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A Igreja Institucional versus a Igreja Orgânica

12 de novembro de 2009

Milhares de evangélicos e igrejas protestantes em todo o planeta dizem que “a Igreja é um organismo e não uma organização.” Infelizmente, para muitos esta expressão se tornou um mero chavão e muitas pessoas não têm a menor idéia do que isso quer realmente dizer na prática. Mas, afinal, como é uma comunidade que realmente vive e se expressa de forma orgânica? Neste artigo, Frank Viola fala a respeito de algumas diferenças entre uma igreja que opera de acordo com instintos e natureza orgânicos e uma igreja que opera como uma organização institucional (ou seja, uma igreja “organizada” ou “institucional”).

organicaAntes de nos aprofundarmos nas diferenças entre uma Igreja orgânica e uma Igreja institucional, permita-me ressaltar que o termo “igreja orgânica” está na moda nos dias atuais. Tornou-se comum diferentes tipos de igrejas usarem o termo para se descreverem. O mesmo acontece com o termo “igreja missional”. Ambas as expressões são como barro, sendo moldadas pelos mais diversos autores de formas diferentes. As vezes, extremamente diferentes.

Dito isso, entendamos que a experiência do Corpo de Cristo é algo totalmente orgânico. Isso é, brota da vida, da vida de Deus, e não de métodos organizacionais humanos. Claramente, a Igreja que vemos no Novo Testamento era totalmente “orgânica”. Em outras palavras, nasceu e foi sustentada por meio de uma vida espiritual, ao invés de ser construída por estruturas humanas. Usarei uma ilustração: uma laranja criada em laboratório não seria orgânica. Mas se eu plantasse uma semente no solo e nascesse uma laranjeira, esta árvore seria orgânica.

Em suma, a diferença entre uma igreja organizada e uma igreja orgânica é tão grande quanto refrescar-se em frente a um ventilador e ir para fora em um dia fresco. É a mesma diferença entre a General Motors e uma horta.

Organização versus Organismo

Vejamos de forma mais específica as diferenças entre uma expressão orgânica de igreja e uma forma organizada (ou institucional) de igreja:

Na Igreja institucional, a forma precede a vida da igreja. A Igreja começa com clérigos, cargos, programas, rituais, etc. Já em uma expressão orgânica, a forma da Igreja deriva da vida Igreja, assim como a forma do corpo humano deriva da vida do ser humano.

A Igreja institucional se sustenta no ministério de um clérigo ou ministro profissional. Em uma expressão orgânica de Igreja, não há clérigos ou ministros.

Na Igreja institucional, o clero se empenha em entusiasmar os leigos. A Igreja orgânica não reconhece tal distinção de classes.

Na Igreja institucional, certas funções estão limitadas aos “ordenados”. A Igreja orgânica reconhece todos os membros como sacerdotes atuantes.

Na Igreja institucional, seus congregantes são mantidos passivos durante o culto de domingo. Na Igreja orgânica, todos os membros são encorajados a participar nas reuniões da Igreja.

Na Igreja institucional, os membros associam a Igreja a um prédio, uma denominação ou um culto (normalmente no domingo). Na Igreja orgânica, enfatiza-se que as pessoas não vão à Igreja. Elas (juntas) são a Igreja. Essa não é uma mera afirmação “teologicamente correta”. É a experiência de seus membros.

A Igreja institucional é unida em torno de um conjunto de costumes e doutrinas. A Igreja orgânica é unida em torno de Jesus Cristo. Não há nenhum outro critério para a comunhão.

A Igreja institucional é sustentada por programas. A Igreja orgânica se sustenta nas relações construídas em Jesus Cristo.

A Igreja institucional depende de finanças para sobreviver – seus gastos principais são com a manutenção de prédios e cargos assalariados. A Igreja orgânica não depende de edifícios. Não há clérigos assalariados. Os recursos financeiros são gastos com “os pobres entre vós” e em obras extra-locais.

Na Igreja institucional, a liderança é hierárquica. Na igreja orgânica, a liderança emana do Corpo. No início, apóstolos 1 equipam a Igreja e, posteriormente, presbíteros emergem para juntos supervisionarem a comunidade.

Na Igreja institucional, as decisões são feitas por clérigos ou por uma junta de representantes eleitos. Na Igreja orgânica, decisões são tomadas coletivamente, em consenso.

Na Igreja institucional, o pastor é o líder e ministro da Igreja. Na Igreja orgânica, há uma pluralidade de pastores. Eles são homens dotados para cuidar do rebanho.

Na Igreja institucional, há uma forte ênfase na frequência dos cultos de domingo, na manutenção do edifício e no aumento das finanças. Na Igreja orgânica, a ênfase é buscar o Senhor Jesus Cristo coletivamente, em comunhão “cara a cara”. Todas as outras coisas nascem a partir desta experiência.

A Igreja institucional faz essencialmente a mesma coisa semana após semana, mês após mês, ano após ano – está atada a um ritual. A Igreja orgânica passa por fases. Não está atada a um ritual.

Na Igreja institucional, dons são vistos como cargos. Pessoas são colocadas nestes cargos desde o princípio. Na Igreja orgânica, dons não são vistos como cargos, e sim como funções. Eles emergem natural e organicamente com o tempo. Eles brotam da terra, e normalmente não carregam títulos.

Na Igreja institucional, é típico que os membros não se conheçam muito bem, e se vejam apenas semanalmente nos cultos da igreja. A Igreja orgânica é sedimentada na comunhão. Os membros são como uma família uns para os outros. Eles vivem uma vida compartilhada em Cristo.

Extraído e adaptado do artigo “Organizational vs. Organic” (por Frank Viola) na Revista Neue, Novembro 2009. O artigo original pode ser lido na íntegra aqui.

Tradução: Pão & Vinho.

NOTA:

[1] Do original em inglês church planters, ou seja, plantadores de igrejas, um termo que Frank Viola comumente usa para se referir ao obreiro apostólico que planta e auxilia igrejas em diversas localidades (nota do tradutor).


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3 Comentários
  1. Evelin Olívia Fróes permalink
    12 de novembro de 2009 8:06

    A igreja do 1º século está sendo restaurada. A Bíblia fala da restauração de todas as coisas no tempo do fim, antes de Jesus voltar. É isso aí! Só não sei como descobrir se existe uma igreja orgânica em Curitiba e perto da minha casa. Tentei enviar um e-mail para aquele site da Igreja nos Lares e não deu certo!

  2. 20 de abril de 2011 15:28

    Prezado Hugo, percebo que a crise das pessoas com a igreja institucional se dá em função das situações absurdas que ocorrem dentro dela,contudo , a geração neoprotestante precisa refletir sobre o processo que deu origem a tais situações.Quero indicar algumas leituras para esta compreensão: POR TRÁS DA CENA, de Alvaro Junior e Luiz Tarquinio(Ed.Raízes,2011) , CRISE EVANGÉLICA, de Luiz Tarquinio(Ed.Raízes,2011) , OS INIMIGOS DE CRISTO, de Luiz Tarquinio(Ed.Raízes,2011), A GRANDE LACUNA, de Richard Stearns(Ed.Garimpo,2011),PEREGRINOS DO NOVO SÉCULO, de Leonard Sweet(Ed.Garimpo,2011) e A MoRTE DA RAZÃO:UMA RESPOSTA AOS NEOATEUS, de Ravi Zacharias(Ed.Vida,2011). Já li todas elas e hoje compreendo melhor as crises da igreja institucional. A solução não é abandoná-la e ,sim, transformá-la com reflexão, debate, discussão,instrução e atitudes santas.Na igreja de Cristo quem ainda apresenta as soluções criativas é o Espírito Santo e não os homens vaidosos.Pode acreditar no que estou lhe dizendo!

  3. 5 de fevereiro de 2013 0:43

    Amo a Cristo e Ele me escolheu cedo quando eu tinha apenas 16 anos de idade. Desde então sempre estive em “cargos de liderança”na igreja institucional. Concluí um Seminário Teológico em 2010 sendo reconhecido como o melhor da turma e mais promissor. Ainda assim, nunca quis assumir um ministério tradicional e, acometido por problemas familiares, deixei-me distanciar da igreja institucional com a qual me decepcionei bastante. Mas a chama de Cristo sempre ardeu em meu coração, pois fui chamado para fazer a diferença. Não me conformo com a Igreja institucional, seus disparates, sua fome por riqueza, poder, fama e vaidade. Decepcionei-me com líderes que, mesmo reconhecendo a fraqueza da Instituição Humana, vivem sob seu domínio depressivamente. Pois, para onde correr? Dizem que fazer parte da “igreja”tem seus prós e seus contras. “Ganha-se” ao ter uma instituição ao seu lado, que obriga seus membros a reconhecê-lo, mas perde-se em liberdade. Liberdade de mente, de culto – perde-se dinheiro – o recurso dado a nós por Deus para fazermos justiça social, para o sustento próprio. Enfim, poderia dizer tanta coisa, mas o que eu desejo profundamente é conhecer a igreja orgânica, trazer para nosso lar pessoas que amam e estão dispostas a se reunir em prol do evangelho genuíno de Cristo. Muitas dessas pessoas que estão como eu machucadas, tristes, depressivas, pois foram abusadas espiritualmente dentro das muitas igrejas institucionais. Por favor, me ajudem, pois sou um servo de Cristo, nada mais. Nunca quis título de nobreza cristã algum, mas uma vida de amor, paz, justiça social e proclamação do Evangelho puro e simples de Cristo. Ajudem-me, por favor.

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