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Wesley: "Chamem-me de canalha, mas não me chamem de Bispo"

16 de outubro de 2009
John Wesley

John Wesley

John Wesley era conhecido por seu temperamento equilibrado e disposição calma. Havia, porém, algumas coisas que conseguiam “tirá-lo do sério”.

Uma das ocasiões em que Wesley perdeu a calma foi quando surgiu um incidente envolvendo os dois homens de confiança que estavam à frente do trabalho missionário na recém-nascida república dos Estados Unidos da América, Francis Asbury e Thomas Coke.

Em 1784, Wesley havia autorizado a organização das sociedades metodistas na América como uma igreja independente da Igreja Anglicana (embora esse nunca fosse o seu desejo) e a ordenação de Asbury e Coke como superintendentes para servir às igrejas naquele continente. Ao invés de usar o termo indicado por Wesley, eles passaram a adotar o título de bispo.

Em 1788, Wesley escreveu uma carta indignada para Francis Asbury, que seria a última comunicação entre os dois:

… Mas em um ponto, meu querido irmão, estou um pouco receoso de que tanto o Doutor [Thomas Coke] quanto você difiram de mim. Eu me esforço para ser pequeno – vocês para serem grandes. Eu me arrasto no chão – vocês se empertigam. Eu fundo uma escola – vocês uma faculdade! Sim, e ainda colocam nela seus próprios nomes [Cokesbury College, derivado de Coke e Asbury]. Oh, tomem cuidado! Não procurem se tornar grandes! Que eu seja nada e Cristo seja tudo em todos!

Um exemplo disso, dessa sua grandeza, tem-me causado grande preocupação. Como você pode, como você ousa permitir que seja chamado Bispo? Eu estremeço, tenho arrepios só de pensar em tal coisa! Que os homens me chamem de patife, de tolo, de canalha, e ficarei contente; mas jamais, por meu consentimento, me chamarão de Bispo! Por amor a mim, por amor a Deus, por amor a Cristo, coloque um fim nessa história. […]

Dessa forma, meu querido Franky, tenho dito tudo que está no meu coração. E que estas palavras, quando eu não mais estiver aqui, possam dar testemunho da sinceridade com que sou…

Seu afetuoso amigo e irmão,

John Wesley

A carta não mudou o ponto de vista dos líderes metodistas na América nem a prática usada até hoje na igreja fundada por John Wesley.

Fonte: Revista Impacto, edição 48.

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8 Comentários
  1. Evelin Olívia Fróes permalink
    16 de outubro de 2009 10:09

    Faz bem estudar a História da igreja, só assim para a sociedade livrar – se de preconceitos e parar de confundir John Wesley com o “Bispo” Edir Macedo! Do jeito que os católicos raciocinam é como se só os bispos católicos fossem santos…

  2. 20 de outubro de 2009 17:36

    Uauuuu!
    como desejo ter esse entendimento espiritual!, o que o nosso amado irmão ( que esta com Cristo) expressa nessa carta, deveria ser lido em toda a igreja, e todos os líders hj, deveriam parar para refletir sobre tal assunto….
    Quero muito que o Espírito Santo me ensine a ser servo e não o que a religião me pede para ser!!!

  3. Hugo permalink*
    30 de outubro de 2009 20:03

    “Bispo” já é coisa do passado. Coisa de “ralé”…

    Por aqui conheci uma igreja negra americana que criou um novo título: ARCEBISPO. Pensando bem, acho que não é tão novo assim …

    Depois de 500 anos de história, estamos voltando ao catolicismo. O homem e seus desvaneios. Qual será o próximo: vice-Deus?

  4. Evelin Olívia Fróes permalink
    30 de outubro de 2009 22:21

    Hugo, até chegar a vice – deus ainda tem um bom percurso… cardeal, Papa… se bem que Papa é Vigário de Cristo e me informaram que vigário é uma palavra de origem grega que significa substituto. Confere? Se for… SOCORRO!

  5. Hugo permalink*
    30 de outubro de 2009 23:35

    Não se engane, Evelin. Alguns evangélicos são bem mais rápidos e menos burocráticos que do que os católicos nesta questão. O percurso pode ser mais rápido do que você imagina.

    Mas o que faz alta a sua porta, facilita-lhe a própria queda (Prov. 17:19).

  6. Evelin Olívia Fróes permalink
    31 de outubro de 2009 11:23

    Esse provérbio do Rei Salomão é bem parecido com outro: “Quanto maior a altura, maior é a queda.” É mesmo uma verdade, não importa se a velocidade para se chegar ao topo da burocracia é meteórica ou lenta.

  7. 14 de julho de 2013 14:55

    Eu também prefiro que me chame de cachorro do que pastor. porque se me chamar de cachorro me humilha e pastor me exalta, prefiro ser humilhado do que exaltado. É também o mandamento de Jesus… e a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso pai, aquele que está nos céus. Mat 23:9-11. O que Jesus disse é: não chameis ninguém de papa, padre, bispo, apostolo, pastor, profeta, etc. todos os ofícios exalta o homem, Jesus deixou os dons de apóstolos, profetas, evangelista, pastor e doutor, Ef. 4:11. O ofício exata o homem os dons humilha. os dons é legitimo os ofícios é maligno. O maio é o servo. Quem não serve, não serve.

  8. 14 de julho de 2013 15:02

    Estou com John Wesley, que não deixou ser exaltado, porque a exaltação traz orgulho e é do diabo, a humildade é Deus. A quantidade de orgulho mostra exatamente a quantidade de demônio que a pessoa tem dentro de se mesma, e a quantidade de humildade é exatamente o tanto de Deus na pessoa.
    Quem se exaltar será humilhado e quem humilhar será exaltado.
    Amém.

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