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A Cruzada de Dawkins contra a Fé

22 de novembro de 2009

O biólogo britânico Richard Dawkins tomou para si uma missão: pregar a descrença em Deus. Para ele, as religiões têm uma tendência a fazer os fiéis cometer atos condenáveis e só sobrevivem porque ainda existe ignorância no planeta. Dawkins afirma que, para o bem do planeta, os ateus devem deixar a timidez de lado. Desde o lançamento do best-seller internacional “Deus – Um Delírio”, em 2006, Dawkins tem viajado pelo mundo em uma incansável cruzada a favor do ateísmo. Agora livre das obrigações acadêmicas desde que se aposentou de Oxford, em 2008, o biólogo desfere, em seu novo livro, o seu ataque mais ácido ao criacionismo. A reportagem é da Revista Época:

Richard Dawkins

Richard Dawkins

O biólogo inglês Richard Dawkins, 68 anos, é sem sombra de dúvida o maior divulgador vivo da teoria da evolução. Seu primeiro livro, O gene egoísta (1976), inspirou uma geração de estudantes de biologia, enquanto o penúltimo, Deus, um delírio (2006), serviu como um poderoso argumento para elevar a autoestima dos ateus, incentivando-os a sair do armário. Com o seu novo livro, esplendidamente intitulado de O maior espetáculo da Terra – As evidências da evolução (Editora Companhia das Letras, 475 páginas, R$ 53), Dawkins faz uma defesa inabalável da teoria da evolução, formulada há exatos 150 anos por Charles Darwin, com a publicação de A origem das espécies (1959).

O objetivo de Dawkins é justificar a validade da teoria ao público leigo – e avesso – à evolução. Sua meta é converter a massa ignara que, em nome de convicções religiosas, insiste em dar as costas ao princípio basilar das biociências, da genética e da medicina do século XXI.

Partir do princípio de que seu público-alvo é estúpido não seria um bom ponto de partida para o livro. No entanto, é precisamente isto o que Dawkins faz nesta sua cruzada científica evangelizadora. Ele inicia citando dois livros seus antigos, apenas para observar que, quando os escreveu nos anos 1980, “as pessoas eram, aparentemente, mais inteligentes” e ele não precisava argumentar que a evolução de fato aconteceu. “Não parecia ser necessário”, diz.

Estava enganado. Prova disso é a expansão, principalmente nos Estados Unidos, do criacionismo, movimento pseudo-científico que renega Darwin, e defende a necessidade de uma “inteligência superior” para justificar a complexidade da vida e do universo. Definido quem é o inimigo a ser enfrentado, Dawkins, já no primeiro capítulo, compara a sua tarefa à de um professor de história forçado a ensinar “um bando de ignorantes (…) À exceção daqueles lamentavelmente desinformados, é obrigação de todos aceitarem a evolução como um fato”.

Em cada capítulo, Dawkins destila ironia. “Este não é um livro antirreligioso”, afirma, antes de começar a bater sem dó nos dogmas religiosos. “Deus, é bom repetir o que deveria ser óbvio, mas não é, jamais criou uma asinha”, qualquer. Para Dawkins, os jovens criacionistas foram “iludidos até as raias da perversidade”. Tem-se a impressão de que Dawkins não consegue controlar sua ira. Ou melhor, desde que se aposentou em 2008 da Universidade de Oxford, Dawkins não tem mais porque refrear o seu ímpeto antirreligioso.

O Maior Espetáculo da Terra não é um mau livro – Dawkins não saberia escrever algo que fosse ruim. No entanto, pode-se perguntar por que ele perde tanto tempo tentando argumentar com os criacionistas. Todos nós sabemos que os criacionistas não são pensadores racionais. Eles são movidos por suas crenças, não pela lógica. Eis aí a justificativa da profissão de fé deste grande cientista. Dawkins não tem medo de ser politicamente incorreto. Não tem papas na língua. Não tem medo de criar polêmica nem chamar os criacionistas de imbecis. A única coisa que Dawkins teme é a ignorância.

Fonte: Revista Época.

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5 Comentários
  1. Evelin Olívia Fróes permalink
    22 de novembro de 2009 22:13

    Ignorante e imbecil é o Richard Dawkins e o jornalista que escreveu essa baboseira na Revista Época: ambos cabularam aulas de História: o maior genocídio do século XX foi perpetrado por ateus tão convictos quanto Dawkins nas ditaduras comunistas da Rússia, da China, da Coréia do Norte, de Cuba e de países do Leste Europeu e do centro da Ásia que formaram a extinta URSS. É muita desonestidade intelectual! Não é de hoje que os ignorantes jornalistas brasileiros chamam Design Inteligente de Criacionismo, mal sabem esses pobres coitados que existe um abismo entre Criacionismo e Design Inteligente. Ignorância é promover uma verdadeira caça às bruxas, a volta da Inquisição nos EUA e na Inglaterra contra cientistas e filósofos proponentes do DI, como bem mostra o documentário conduzido por Ben Stein Expelled: No Intelligence Allowed. Para os brasileiros que vivem no Brasil esse documentário pode ser visto na íntegra com legendas em português no You Tube.
    Faz um tempo que eu esperava uma oportunidade para falar do Design Inteligente no seu blog, graças a Deus que a oportunidade chegou!

  2. Evelin Olívia Fróes permalink
    23 de novembro de 2009 17:00

    Hugo, você já assistiu ao documentário do Ben Stein Expelled: No Intelligence Allowed? O que achou dele? Eu gostei muito é bem irreverente, quem gosta de Michael Moore vai apreciá – lo. É pena que ele não tenha sido lançado no Brasil!

  3. Evelin Olívia Fróes permalink
    25 de novembro de 2009 18:36

    E aí Hugo, você já conseguiu assistir ao documentário na íntegra? O que achou?
    Sabe, numa situação em que esses cientistas brilhantes estão sendo perseguidos, não apenas pelos seus pares, mas pela mídia, pelos ministérios e secretarias de Educação em vários países, portanto eles não têm vez e nem voz, é importante que esse documentário seja essencialmente copyleft. Para que eles possam se fazer ouvir esse documentário deve ser disponibilizado gratuitamente ao maior número de pessoas possível no mundo. Não consigo vislumbrar alternativa. Somente a radical democratização do acesso à informação é que pode criar massa crítica para as pessoas começarem a questionar o establishment científico, jornalístico e educacional no mundo e finalmente o povo poder derrubar um outro “muro de Berlin”: o científico.

  4. Hugo permalink*
    26 de novembro de 2009 19:12

    Muito bom o documentário.

  5. Evelin Fróes permalink
    1 de janeiro de 2010 3:14

    Hugo, aproveito esse espaço para fazer uma retratação. O Enézio de Almeida Filho, mestre e doutorando em História da Ciência pela PUC – SP e um dos fundadores do Núcleo Brasileiro de Design Inteligente disse no seu blog Desafiando a Nomenklatura Científica que ele não está nem um pouco feliz com o copyleft de vídeos e outros materiais de Design Inteligente. Ele entrou em contato com os blogueiros que utilizam esses materiais sem autorização de seus autores previamente e eles retiraram os vídeos, etc. Apesar de os proponentes do DI no Brasil lutarem pela divulgação do DI no País, eles querem que isso seja feito respeitando o Direito Autoral. Portanto, acabo de retirar o que previamente disse.

Comentários encerrados.

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