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Aqueles a quem Jesus "ama mais"

25 de agosto de 2009

A Bíblia nos ensina que “Jesus amava à Marta, e a sua irmã e a Lázaro” (Jo 11:5). Além disso, nos ensina que dos 12 discípulos que Jesus tinha, 3 eram mais próximos dele (Pedro, Tiago e João) e destes 3, havia um que era ainda mais próximo, o qual a Bíblia chama de “o discípulo amado” (Jo 19:26).

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A princípio, isso me despertava uma certa indignação. Afinal, não diz a Bíblia que Deus não faz acepção de pessoas?1 Não deveria Jesus amar a todos de igual maneira? Por que, então, as Escrituras dizem que Jesus amava a algumas pessoas em particular?

Descobri que realmente Deus não faz acepção de pessoas, mas algumas pessoas conseguem tocar mais o coração de Deus do que outras. Há níveis em nossa experiência com Deus. Alguns o experimentam somente com lóbulo frontal do cérebro. Outros o experimentam com o coração. Alguns buscam sua face. Outros buscam suas mãos somente.

Para Deus, o ser vem antes do fazer, e o estar antes do abençoar. Deus está interessado em nos abençoar, mas está mais interessado em ter comunhão conosco (e que todas as bênçãos derivem desta comunhão). A Trindade é um exemplo de perfeita comunhão, perfeita, indissolúvel e existente antes da criação do mundo, e Ele quer nos incluir neste círculo de amor e intimidade. O Pai se contentou tanto em seu Filho que resolveu aumentar sua família e cloná-lo na Criação. Ele quer estar em nós, assim como está em seu Primogênito, quer dar amor e desfrutar de nosso amor, assim como o faz com o Primogênito.

Sim, Deus está interessado em que o sirvamos, mas está mais interessado que estejamos apaixonados por Ele e que busquemos sua face. O Senhor não quer as nossas obras. Ele quer nosso coração. Ele quer que, como o discípulo amado, nos reclinemos sobre seu ombro, escutemos as batidas de seu coração e os segredos que Ele quer conosco compartilhar. Ele quer que, assim como Maria, quebremos diante dele o alabastro de nosso ser, liberando o aroma suave de nossa mais genuina adoração, mergulhando nesta linda relação de amor, ignorando o preconceito e as convenções sociais/religiosas que nos acanham.

De fato, Deus não faz acepção de pessoas. Ele oferece a todos a mesma quantia infinita de seu amor. Mas as Escrituras nos ensinam que algumas pessoas provocam a manifestação deste amor em uma maior intensidade. Enquanto alguns buscam a Deus como Pai, outros somente o usam como um analgésico.

Vivemos em tempos de consumismo religioso, onde as Boas Novas são oferecidas como um mero produto para o benefício do consumidor. A experiência que muitos têm com Deus está limitada a ler uma lista de pedidos diante d’Ele. Outros, usam a Deus como uma espécie de aspirina quando “têm uma dor de cabeça”. Muitos outros estão na maratona do ativismo religioso para “ficar bem na fita” e reservar seu lugarzinho “no céu”. Mas quantos estão interessados em “serem amados por Ele”?

Nota

[1] Dt 10:17, Ef 6:9, Tg 2:1 e 1 Pe 1:17.


© Pão & Vinho

Este texto está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcialmente ou na íntegra, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

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