus constrói.

1. Tudo o que Deus constrói é segundo um original no céu. Noé, quando construiu a arca, seguiu um modelo dado por Deus. De outra forma, como seria possível construir um navio que pudesse navegar nas águas turbulentas do dilúvio, não naufragar e poder conter todas as espécies por tantos dias? Apenas nos anos 1800 d.C., o homem teve capacidade para construir navios nas mesmas dimensões, e até maiores, do que aquele construído por Noé.

2. Alguém consegue ver o original. Existem pessoas em todos os tempos que conseguem manter uma “conexão” com Deus e conhecer sua vontade, seus planos. Isso normalmente acontece com pessoas que permanecem bastante tempo no “monte”, ou seja, em oração, em comunhão com Deus. Então fazem um “download” do projeto original.

3. Precisa de obediência a longo prazo. Noé demorou 120 anos construindo, apesar da falta de entendimento das pessoas a sua volta. Outro exemplo é o templo. Davi recebeu o plano, mas foi seu filho, outra geração, que construiu. É preciso que essa obediência e essa fé se estendam por anos, e para outras pessoas que possam ajudar na construção.

4. Todo projeto de Deus é concluído. Ele não volta atrás, não muda de planos, não deixa inacabado.

5. Deus vem com sua presença. Como no templo, Deus vem, abençoa e fica. Deus não quer visitar, tocar, mas quer morar, viver.

Como é quando os homens constroem? Eles o fazem sem a orientação de Deus, como Caim quando construiu uma cidade, ou como a construção da Torre de Babel. Um aspecto muito interessante nessa construção é que os homens usaram tijolos. Não quiseram usar pedras, fornecidas por Deus na natureza, mas tijolos padronizados e feitos por eles mesmos. Na construção do edifício de Deus, a Igreja, são usadas pedras vivas, sem padronização, sem que sejam passadas pela máquina para torná-las iguais. Cada uma é encaixada da maneira correta em relação à outra, seguindo seu próprio formato natural.

Muitas vezes, construímos a igreja e, quando percebemos, ela se encontra muito longe do original de Deus! O que fazer então?

Em Ezequiel 41, 42, 43, Deus fala sobre a restauração do templo e mostra detalhes, medidas. O ápice é descrito em 43.10-11:

… mostra à casa de Israel esta casa, para que se envergonhem da sua maldade; e meça o modelo. E envergonhando-se eles de tudo o que fizeram, faze-lhes saber a forma desta casa, sua figura …

Deus só poderá mostrar o modelo original quando nos envergonharmos de tudo o que temos feito, da maneira como pudemos nos afastar tanto do modelo original, como pudemos construir a nossa igreja e chamá-la de “Igreja do Senhor Jesus”. Existe um modelo perfeito e absoluto. Nossa cultura não aceita o absoluto. Costumamos relativizar tudo, mas o plano de Deus é o mesmo, eterno e imutável.

migração

É preciso que se ouça o que o Espírito está dizendo hoje. “Saiam da Babilônia e voltem para a minha terra”. Assim como as aves ouvem seu instinto de migração e sabem que “é hora de voar”, temos que ouvir a voz do Espírito que está em nós e clama “é hora de voar, de sair do cativeiro, de ser livre na terra que lhes prometi”.

Vivemos hoje o segundo cativeiro babilônico. As pessoas estão na Babilônia e estão bem, fizeram um pacto. Têm uma boa igreja, confortável, mas são escravas. Nessas condições, ouvir falar de migração é terrível! Deus precisa mandar uma grande fome, para que se tenha vontade de sair. Depois da fome vem a crise. Nosso espírito já foi, mas nosso corpo está aqui. No sonho já estamos lá, mas olhamos a realidade e ainda permanecemos aqui. Migrar também exige não só sair de um lugar e ir para o outro, mas deixar coisas, coisas que amamos, que consideramos importantes. Precisamos passar por uma “quarentena”, um período de “desintoxicação” para que também a Babilônia saia de nós.

Vamos dar um exemplo: Se você quiser ir para um lugar e, sem querer, pegar o ônibus errado, por melhor e mais confortável que seja, não dá para ficar ali, pois ele não vai levá-lo aonde você quer. Então é preciso tomar uma atitude. Pedir ao motorista que pare para você descer. Mas quando você descer, ainda estará com um problema: estará sozinho, a pé, e não chegou ao lugar que queria. É uma sensação de perda, de impotência, de desespero quase!

E quando saímos da Babilônia, andamos por um bom tempo pelo deserto, até finalmente chegarmos ao Jordão, atravessarmos o rio e tomarmos posse da terra. Deus precisa nos mostrar em que ponto desta história nós estamos.

Deus deu uma missão a Adão: plantar e defender o jardim. Na ordem do poder estavam: Deus, Homem e Satanás. Adão falhou em defender o jardim e, quando deu ouvidos a Satanás, deu a ele a posse da terra e o segundo lugar no poder. O homem passou a ser um “sem-terra” e a viver sob o poder de Satanás. Mas Deus começou o processo de tomar a terra de volta, usando o homem. Começou com Abraão. Satanás e todos os demônios lutam contra isso até hoje. Jesus vem, paga o preço pelo pecado e envia os apóstolos para tomar a terra de volta: “ide e fazei discípulos de todas as nações”.

Deus está chamando Adões e Evas hoje para plantar e defender o jardim, as terras, os espaços. Está restaurando uma igreja apostólica que fará o pacto de ganhar e dar a vida por uma região, uma etnia, um país, um estado, uma cidade, e tomar a terra de volta das mãos de Satanás, fazendo de todas as nações discípulos para o nosso Senhor Jesus Cristo. Igreja caseira não é um modismo, uma onda, mas voltar ao plano original, à essência da vida da igreja, Corpo de Cristo.

A essência da vida nas igrejas caseiras é simples como a rotina de uma casa. Pessoas comem juntas, compartilham a vida material e espiritual juntas, compartilham a palavra viva (que é uma Pessoa, Jesus), juntas profetizam, falam a palavra de Deus umas às outras. Se quiserem fazer outras coisas, como música, teatro, trabalhos manuais, tudo bem, mas nada disso é central ou essencial. As igrejas caseiras são dirigidas por presbíteros, ou seja, pais espirituais capazes de amar, orientar e gerar relacionamentos saudáveis com Deus e entre os participantes, e não por líderes capazes de cumprir um programa ou uma meta.

Estamos no começo dessa migração. Já percebemos que trabalhamos no modelo errado e agora clamamos por ver o original e, acima de tudo, “coramos de vergonha” pelo que temos feito durante anos e décadas. Que Deus, na sua misericórdia, nos dê pessoas conectadas, que vejam o original, e pessoas apaixonadas por esta construção, que tenham uma boa causa para viver e, principalmente, para morrer. Estas pessoas podemos ser eu e você, se nos colocarmos diante do Senhor e nos deixarmos escravizar por ele, pois maior liberdade não há neste mundo do que, voluntariamente, nos tornarmos escravos do Senhor Jesus, e assim termos asas para voar quando ouvirmos a voz do Espírito nos dizendo que chegou a hora! Em nós, brasileiros, que Deus coloque o desejo de fazermos o pacto para levar este país aos pés do Senhor Jesus.

Compilação de Rosane Faria durante a visita de Wolfgang Simson a Sorocaba – SP, de 1 a 3 de junho de 2007.

Fonte: Grupo News.

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One Comment
  1. Evelin Olívia Fróes permalink
    26 de novembro de 2009 13:13

    É, ontem, na minha sessão de psicoterapia, eu ouvi que a verdade e a mentira não existem, que o certo e o errado não existem. Pois todos estão certos, ninguém está errado, afinal cada um tem a sua verdade. E que a normalidade não existe porque todos são anormais. É, a Ciência materialista briga com a Espiritualidade, isso eu pude saber.
    Eu estou aos poucos me envergonhando das coisas erradas que fiz, ainda não me envergonhei de tudo. Eu não vou me deixar levar pela psicoterapia e esquecer da Verdade, da Sabedoria de Deus, isso não! Quando minhas férias finalmente chegarem terei tempo para refletir a respeito de muitas coisas e aproveitarei esse período para meu crescimento espiritual em direção à conversão verdadeira.
    Essa metáfora da migração da Babilônia que Wolfgang Simson nos relata me fez lembrar de um testemunho de um inglês filho de poloneses católicos praticantes que nos contou a história da sua migração da Babilônia para o Cristianismo puro e simples. Seu nome é Peter Slomski e o título do vídeo é From Polish Catholicism to Trusting in Jesus Christ Alone e encontra – se no YouTube.

Comentários encerrados.

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