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Seriado da Globo satiriza mercantilismo religioso nas igrejas evangélicas

16 de novembro de 2009

Por Daniel Castro

Roque (esquerda) e Queixão (direita), conhecido também como "Bispo Moisés".

Roque (esquerda) e Queixão (direita), conhecido também como "Bispo Moisés".

Ó Paí, Ó é um daqueles seriados de TV, filhotes de cinema, que se saem melhor do que o filme que os gerou. Isso já aconteceu com Antônia (2006). Mas não é regra. Com Carandiru foi o contrário. A série Carandiru – Outras Histórias (2005) não chegava nem aos pés do filme de Hector Babenco que a inspirou.

A estreia da segunda temporada de Ó Paí, Ó, ontem à noite na Globo, no entanto, revelou um programa que perdeu a mão. Ou melhor, a graça.

As agruras de um grupo de moradores de um cortiço do Pelourinho, em Salvador, se transformaram em um editorial contra as igrejas evangélicas. A graça que existia nas tiradas de humor sobre os conflitos entre evangélicos e adeptos do candomblé deu lugar a uma piada repetida à exaustão.

No episódio, o cortiço do Pelourinho treme justamente quando Roque (Lázaro Ramos), o protagonista, ensaia sua nova música, que inscreveu em um festival. Eis que aparece Queixão (o ótimo Matheus Nachtergaele), o vilão do seriado, o bandidão, na pele de um pastor impostor. Apontando um arma, Queixão (agora bispo Moisés) expulsa e rouba o pastor da área e funda no cortiço a Igreja do Tremor Divino. E passa a equipar a igreja a preços superfaturados.

Está dada a deixa para uma série de situações que os evangélicos, provavelmente, não acharam a menor graça. Há um festival de piadas sobre o dízimo. Tem até uma faixa na linha “Deposite aqui o seu dízimo”. Tentam cobrar dízimo até sobre o prêmio que Roque ganhou no festival de axé.

A crítica à mercantilização da fé, que era sutil na primeira temporada, tornou-se escrachada, agresssiva. Você discorda? OK. Então agora imagina uma rede de TV fazendo um programa em que o vilão é um padre pedófilo. Pegaria pesado, não?

Aparentemente, até Ó Paí, Ó entrou na guerra entre a Globo e a Record e a Igreja Universal do Reino de Deus.

Fonte: Daniel Castro.

Na opinião do jornalista, a Globo está trocando piadas por agressão. Vale ressaltar que sua parcialidade é questionável, visto que agora trabalha para a R7, que pertence à Rede Record. Penso que devemos questionar se, em sua suposta guerra contra os evangélicos (mais precisamente contra a IURD), certas atitudes da Globo partem de uma mera “evangelicofobia” ou se estão baseadas em fatos concretos. Os evangélicos, ao invés de se escandalizarem, deveriam refletir profundamente acerca de algumas práticas adotadas por alguns segmentos da Igreja. Pode ser que as mulas de Balaão estejam profetizando mais uma vez.

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9 Comentários
  1. Luciano Martins permalink
    17 de novembro de 2009 12:08

    Caramba….

    OS caras conseguem comprar todo mundo….

    Não sei se vcs se lembram, mas o Daniel Castro ascendeu o pavio , para a guerra entre a folha a rede Record, levando a Record a fazer várias reportagens contra a folha de São Paulo, este ano, acho que uns 3 meses atrás.

    Aí está um vídeo de defesa da Record: http://www.youtube.com/watch?v=DRh1L2FO8E8

    Observem que as matérias contra a Record, são da Coluna “Outro Canal”, da qual Daniel Castro era Responsável.

    Mas, como ele anda no curso do mundo, então tá tudo normal….

  2. Hugo permalink*
    17 de novembro de 2009 14:14

    Luciano, a estratégia da IURD é o que se diz por aqui:

    “Keep you friends close and your enemies closer”. / “Mantenha seus amigos por perto, e seus inimigos mais perto ainda”.

    Quando se tem dinheiro, compra-se o silêncio e transforma-se adversários em aliados.

  3. Evelin Olívia Fróes permalink
    18 de novembro de 2009 21:42

    A Record aproveita a ignorância bíblica do povão para manipular e extorquir! Uma vez foi o suficiente para eu nunca mais querer por os meus pés lá novamente. Deus me colocou na IURD no dia certo: no dia da campanha de Gideão, a forma de os pastores cobrarem o dízimo é agressiva e chantagista. Não sei porque as igrejas neopentecostais são tão dinheiristas! Eu gosto do programa Ó PAÍ Ó, é verdade mesmo: Deus foi substituído por Mamon! Essas igrejas não devem ser consideradas cristãs, são seitas e ponto!

  4. Evelin Olívia Fróes permalink
    21 de novembro de 2009 13:29

    OOOOps. Eu quis dizer IURD, e não Record. Foi um ato falho que Freud explica!

  5. 19 de fevereiro de 2010 10:08

    Apesar de ser verídico este tema. Eu faço uma pergunta: Viria algo que preste partindo da Rede Globo?

  6. Abdo Mucci de Mattos permalink
    19 de abril de 2010 12:09

    Sou professor e já vi alunos caírem na cilada da IURD. Nenhum deles foi abençoado materialmente. Ao contrário, perderam tudo e hoje vivem de favor.
    Estive na IURD por algum tempo. Caí fora quando notei que estavam tentando me extorquir.

  7. André Luis permalink
    18 de junho de 2010 15:49

    pra mim padres, pastores,igrejas e redes de TVS fazem parte de um monopólio sujo e lucrativo…

  8. Fábio permalink
    22 de outubro de 2011 20:44

    Padres fazem voto de POBREZA obediência e castidade… pq os pastores tb n o fazem ??

  9. 22 de outubro de 2011 20:46

    Nem a luxúria, nem pobreza. Nem lascívia, nem celibato obrigatório. Um extremo não se combate com outro.

Comentários encerrados.

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