Skip to content

A Terceira Reforma

25 de outubro de 2009

Há 500 anos atrás, Deus usou alguns homens dotados de uma veia profética para romper com um milênio de trevas na Igreja. Deixamos Roma, e começamos então nossa jornada de partida de Babilônia rumo à Sião. A maioria dos evangélicos, no entanto, pensa que a Reforma do século XVI – que produziu Lutero, Calvino e Zwinglio – é o final da agenda restauracionista de Deus. Mas, na verdade, a Reforma Protestante foi somente o início deste processo, como nos explica Márcio da Rocha:

reformaHoje nos encontramos em meio à uma terceira Reforma da igreja cristã.

A primeira Reforma aconteceu no século XVI, com Martinho Lutero , Calvino e outros. Esses irmãos redescobriram a essência da mensagem do Evangelho de Jesus Cristo: a salvação mediante a fé, pela graça de Deus. Uma reforma, portanto, eminentemente teológica.

A segunda Reforma ocorreu no início do século XVIII, por influência do movimento Pietista. Os adeptos do movimento Pietista redescobriram a bênção do relacionamento pessoal, da intimidade com Cristo pela fé. Isto ocasionou a reforma da espiritualidade, a volta da busca pessoal ao Deus amoroso, e da leitura devocional da Bíblia. Esta segunda reforma impulsionou um movimento missionário muito forte nos anos seguintes.

A Reforma de Lutero e Calvino reportou-se ao conteúdo do Evangelho, à essência da mensagem cristã, mas não modificou a forma de organização da igreja nem a estrutura básica dos cultos a Deus. O vinho novo do Evangelho continuou sendo colocado no odre velho do catolicismo, que por sua vez espelha-se no Judaísmo, com seus templos, sacerdotes (ou ministros) exclusivos e rituais solenes e altamente formais. A divisão dos cristãos em duas categorias ou “castas” – o clero e os leigos – continuou intacta, mesmo depois da primeira Reforma. Os leigos continuaram expectadores passivos nos cultos, enquanto uma meia dúzia de ministros atuavam para eles. O Sacerdócio Universal de Todos os Crentes, doutrina proclamada e defendida pelos primeiros reformistas, não conseguiu vencer a teoria. Na prática, continuou-se a vivenciar “o sacerdócio de alguns crentes”.

A segunda Reforma, promovida pelo Pietismo, embora tenha restaurado a benção do relacionamento pessoal do cristão com o seu Senhor, também não promoveu mudança na forma nem na estrutura da igreja: o odre velho continuava a ser usado para veicular o vinho novo.

A Terceira Reforma, a qual vivemos hoje, é a restauração da forma e da estrutura primitiva da igreja. Milhões de cristãos no mundo todo estão abandonando as igrejas formais e institucionais, e passando a se reunir como a igreja primitiva, nos lares, de forma orgânica e participativa, sem ministros ordenados, nem templos, nem dia sagrado, nem dinheiro para sustentá-los. Trata-se de um novo (porém antigo) enfoque global da igreja, cujo modelo é baseado no Novo Testamento e não no Velho Testamento.

Esta terceira reforma está trazendo às pessoas, de novo, a participação ativa nos cultos. O sacerdócio é de todos os crentes. Todos ministram com seus dons e talentos durante as reuniões das igrejas nos lares. Todos edificam e todos são edificados. Todos falam e ouvem. Todos oram, todos escolhem e ministram as canções. Todos batizam os novos convertidos. Todos ceiam a ceia do Senhor – comida farta, pão e vinho. Os homens mais velhos e mais maduros espiritualmente – os presbíteros – lideram essas igrejas e cuidam para que não surjam heresias no povo de Deus. Tudo é feito com ordem e decência. Fora das reuniões, uns pastoreiam outros, cuidando uns dos outros, provendo as necessidades do corpo de Cristo.

Também esta terceira reforma permitiu a volta de um tipo de igreja incomparavelmente menos dispendiosa financeiramente do que a igreja de pastores. Sem ministros profissionais, nem edifícios para manter, nem funcionários, as igrejas nos lares proliferam aos montes nas ruas das cidades e povoados do mundo, quase que sem a necessidade de arrecadar dinheiro. Elas não estão ligadas à denominações ou macro-corporações. São simplesmente igrejas, ligadas diretamente ao Senhor e interdependentes, por amor a ele. Já não se sabe hoje quantas existem. Ninguém as controla, a não ser o Senhor.

A Terceira Reforma é a reforma da forma da igreja. A igreja com a teologia reformada, com o relacionamento pessoal com Cristo reformado, e com esta nova (e ao mesmo tempo primitiva) forma e modelo, vai crescer muitíssimo, como a igreja do primeiro século. E provavelmente vai cair nas graças do povo, à medida em que o Senhor acrescenta dia-a-dia os que serão salvos, até que Ele volte fisicamente.

Fonte: Igreja Orgânica

Anúncios

Comentários encerrados.

%d blogueiros gostam disto: