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O Apartheid Dispensacionalista

16 de setembro de 2009

arrebatamentoProeminentes ministérios pré-tribulacionistas defendem uma teologia que aparentemente favorece o povo judeu e o Estado de Israel. Os pré-tribulacionistas, em sua maioria, são pró-sionismo e entendem que Deus ainda tem contas a acertar com a semente natural de Abrãao antes do fim, ao contrário dos adeptos da Teologia da Substituição, que pregam que a Igreja substituiu Israel.

Ironicamente, este  favoritismo termina no início da Grande Tribulação que, de acordo com o dispensacionalismo, durará sete anos. O pensamento pré-tribulacionista é o de que a Igreja será poupada da Grande Tribulação. Ela será recolhida da terra e somente a partir de então é que Deus passará a lidar com Israel. O pré-tribulacionismo dita que enquanto a Noiva desfruta do Noivo nas regiões celestiais, os judeus e mais um bando de crentes “meia-boca” estarão na terra fritando no óleo da ira de Deus por sete anos.

Em primeiro lugar, como explicado em O Pré-tribulacionismo versus A Cronologia Bíblica, não há evidências bíblicas que embasem a crença de que o arrebatamento dos santos se dará antes da tribulação. Em segundo lugar, as Escrituras nos ensinam que Cristo reconciliou judeus e gentios em um só Corpo, por meio da cruz (Ef. 2:11-22). Para o Senhor, há somente um povo, e não dois: o Israel de Deus, formados por judeus e gentios que foram salvos da ira divina (o inferno) pelos méritos de Cristo.

Há uma relação sutil entre a Teologia da Substituição, o Pré-tribulacionismo e o histórico antissemitismo cristão. Ainda que, à princípio, o pré-tribulacionismo favoreça Israel, no final acaba deslizando no mesmo lodo de antissemitismo em que sucumbe o Substitucionismo, ao criar um apartheid teológico que eleva a Igreja acima dos judeus e desfavoreça Israel no final dos tempos – sem nenhum embasamento bíblico.

Se todos nós, judeus e gentios cristãos, clamamos ter Abraão como pai (Rm 4:16), porque então há entre nós aqueles que se comprometem com uma teologia contraditória que decreta nossa independência da comunidade de Israel, arrogantemente crendo que o Messias virá “somente para a Igreja”, como se tivéssemos algum privilégio com relação aos judeus? Não encerrou Deus a todos debaixo da desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos (Rm 11:32)? Onde, então, se embasa tamanha jactância?

Quanta pretensão!!! Foram aos gentios que foram dadas primeiramente a adoção, e a glória, e os pactos, e a promulgação da lei, e o culto, e as promessas (Rm. 9:4)? Não. Quando nossos antepassados ainda estavam adorando ídolos, os judeus já há muito tempo eram os guardiões destas verdades. Trocou Deus de povo ou rejeitou os judeus? Não (Rm 11:1). Por que, então, tamanha jactância, que eleva a Igreja a um nível de favorecimento com relação ao povo de Israel? Se fomos de fato fomos unidos à comunidade de Israel, pela cruz, Deus não vê e não lida com dois povos distintos. Antes, promoverá a restauração, tapando esta lacuna histórica que se desenvolveu entre judeus e cristãos, cancelando o divórcio entre judeus soberbos e cristãos presunçosos que, contrariando o mandamento apostólico, presumem-se em si mesmos (Rm 11:1-32).

Se acompanharmos a história de Israel moderno e os avivamentos na Igreja ocorridos no século XIX e XX, não há como chegarmos a uma conclusão diferente: a de que os caminhos de Israel e da Igreja se cruzarão novamente antes do Dia Final. Todo vale será aterrado e todo monte nivelado, antes que a Glória do Senhor seja derramada sobre a terra e antes que toda a carne veja a salvação de Deus (Is 40:4, Lc 3:5-6). Judeus soberbos e gentios presunçosos se encontrarão no final dos tempos e juntos compartilharão a Glória da Noiva que o Messias virá buscar (Ef. 5:27).

© Pão & Vinho

Este artigo está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcial ou integralmente, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

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One Comment
  1. Evelin Olívia Fróes permalink
    17 de setembro de 2009 19:42

    Olá Hugo! Finalmente chegou o tão aguardado texto. O Gavin Finley também utiliza o termo apartheid. Os evangélicos Pré – Trib se esquecem que Deus criou a Comunidade de Israel formada de Judeus e de Gentios crentes em Jesus Cristo. Sem falar em Jeremias 31 que fala da Casa de Israel e da Casa de Judá, fala de Efraim e também do choro inconsolável de Raquel pelos seus filhos desaparecidos (aos evangélicos pré – tribulacionistas uma lembrança: Raquel foi mãe de José e de Benjamim, Judá foi filho de Léia). Ora, todos os filhos de Israel são israelitas, mas nem todos os israelitas são judeus! Deus jamais poderia dizer que todas as tribos israelitas eram judias! Seria um absurdo por faltar lógica e verdade! Judeus messiânicos ensinam que parte dos cristãos gentios são os Notzrim, que em hebraico significa vigia, vigilante. O judeu ortodoxo Yair Davidiy identifica os Notzrim com os Cristãos e também com as Dez Tribos Perdidas da Casa de Israel que, segundo ele, no Fim dos Tempos reconhecerá sua verdadeira identidade e voltará à sua terra natal, reunindo – se aos seus irmãos judeus. Pouco antes do retorno de Jesus Deus porá fim à desunião da família de Jacó/Israel e de suas várias mulheres, até então superdisfuncional.

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