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O Paradigma do “Templo”

5 de setembro de 2009

Por João A. de Souza Filho

Certos textos bíblicos, quando mal explanados, podem dar uma idéia errada do templo nos dias do Novo Testamento, como se fosse um local usado por todo o povo para adorar a Deus. Exemplo disso é o texto de Atos 2.46:

Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração…

temploMuitas pessoas, por terem um conceito errado de templo, acreditam que os primeiros cristãos reuniam-se no templo de Jerusalém e esquecem que, tanto no templo do Antigo quanto do Novo Testamento, só entravam os sacerdotes para realizar os ofícios sagrados. Nem mesmo todo levita ou sacerdote podia entrar ali a menos que estivesse escalado, isto é, que seu turno o obrigasse a entrar no santuário para oferecer os sacrifícios.

O povo ficava sempre do lado de fora, aguardando o sacerdote, que ministrava ao Senhor em favor deles (como se vê em Lucas 1.10). Além disso, o templo era uma espécie de praça central da cidade, porque, ao redor dele, funcionava não apenas a vida religiosa do povo, mas também o comércio, a venda de verduras, peixes e animais para o sacrifício etc. E, como havia pátios especiais para orações, os irmãos da emergente igreja para lá se dirigiam a fim de orar, como vemos no episódio de Atos 3, em que Pedro e João foram ao templo para a oração das 15 horas. A base da vida religiosa, no entanto, continuava fora do templo, nas vilas e cidades de toda a nação.

Deus parece deixar bem claro que o verdadeiro templo é formado de pessoas e não de tijolos. Nos dias de Jeremias, o povo zombava do profeta, dizendo: “Templo do Senhor! Templo do Senhor!”, insinuando que Deus não permitiria que o templo, local de sua habitação, fosse destruído. Jeremias os advertia: “Não confieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este” (Jr 7.4). O povo tinha a idéia de que, em tempos de guerra, poderia refugiar-se no templo e dizer: “Estamos salvos” (7.10). Mas Deus lhes tirou toda esperança: “Ide agora ao meu lugar, que estava em Siló, onde, no princípio, fiz habitar o meu nome, e vede o que lhe fiz, por causa da maldade do meu povo de Israel” (v. 12).

Jesus também profetizou (Mt 24.2; Lc 21.20) a destruição do templo de Jerusalém, a qual ocorreu no ano 70 da Era Cristã. Depois que o templo foi totalmente destruído e queimado pela ocupação romana, o povo judeu continuou com sua vida religiosa, porque, na realidade, as famílias tinham uma vida religiosa centrada no lar e não num lugar. Dessa maneira também cresceu a igreja, reunindo-se em casas e locais diversos, às vezes vários grupos de irmãos numa mesma cidade em locais separados, porque a essência da vida cristã não se resumia a um local único, mas aos lares que se encontravam em todo lugar.

Deus não precisa de templos materiais, de locais fixos para ser adorado (lembra-se do que ele disse à mulher samaritana sobre a verdadeira adoração?). O templo de Salomão, na realidade, é uma figura do verdadeiro templo – o conjunto de pessoas que formam o santuário de Deus – e aponta escatologicamente para a igreja, a casa de oração para todos os povos!

Por mais de 300 anos, desde seu início até a época de Constantino, a igreja reunia-se em casas sem precisar de um local chamado de templo ou santuário. As casas eram adaptadas para a reunião da família de Deus.

Fonte: Revista Impacto, Edição 60.

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11 Comentários
  1. Evelin Olívia Fróes permalink
    5 de setembro de 2009 19:17

    Eu vivi essa experiência nas reuniões da célula Redimidos quando eu frequentava a Igreja Presbiteriana. Cada sábado o encontro era na casa de um membro, às vezes na igreja mesmo. Celebrávamos até aniversários! Foi uma experiência muito boa, só lamento o fato de eu não estar espiritualmente preparada naquela época… uma cabeça católica no meio de evangélicos dificilmente dá certo. Hoje minha mente é mais aberta e um pouco mais flexível. Deus se comunica conosco até mesmo através de nossos próprios erros para quebrar a nossa cerviz dura. Hoje tenho outra visão sobre os evangélicos daquela denominação. Estou aprendendo a não ser religiosa e sim espiritual.

    PS: Hugo, vc achou o site http://www.endtimepilgrim.org? Ele é bem interessante e pode ser – lhe útil para tratar de Israelologia e as doutrinas do Arrebatamento Pré – Trib e Pós – Trib.

    Posso enviar para a minha mãe aquele texto “O Âmago da verdadeira ética”?

  2. Hugo permalink*
    5 de setembro de 2009 20:03

    Olá Evelin,

    Sim, eu deu uma olhada no site e achei bastante interessante. De fato é um bom recurso. Há poucas coisas assim em portugues.

    Sim, fique à vontade para passar adiante qualquer texto do blog.

    Um abraço!

  3. 17 de novembro de 2010 17:15

    paz: João A. de Souza Filho
    obs: Concordo que o templo hoje é os salvos I Corintios 3:16 Certamente vocês sabem que são o templo de Deus e que o Espírito de Deus vive em vocês.
    No inicio por causas das perseguições os cristãos reuniam em cavernas e até casa era lugar para se reunir e também Os irmãos da igreja primitiva se reuniam no cenáculo At 1.13; no templo; , mas creio que conforme a igreja ia crescendo e cada uma dela tendo pastores foram construindo templos .Segundo o relato de Lucas sobre a origem e expansão do Cristianismo, os presbíteros já estavam presentes na igreja de Jerusalém. Em Atos, vemos os cristãos de Antioquia enviando mantimentos “aos presbíteros (das igrejas da Judéia) por intermédio de Barnabé e Saulo (11:30). Em sua primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé “promoveram os discípulos em cada igreja” (Atos 14;23). Mais tarde, foram enviados de Antioquia para Jerusalém “para os apóstolos e presbíteros” a fim de esclarecê-los sobre o assunto da circuncisão dos gentios cristãos (Atos 15:2) e “foram bem recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros” (Atos 15:4), que se reuniram para ouvir sobre o caso e resolver a questão (Atos 15:6-23). Não se sabe quem eram e como foram escolhidos esses presbíteros. Mas certamente foram consideradas sua idade e proeminência lhes conferiu o privilégio de prestar serviço especial dentro de suas comunidades. Parece que atuavam de maneira semelhante aos anciãos das comunidades judaicas e do Sinédrio (Atos 11:30; 15:2-6.22-23; 16:4; 21:18).
    Esses recintos para grupos grandes simplesmente acomodavam toda a igreja quando era necessário congregá-la para um propósito em particular. Nos primórdios da existência da igreja, os apóstolos usavam esses recintos para reuniões especiais de ensino para o vasto número de crentes . (Os casos que encontramos em que os apóstolos se com as reuniões regulares da igreja. Enquanto a reunião eclesial é principalmente para a edificação dos crentes, a reunião evangelística é principalmente para a salvação dos perdidos. ex: Tudo indica que o primeiro concilio em Jesrusalém foi neste lugar Atos 1: 12,13 Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, o qual está perto de Jerusalém, à distância do caminho de um sábado.
    E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, irmão de Tiago.
    Atos 5:12 …Estavam no alpendre de Salomão. creio ser este local para grandes reuniões

  4. 22 de novembro de 2010 23:56

    @carlos:

    A história contradiz a sua crença de que “conforme a igreja ia crescendo e cada uma dela tendo pastores foram construindo templos”. Isso não aconteceu por mais de 300 anos na história da Igreja.

    O uso do templo em Jerusalém pelos cristãos não se dava nos moldes que se dão hoje em dia, e é justamente isso que o texto se propõe a explicar. O Alpendre de Salomão citado por você era um grande pátio exterior no templo, não era o templo em si. Servia aos propósitos da Igreja tanto quanto uma praça ou um centro comercial serviria para um evangelismo público nos dias de hoje, pois era um lugar público e não para celebrações cerimoniais (que ocorriam no lado de dentro do templo, oficiada por sacerdotes e levitas).

    Certamente a Igreja usava recintos maiores conforme a necessidade (como Paulo quando usou a escola de Tirano), mas a Bíblia e a história nos mostram que eles não dependiam destas estruturas para viver como Igreja. Reuniões grandes, que necessitavam de um grande auditório, não eram a regra e sim a excessão na Igreja Primitiva. É surreal pensar que os 3000 que se converteram em Atos se congregavam todos no mesmo lugar.

  5. 23 de novembro de 2010 22:58

    paz
    Hugo : No dia de Pentecostes os primeiros membros foram os próprios judeus onde eles se reuniam? Atos 2:46 diz no templo e partiam o pão em casa , sendo judeus iam ao templo Atos 3: 1 na hora nona.É surreal pensar que os 3000 que se converteram em Atos se congregavam todos no mesmo lugar.Hugo estes no inicios eram todos descendentes de judeus. neste caso iam ao templo
    mas quando chegamos ao Atos 6: 1 já vemos judeus e gregos (igreja compostas ) aqui já muda as coisas uma vez tendo os gentios ,ai sim eram as reuniões nas casas.
    mas quando chegou em Atos 15: onde voce acha que foi a reunião para debater o assunto?

  6. 24 de novembro de 2010 23:48

    Carlos,

    Você está repetindo os mesmos argumentos e não está prestanto atençào ao que o texto diz e nem ao eu estou dizendo.

    Vou repetir: a Igreja se utilizava de lugares maiores conforme a conveniencia. Mas isso era a excessão e não a regra. Não sabemos onde a reunião de Atos 15 foi realizada. Você acha que foi no templo, eu acredito que tenha sido em um lugar mais privado do que o átrio exterior do templo.

    Quanto a Igreja de Jerusalém: era uma igreja em transição. Aceitou o Messias, mas manteve suas raízes judaicas. Assim como iam ao templo para orar várias vezes ao dia, também sacrificavam. Portanto, não servem de referência para o que estamos debatendo aqui.

    E mesmo no tocante ao templo em Jerusalém: você bem disse – os gentios não iam. A propósito, sequer seriam admitidos lá, por razões cerimoniais.

    Como o texto acima esclarece, a Igreja se reunia no átrio exterior para proclamar a vinda do Messias, não para fazer culto. Era somente um evangelismo a céu aberto. Eles não gastavam dinheiro na construção de templos porque não precisavam deles. As pessoas doavam dinheiro para alimentar os pobres e absolutamente ninguém teve a idéia de doar um terreno para a construção de uma capelinha. Hoje em dia é o contrário: os pastores tiram dinheiro do pobre para erguer templos, e a minha opinião é a de que esta é uma inversão de prioridades.

  7. 25 de novembro de 2010 9:33

    paz
    Hugo
    Ai voce vem dizendo que eu repetindo os mesmos argumentos , o que voce tem que levar em consideração que quando chega no capitulo 15: de Atos a igreja já era composta de judeus e gentios e a questão foi levantada era sobre a salvação dos gentios pela obras da lei , crença combatida pelos apóstolos , eu fiz a pergunta onde ele se reuniram , com certeza no templo não era mais porque gentios não podiam entrar lá , já tinha diaconos gentios , é isto que falei voce disse que era no átrio exterior ( O átrio exterior era separado do átrio interior por barreiras; … Esta área era chamada Pátio dos Gentios) como não tinham ainda a igreja templos para reunião este era o lugar no inicio.
    mas para frente se analisar direito as igrejas já eram organizadas com seus pastores lendo Apocalipse 3: vemos as sete igrejas organizadas .

  8. 25 de novembro de 2010 15:58

    Carlos, presbíteros, diáconos são estruturas de governo que não tem absolutamente nada haver com “templos”. Igreja “organizada” não é equivalente a um edifício. A China tem uma das igrejas mais crescentes no planeta e não possui templos. O fato é que a Igreja não depende de templos para existir como entidade.

    A Bíblia não fala absolutamente nada sobre construções de edifícios, nem mesmo em Atos 15. Paulo, por exemplo, não se utilizou de templos para ensinar. Usou a escola de Tirano. É razoável pensar que a Igreja se utilizava destes artifícios quando necessário. A arqueologia também desconhece qualquer edificação cristã que date à epoca da Igreja primitiva. Elas simplesmente não existem (SE VOCÊ TEM ALGUM DADO QUE CONTRARIA MINHA PREMISSA, POSTE AQUI).

    Você quer criar uma regra que não se aplica. Os judeus frequentavam o templo para orar, mas também sacrificavam. Os gentios que não nasceram dentro das instituições judaicas. E até mesmo o templo em Jerusalém foi destruído em 70dc. Como regra, a igreja se reuniu em casas por mais de três séculos e esta foi a REGRA. Isso é o que diz a Bíblia e a história testifica.

    Diante disso, eu lhe pergunto: se na Igreja primitiva a prioridade era o pobre, e não a construção de templos, você acha correto a Igreja de hoje gastar mais de 70% em estrutura eclesiástica, incluindo a construção e manutenção de edifícios?

  9. 25 de novembro de 2010 19:24

    paz: Hugo
    obs: Isto quer dizer que as denominações que tem templos para se reunir estão errados? tudo bem hoje a maioria se tornaram denominações cada uma com seus tipos doutrinarios , se há ainda grupos que não tem templos na China será que é por causa do comunismo lá?
    Hugo quero saber de voce tu é membro de alguma denominação? será que as denominações não são igrejas? quero saber.

  10. 26 de novembro de 2010 19:39

    Estruturas religiosas devem ser instrumentalizadas de acordo a necessidade e o contexto da Igreja local. Elas devem ser usadas e trocadas de acordo a necessidade, mas não devem ser perpetuadas como se fossem parte intrínseca da Ekklesia.

    Independente de o comunismo ser o fator que impede os irmão de terem seu templo, meu ponto é o de que a sobrevivencia da Igreja chinesa, bem como o da Igreja primitiva por mais de 300 anos sem edifícios de adoração, provam que uma Igreja não depende de edifícios para ser Igreja.

    O pecado não é se utilizar de edifícios, quando necessário. O problema é quando começamos a depender destas coisas para ser Igreja. A vida da igreja institucional gira em torno do templo (programas e mais programas) e há pouca ênfase no sacerdócio universal, no serviço e na comunhão porque tudo o que a Igreja vê é um programa dentro de um templo. Além disso, pelo menos 80% daquilo que a Igreja arrecada hoje é gasto em estrutura eclesiástica EM DETRIMENTO DOS POBRES dentro e fora da Igreja.

    Essa é uma heresia corporativa que temos praticado ao longo dos anos, sem nenhum respaldo bíblico. As pessoas aprenderam, pela tradição religiosa, a erigir seus próprios bezerros de ouro e pagar caro para sustentá-los. A Igreja se tornou um grande elefante branco devido a grande carga institucional que pensa que deve carregar para ser Igreja, quando na verdade certos elementos são totalmente dispensáveis.

    Do ponto de vista doutrinário, fomos reformados, mas do ponto de vista eclesiológico continuamos sendo católicos romanos. Nossa eclesiologia é totalmente romanista-medieval, com “templos e castas sacerdotais”, mas não é porque algo tem sido feito de uma maneira nos últimos séculos que se torna correto com o tempo.

    A denominação não é a igreja. A denominação é somente uma instituição. A Igreja é as pessoas que estão nas denominações. Não confunda a Noiva com suas roupagens.

  11. 27 de novembro de 2010 8:59

    paz
    Hugo: Quanto a isto concordo, as denominações estão se tornando impérios, ao invés de serem igrejas como corpo de Cristo,na grande tribulação tudo isto vai ficar para traz e aqueles que vão crê terão que sobrevier como na epoca da igreja primitiva reunindo em casas cavernas etc… por causa das perseguições. se todo as fortunas gastas fosse usadas para evangelizar o mundo todo estariam fazendo obedecendo a vontade de Deus.

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