Skip to content

Por Que Jesus Ainda Não Voltou?

1 de outubro de 2009

Por Harold Walker

Maranata!Por que Jesus não voltou ainda? A resposta a essa pergunta é de vital importância para cada um de nós, não só por causa de suas implicações escatológicas, mas também porque afeta nossa visão de Deus, de nós mesmos e do mundo.

Quero fazer uma afirmação que provavelmente irá chocá-lo: se Jesus pode voltar a qualquer momento (conforme se ensina na maioria das igrejas hoje), o mundo não tem propósito, a Bíblia não tem sentido e Deus é um ser arbitrário, incoerente e imprevisível. Calma! Podemos respirar aliviados, porque nada disso é verdade! Por outro lado, a única conclusão lógica é que JESUS NÃO PODE VOLTAR A QUALQUER MOMENTO.

Antes de fechar o coração e a mente, veja, por favor, o que dizem os seguintes textos bíblicos e acompanhe as minhas conclusões:

…a fim de que […] envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus, ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade (At 3.20,21).

Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés (Hb 10.12,13).

Se estudarmos as Escrituras com atenção, veremos que Deus é um Deus coerente, que “faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade” (Ef 1.11). Ele criou o mundo e o homem com um propósito, e a história não terminará antes que esse propósito se realize.

Da mesma forma que a primeira vinda de Cristo não aconteceu num momento escolhido aleatoriamente por Deus, mas na “plenitude dos tempos” (Gl 4.4), a segunda vinda de Cristo não pode ocorrer a qualquer momento da história. Jesus só poderá voltar quando tiver acontecido tudo o que Deus falou pela boca dos profetas. Ele virá, pela segunda vez, quando a obra que começou na primeira estiver realizada (Ef 5.25-27; Is 53.10-12).

Se isso é tão evidente biblicamente, como o povo de Deus, de modo geral, foi levado a pensar de forma contrária? A resposta é que a forte influência humanista da nossa cultura de origem greco-romana levou-nos para muito longe da herança judaico-cristã, sem nos apercebermos disso. O humanismo afirma que o homem e sua realização pessoal são a medida de todas as coisas. A Bíblia, porém, declara que Deus e sua satisfação e glória são o centro do universo.

Se Jesus realmente encontrar fé na Terra quando voltar (Lc 18.8), será porque a igreja passou por um processo de desintoxicação dessas influências que contaminaram o evangelho. Temos enfatizado coisas que o evangelho não enfatiza e, às vezes, nem sequer existem nele. Temos colocado o foco na salvação individual, na bênção de Deus sobre os empreendimentos pessoais e na realização de nossos próprios alvos nesta vida terrena. E, com todo nosso senso ocidental de precaução e previdência, diante da eventualidade de um cataclismo final, temos procurado garantir a segurança e a felicidade individuais na vida por vir.

Todavia, no meio de tudo isso, perderam-se, quase por completo, o senso de propósito divino na história e a percepção de que nossa vida individual só tem valor na medida em que contribui para o cumprimento desse propósito. Dentro desse tipo de cosmovisão incompleta, Deus torna-se apenas um grande vovô bondoso no céu, cujo único propósito é ver-nos felizes. Para completar, adotamos a visão escatológica de uma volta imprevisível de Cristo sem nenhuma razão ou propósito de acontecer mais em determinado momento do que em outro.

Se, de fato, Deus pudesse enviar Jesus a qualquer momento, ele realmente seria culpado das acusações que muitos lhe fazem por causa de tantas injustiças e sofrimentos que acontecem, a cada hora, neste planeta conturbado. Se não é necessário ter um bom motivo para terminar a história, então, quanto mais rápido Jesus voltasse, menos pessoas sofreriam, e menos maldades seriam cometidas.

Deus, porém, tem um propósito eterno tão glorioso e maravilhoso que todas as terríveis tragédias da história empalidecem e perdem importância diante de sua magnitude. É só por causa dessa visão do alvo final que Deus suporta a dor excruciante que cada injustiça lhe causa. Assim como Jesus, que “pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia” (Hb 12.2), Deus suporta a continuação da história em virtude da emocionante expectativa do cumprimento de seu sonho.

Realmente Jesus disse que “a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai” (Mt 24.36). Contudo ele também alertou repetidamente sobre a necessidade de “vigiar” e ensinou: “Aprendei, pois, da figueira a sua parábola: Quando já o seu ramo se torna tenro e brota folhas, sabeis que está próximo o verão. Igualmente, quando virdes todas essas coisas, sabei que ele está próximo, mesmo às portas” (Mt 24.32,33). Isso significa que, ao mesmo tempo em que o mundo será pego totalmente de surpresa, o povo apercebido de Deus não o será (1 Ts 5.4,5).

Se estivermos vitalmente ligados ao cumprimento do propósito de Deus na Terra, acompanhando, ofegantes, cada passo de seu desenvolvimento, apesar de não sabermos o dia ou a hora, teremos absoluta certeza de sua proximidade.

O meu desejo sincero é que seu coração comece a arder de paixão e identificação com o Propósito Eterno de Deus, a ponto de você deixar suas ambições individualistas e egoístas para cooperar com o Senhor no cumprimento de seu sonho! Que o povo de Deus desperte do sono e da embriaguez espiritual e entenda sua missão como Noiva de Cristo, Templo de Deus, Expressão da Natureza e Imagem de Deus por toda a eternidade, e que cada um de nós coloque no altar seus alvos pessoais em prol dessa causa!

Extraído e adaptado da Revista Impacto, edição 57.

Anúncios
7 Comentários
  1. Evelin Olívia Fróes permalink
    2 de outubro de 2009 12:53

    Excelente mensagem! Restauração de todas as coisas me faz lembrar da restauração da Igreja do 1º Século, me faz lembrar do Judaísmo Messiânico, que, ao contrário das más línguas (aquelas que adoram apontar a heresia alheia ao invés de investigar as próprias) que é obra do mover do Espírito Santo. A restauração dde todas as coisas me lembra também da restauração de todas as tribos de Israel (devo confessar que sou Efraimita). E tem mais: Jesus está esperando a Noiva ficar pronta e eu penso que ela ainda não está pronta! Vamos levar algumas décadas ainda até que uma parte considerável da igreja esteja liberta dos ranços do antissemitismo, da Teologia da Substituição, do Romanismo que está presente inclusive em igrejas evangélicas históricas, da Teologia da Dominação, da Teologia da Prosperidade, da heresia de que a Graça anulou ou aboliu a Lei, da outra heresia que diz que uma vez salvo sempre salvo, da heresia que confunde santidade com legalismo, da heresia do Dispensacionalismo, do Paganismo, etc. Haja intoxicação para desintoxicar!

  2. Eribaldo permalink
    7 de outubro de 2009 9:19

    Os dois versículos apresentados acima não retiram o conceito de iminência. Eles não informam que quantidade estabelecida de tempo são necessário para que Jesus possa voltar.
    Ademais os crentes podem através da sua atitude para com o Senhor diminuir o tempo da sua vinda. Este tempo não é fixo e inalterado. (II Pedro 3:12)
    Creio que a Igreja primitiva aguardava com expectativa o aparecimento do senhor Jesus ainda durante o tempo de suas vidas. (Tito 2:13; Mateus 10:23; 1 Tessalonicenses 5:4; 2 Pedro 3:10; 1 Tessalonicenses 5:2
    As advertências do Senhor Jesus para ficarmos alertas não fazem sentido sem o conceito de iminência. (Mateus 24:44; Lucas 17:27)
    Da mesma forma em que os judeus da época de Cristo (até mesmo os seus discípulos antes de sua ressurreição) não enxergaram duas vindas intercaladas por um período de tempo com propósitos distintos de seu messias (1ª pagar o preço do pecado na cruz e 2ª trazer juízo estabelecendo o seu reino milenar ver Isaías 53), hoje vemos pessoas crentes que não acreditam que a sua segunda vinda também possui características que só podem ser harmonizadas em duas etapas. (o arrebatamento para a igreja (João 14:2,3; 1 Tessalonicenses 4:16,17; 1 Coríntios 15:51,52) e a aparição visível com a igreja quando todo olho o verá Apocalipse 1:7; Zacarias 14:5)
    Qual é essa incoerência que aponta para duas etapas durante a segunda vinda de Cristo (uma invisível para a igreja outra visível com a igreja para o mundo)?
    O arrebatamento ocorre em tempo de paz sem sinal algum (Mateus 24:44; Lucas 17:27; 1 Tessalonicenses 5:3; 1 Pedro 3:4;) e a segunda vinda em tempo de guerra com muitos sinais (Apocalipse 6); o arrebatamento (invisível) quando menos se esperar, e a segunda vinda (visível) depois de uma série de sinais terem sido cumpridos, quando não houver dúvidas que Cristo está às portas.
    Assim os dois eventos não podem ocorrer ao mesmo tempo.

    Graça e paz!
    Eribaldo.

  3. Hugo permalink*
    8 de outubro de 2009 16:19

    Olá Eribaldo,

    Obrigado por sua participação. Penso que uma boa parte de suas colocações já foram respondidas nos artigos O Pré-tribulacionismo e a Cronologia Bíblica, O Pré-tribulacionismo e o Ladrão da Noite e O Escapismo Pré-tribulacionista. Gostaria que você pudesse analisar estes textos e dar sua opinião.

    Ao meu ver, a incoerencia de um arrebatamento secreto é que, além de não aparecer na Bíblia, viola a cronologia escatológica. Se for sincero, admitirá que alguns textos usados por você para embasar um arrebatamento secreto não dizem absolutamente nada a respeito do assunto (João 14:2,3; 1 Tessalonicenses 4:16,17; 1 Coríntios 15:51,52). Outros textos, como Mat 24:44, são mal intepretados e extirpados de seu contexto.

    Não questiono sua sinceridade, mas muitas vezes lemos na Bíblia algo que ela mesmo não diz, porque fomos condicionados a enxergar certas coisas no texto pelas lentes do pré-tribulacionismo. A verdade é que as Escrituras em momento nenhum fazem menção a dois eventos distintos na volta de Cristo: uma vinda secreta (arrebatamento) e uma aparição pública. Os dois eventos são descritos por Cristo e seus apóstolos como parte de um único acontecimento na história: O Dia do Senhor.

    Não há dúvidas que os cristãos primitivos alimentavam uma expectativa do retorno do Senhor ainda em suas gerações, o que fica claramente comprovado em alguns dos textos que você citou. Entretanto, somente os mais ignorantes entendiam que este evento seria algo repentino, “randômico”, isolado no tempo e no espaço. Justamente por isso, Paulo se deu ao trabalho de esclarecer os Tessalonicenses que isso “não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição” (2 Ts 2:3). Ele nos adverte a não estarmos em trevas PARA QUE ESTE DIA NÃO NOS APANHE DE SURPRESA (1 Ts 5:4).

    Não podemos ler Mat 24:44 desprovido de seu CONTEXTO para sustentar a doutrina da iminência. O Senhor nos diz que o dia e a hora ninguém sabe (v.36), e adverte que “a hora em que não cuidais o Filho do Homem virá” (v. 44). Entretanto, o próprio Senhor nos adverte alguns versículos antes que deveríamos estar antentos aos sinais que precederiam esta volta. E ele disse claramente aos discípulos: QUANDO VIRDES TODAS ESTAS COISAS.

    Assim como 1 Ts 5:4, Mat 24:44 não é uma AFIRMAÇÃO generalizada a todo povo de Deus e sim uma ADVERTÊNCIA aos desatentos, aos “servos maus” (Mt 24:48) que conhecem a Palavra mas vivem de forma desregrada. Ele compara o Dia de sua vinda com os dias de Noé em que muitos foram pegos de surpresa. É bom lembrar que NOÉ E SUA FAMÍLIA NÃO FORAM PEGOS DE SURPRESA. Portanto, levando em consideração todo o CONTEXTO da passagem, entendemos que o Senhor está dizendo: “Prestem atenção aos sinais, pois quando verem estas coisas saberão que o Dia está próximo. A vocês, desatentos e negligentes, saibam que o dia do Senhor os agarrará de surpresa e, quando menos esperarem, virá sobre suas cabeças.”

    Quanto a 2 Pe 3:12, o verbete σπευδω – traduzido aqui como “apressar” – quer dizer também “DESEJAR ANSIOSAMENTE”. A versão João Ferreira de Almeida Atualizada diz “aguardando, e desejando ardentemente a vinda do dia de Deus”. De qualquer maneira, penso que podemos apressar a vinda de nosso Senhor quando oramos pela evangelização mundial e pela restauração da nação de Israel, que são alguns dos sinais profetizados pela Palavra de Deus que precederiam a volta do Senhor. Veja que é possível crer que podemos “apressar” a volta do Senhor sem necessariamente crer na iminência.

    … os judeus da época de Cristo (até mesmo os seus discípulos antes de sua ressurreição) não enxergaram duas vindas intercaladas por um período de tempo com propósitos distintos de seu messias (1ª pagar o preço do pecado na cruz e 2ª trazer juízo estabelecendo o seu reino milenar ver Isaías 53)

    Os judeus da época de Cristo estavam sacrificando animais enquanto o sacrifício perfeito era oferecido na cruz. Já os discípulos somente entenderam algumas coisas depois da descida do Espírito Santo. Entretanto, as Escrituras veterotestamentárias são precisas ao profetizar acerca de duas vindas distintas: uma para a crucificação e outro para reinar em glória. Portanto, a Bíblia sempre profetizou acerca de duas vindas distintas, apesar de não ser específica quanto ao intervalo de tempo entre uma vinda e outra. Um arrebatamento secreto, por sua vez, não é mencionado em lugar nenhum das Escrituras.

  4. 5 de fevereiro de 2010 12:23

    Existe uma verdade absoluta?
    1- Por trás destas profecias existe um grande mistério pra nossas vidas, podemos afirmar que não exite pretribulação? Ou póstribulação? O que Jesus falou?, seja por meio de ilustrações ou de uma forma clara , há uma grande verdade por trás. Existe uma verdade absoluta. 2 Corintios 13:8 “ Porque nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade. Ele mesmo falou: João 14:6 Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai a não ser por mim. Perceba que a bíblia nos diz que nada pode ser feito contra a verdade, apesar de alguns tentarem contra ela; apesar de nossa era pós-moderna dizer que “não existe uma verdade absoluta” A existência de uma verdade absoluta é bem real, por que está alicerçada em duas bases: 1- Na bíblia que afirma ser a verdade absoluta uma pessoa: Jesus Cristo. 2- Na filosofia, Que diz categoricamente “ duas coisas contraditórias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo” Portanto, não há duas verdades. Tendo estas duas bases em mente. É possível afirmar sem medo de errar que (1) Se a verdade absoluta é uma verdade imutável(Hebreus 13:8) e que (2) duas coisas que se contradizem não podem ser verdadeiras o mesmo tempo, isso significa que existe apenas uma verdade absoluta e que nem todos os caminhos conduzem a Deus. Jeremias 21:8, Mateus 7:13-14.
    Arrebatamento ainda temos muito que aprender

  5. Abdo Mucci de Mattos permalink
    9 de maio de 2010 21:15

    Somente este trecho do Antigo Testamento já basta para enterrar a Teologia da Prosperidade:
    “Afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário.” (Provérbios 30:8)

  6. fabio pimentel permalink
    11 de novembro de 2010 23:25

    é preciso se esclarecer uma coisa:
    quando Jesus disse em mt. 24 a respeito do dia do senhor ele está nos dando informações que nos ajudarão a entendermos quando o momento se aproxima e não nos dizendo como descobrir o dia exato, uma vez que ele mesmo afirma que somente o Pai é quem sabe v. 36, portanto quando ele compara esse evento a mulher que está com dores de parto ele transmite exatamente a idéia de só podemos prever “aproximadamente” o tempo do acontecimento e em seguida ele afirma que virá repentinamente como o ladrão de noite, ou seja, imprevisìvel, por isso logo em seguida ele profere a parábola das dez virgens. de fato creio eu, esta palavra serve para deixar todo servo de Deus vigilante a todo o tempo. a paz do Senhor.

  7. 12 de novembro de 2010 2:06

    Fábio,

    Ninguém sabe a hora exata em que o primeiro pingo de chuva vai cair, mas pelas nuvens e pelo vento é possível saber que em breve irá chover. Da mesma maneira, ninguém sabe a hora exata da volta do Senhor, mas os sinais de sua vinda serão identificáveis. Mais sobre isso no post “O Pré-Tribulacionismo e o ladrão na noite“.

Comentários encerrados.

%d blogueiros gostam disto: