Skip to content

Entre o Velho e o Novo. Dura escolha…

8 de novembro de 2009

O desabafo é de Onir Prado e Marcelo Gualberto e reflete o coração de milhares de cristãos na atualidade. Que o Senhor nos ajude e nos devolva a planta da Casa de Deus, dando-nos a revelação do verdadeiro DNA da Ekklesia projetada por  aquele que a gerou pelos horrores de suas chagas.

indecisoEntre uma denominação histórica (tradicional) e uma neopentecostal, onde me encaixo? Se o modelo antigo, com seu aparelho burocrático e engessado, não funciona mais e a nova proposta de “igreja” vem com um enorme vazio de Palavra e seriedade, o que fazer?

Vejamos o tamanho da crise.

As igrejas de hoje têm inúmeros apóstolos, bispos e reverendos, mas pouquíssimos pastores. A coisa mais difícil é encontrar espaço na agenda do líder para um aconselhamento pastoral, afinal, os inúmeros compromissos com a televisão, rádio e os políticos de plantão não permitem que a ovelha perdida seja socorrida pelo seu “pastor”, principalmente se essa ovelha tiver “pouca lã”.

A liturgia do culto tradicional, sem vida e engessada, mais parece um cerimonial fúnebre onde todos estão mudos na presença de um morto que não ressuscitou.

O neoculto, por sua vez, é dividido em três partes: o louvor, composto de uma repetição sem fim dos chamados “cânticos espirituais”, convida o público a “namorar” Jesus, a sentar no seu colo e sentir seu calor, num estado de quase transe emocional. O ofertório (imenso) é o momento de textos fora do contexto para justificar pedidos de polpudas ofertas com taxa de retorno maior que prometiam o pessoal do “Boi Gordo”, com direito a uso de cartão de crédito e/ou débito. A palavra, sempre voltada a um evangelho triunfalista e reivindicatório que obriga Deus a atender todos os pedidos dos fiéis sob pena da não mais contribuir com o seu “reino aqui na Terra”.

A música é outro ponto que merece destaque. Com o aumento da chamada população evangélica, o mercado de cd’s tornou-se verdadeira mina de dinheiro para um seleto grupo que tem construído verdadeiros impérios financeiros, produzindo música de questionável qualidade técnica e duvidosa qualidade teológica. Esses grupos têm gravadoras, rádios, empresas de comunicação, editoras, agências de turismo, etc, tudo isso para “explorar” o emergente e ávido mercado dos irmãos…

Também merece atenção o lastimável envolvimento de denominações e de igrejas locais com o sistema político vigente, alguns chegando ao ponto de serem eleitos a fim de representar a Igreja de Cristo junto ao Estado como se o Deus Todo-Poderoso, que rege o universo, dependesse de um senador ou deputado para implantar Seu Reino na Terra.

Entre o “velho” e o “novo” existem ainda aquelas igrejas tradicionais que, com medo do êxodo dos poucos fiéis que lhe restam, tentam imitar as emergentes neopentecostais. Chega a ser ridículo. É como querer jogar tênis com as regras do frescobol. Embora existam semelhanças – duas raquetes, dois jogadores e uma bolinha – o jogo é completamente diferente.

Quanta tristeza e cansaço!

Creio que é chegada a hora da virada (seria uma reforma da reforma?). O velho modelo, gélido e sem vida, definha, enquanto o novo é vazio de conteúdo e coerência. Para onde ir? Parece que o chão da verdadeira Igreja sumiu e muitos estão sem rumo e desiludidos. É claro que, em ambos os lados, existem as exceções. Igrejas sérias que servem a Deus com temor e tremor. Muito pouco num Brasil continental. Por isso mesmo, quero convocar a todos os cristãos espalhados nas mais variadas denominações a uma cruzada de reflexão e ação onde a volta ao verdadeiro e simples evangelho seja o alvo de nossos esforços e orações.

Chega de engano e abuso espiritual. Pare, leia, questione, reflita. E que o Deus Todo Poderoso, Senhor da História e do Universo, tenha misericórdia dos cansados e confusos como eu.

Embora o texto esteja na primeira pessoa do singular, ele foi escrito a duas mãos. Mãos que se encontraram num caloroso aperto no inverno de 1995. De lá pra cá, nasceu uma amizade regada a boas conversas e grandes desabafos como esse que agora você acabou de ler.

Fonte: Cartesiano Finito.

Anúncios
One Comment
  1. Evelin Olívia Fróes permalink
    8 de novembro de 2009 16:40

    Eu já estive nas duas igrejas, a tradicional e a neopentecostal. Esse ano concluí: não me encaixo em nenhuma delas, não me adapto mais à igreja evangélica ou à religião protestante. Eu me identifico mais com o Judaísmo Messiânico. Eu já frequentei várias denominações cristãs (católica, evangelho quadrangular, duas visitas à batista, Deus é amor, presbiteriana, uma visita à IURD, duas à Assembléia de Deus) e a única denominação que trouxe paz ao meu coração, uma sensação de leveza que eu nunca havia sentido em nenhuma outra denominação cristã é justamente o Judaísmo Messiânico. Um amigo cristão de correspondências me disse que a paz que sinto no coração é sinal de que Deus me quer congregando com os judeus. Eu acredito nisso. Eu preciso estar com pessoas que possam me ajudar, me orientar, pois as igrejas evangélicas e suas doutrinas têm confundido minha mente. Estou em busca da verdade sobre conversão verdadeira, salvação, regeneração e as doutrinas protestantes são confusas demais para mim. Eu sei que o justo vive pela fé, mas a doutrina judaico messiânica faz sentido para mim: restauração do caráter pelo estudo sistemático da Torah – conversão (arrependimento) – salvação e senhorio de Jesus Cristo com fé, honestidade e humildade – batismo no Espírito Santo – regeneração. Já a doutrina evangélica é confusa e não faz sentido para mim: conversão (arrependimento) – salvação pela fé sem senhorio de Jesus – batismo pelo Espírito Santo – estudo da Bíblia sem sistematização – regeneração. Enquanto os judeus pregam que a fé deve vir acompanhada necessariamente das obras, os evangélicos pregam apenas a fé sem obras (aquela fé morta denunciada por Tiago). Enquanto os judeus ensinam que fé é confiança, entrega e obediência, os evangélicos ensinam que a fé é apenas confiança porque obediência é legalismo (evangélico A – DO – RA falar mal de um suposto legalismo bíblico, o que não ajuda em nada, pelo menos para mim mais atrapalha do que ajuda). Os judeus ensinam que paz (shalom) é plenitude, os evangélicos ensinam que paz é tranquilidade.
    Quando digo evangélicos estou obviamente generalizando, tratando da grande maioria, da experiência que tive com as igrejas evangélicas e com o pouco que aprendi (pois convivi pouco) com os judeus da nova aliança. É óbvio que existem as exceções e são justamente as exceções que estão começando a verificar a crise da igreja e denunciar suas mazelas ao invés de compactuar com elas.
    Uma das coisas que mais me indigna é que a igreja evangélica criou um tabu em torno da Torah, um livro que nos ajuda e muito na conversão, pois funciona como um espelho. Ao tomarmos conhecimento das leis de Deus, Seus estatutos, promessas de bênçãos por obediência e ameaças de maldições por desobediência Deus nos mostra nossos pecados. Se nós não conhecermos nossos pecados, como poderemos nos arrepender e converter? O Apóstolo Paulo já escreveu sobre isso nas suas espístolas, mas parece que poucas igrejas evangélicas compreendem suas cartas. Penso que as únicas denominações que tenho notícia que concordam com o Judaísmo Messiânico de que inexiste dicotomia entre Lei e Graça e Fé e Obras são a igreja adventistae a seita igreja de Deus unida. Se eu estiver errada Hugo, por favor me corrija, mas talvez a metodista também tenha uma teologia assim.
    Eu simplesmente não consigo congregar nem me converter se eu estiver numa igreja cuja doutrina é esquizofrênica, baseada em falsas dicotomias que não possuem base bíblica. As dicotomias entre Lei e Graça, Fé e Obras são falsas! e não contribuem em nada para a conversão verdadeira e a salvação e regeneração de pecadores. Enquanto eu não tenho ainda nenhum tipo de experiência sobrenatural com Jesus Cristo eu sigo na minha caminhada espiritual pela trilha onde Deus me colocar.

Comentários encerrados.

%d blogueiros gostam disto: