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Obama e Israel: o que fazer?

24 de novembro de 2009

Por Rogério Simões.

Barrack Obama

Barrack Obama

Barack Obama tem muitos abacaxis para descascar, disso ninguém duvida. O emprego de presidente dos Estados Unidos nunca foi dos mais simples, ainda mais depois de oito conturbados anos de George W. Bush. Eu mesmo disse aqui, um ano atrás, que Obama teria verdadeiros trabalhos de Hércules pela frente. A lista nem incluía o conflito entre israelenses e palestinos/árabes, problema que segue na pauta de todo líder americano desde a criação do Estado judeu, em 1948. Mas Obama decidiu enfrentar o tema logo nos seus primeiros meses de mandato.

De um lado, reafirmou o compromisso histórico dos Estados Unidos com a segurança de Israel. De outro, confirmou seu apoio à criação de um Estado palestino e fez o que parecia uma tarefa fácil: exigiu do governo israelense a suspensão da construção de assentamentos judaicos em áreas palestinas ocupadas desde 1967 (Cisjordânia e Jerusalém Oriental).

Israel, entretanto, decidiu dificultar a vida de Obama. Nesta semana, o governo israelense provocou um dos maiores constrangimentos já feitos a um ocupante da Casa Branca pelo tradicional aliado. Depois de vários pedidos públicos do governo americano para que nenhuma nova moradia fosse construída em áreas ocupadas, autoridades israelenses decidiram aprovar o projeto para 900 novas residências no assentamento de Gilo, nas redondezas de Jerusalém, em local tomado por Israel na Guerra dos Seis Dias. O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que a decisão deixou os Estados Unidos consternados e “dificulta” os esforços pela paz. O próprio Obama disse mais tarde que a medida era perigosa para a região e ruim para a segurança de Israel.

É verdade que o atual premiê israelense, o conservador Binyamin Netanyahu, chegou a poder com a clara determinação de ser duro nas negociações com os palestinos. O primeiro-ministro demorou para sinalizar disposição para sentar com o outro lado do conflito e, agora que admite a possibilidade, diz não aceitar nenhuma pré-condição para o diálogo. Tal posição ignora os apelos da Casa Branca, deixando Obama em situação constrangedora.

Israel é o maior receptor de ajuda americana do mundo, atualmente beneficiado por um acordo assinado por Bush e válido por dez anos, que lhe garante quase US$ 3 bilhões anuais em ajuda militar. O governo isralense sabe que o país não sobrevive sem o apoio financeiro e político de Washington. Mas, caso continue se recusando a atender os pedidos do presidente americano para que suspenda a expansão de assentamentos, será que Israel será punido de alguma forma? O lobby pró-Israel nos Estados Unidos é extremamente forte, e seria difícil para qualquer presidente americano desagradar essa significativa força política interna.

Considerando que Obama esteja mesmo sendo sincero na sua pressão sobre o histórico aliado, o que ele pode fazer contra Israel? Netanyahu parece acreditar que nada. Mas o presidente americano, que recebeu o Nobel da Paz sem ainda ter obtido resultados concretos nesse campo, não deverá desistir facilmente.

Fonte: BBC Brasil.

Estamos vivendo tempos apocalípticos. Apoiar Israel se tornará cada dia mais difícil, pois os interesses do Estado Judeu entrarão em choque com os da comunidade internacional, até mesmo com a de seu padrinho: o Tio Sam.

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One Comment
  1. Evelin Olívia Fróes permalink
    24 de novembro de 2009 20:53

    É o Secularismo que impede a comunidade internacional de apoiar Israel. A maioria não compreende que aquela terra pertence aos israelitas e não aos palestinos, árabes, etc. Simplesmente é impossível compreender os recorrentes conflitos no Oriente Médio entre Israel e seus vizinhos e apoiá – lo sem conhecimento bíblico.

Comentários encerrados.

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