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O Que Definirá Uma Igreja Orgânica nos Próximos Anos – Parte 2

19 de agosto de 2009
Gastar-se-á menos em estruturas religiosas e mais em pessoas
No contexto acima descrito, a estrutura religiosa se torna um luxo desnecessário. Cargos assalariados se tornarão desnecessários.
O papel do pastor será mais o de orientador e facilitador, e a responsabilidade de fazer a obra de Deus (servir, visitar, orar por enfermos, evangelizar, batizar, etc.) estará dividida entre os demais membros do Corpo de Cristo. Muitos pastores se tornarão bivocacionais (terão um trabalho secular), com excessão dos obreiros extra-locais que atendem a Igreja em diferentes localidades.
A Igreja estará encarnando o propósito de Deus durante a semana, de casa em casa. Lugares específicos para adoração se tornarão obsoletos e demasiadamente caros, levando em consideração sua pouca utilidade. A Igreja expressará sua fé publicamente ao ar livre, muitas vezes: em parques, praças, favelas, para o pouco uso
O dinheiro que hoje se ocupa, na maior parte de sua totalidade, para financiar a estrutura religiosa (templos e salários), será usado como era
) Do pastor único à liderança plural
4) Desmistificação e redescobrimento dos dons apostólicos e proféticos
5) A mesa volta para o centro: os católicos não estavam tão errados
7) Troca-se a formação acadêmica por formação de caráter e de cunho prático:  Lideres emergem naturalmente da experiencia de servir em uma comunidade orgânica
8) Equipes apostólicas para suprir dons a comunidades locais
9) O ensino das Escrituras divide espaço com outros dons
10) A Igreja se tornará mais missional

sementeNa primeira parte desta série de artigos sobre a Igreja Orgânica, falamos sobre o papel do culto de domingo na vida da igreja. Neste artigo, abordaremos questões como o local de reunião, as novas formas de liderança que emergirão, e como algumas comunidades prefirirão investir os fundos provenientes das ofertas dos santos.

Gastar-se-á Menos em Estruturas Religiosas e Mais em Pessoas

Por estrutura religiosa entende-se cargos assalariados e propriedades. No contexto descrito na Parte 1 desta série, tais coisas se tornarão algo totalmente desnecessário.

O papel do pastor será mais o de orientador, mentor e facilitador, e a responsabilidade de fazer a obra de Deus (servir, visitar, orar por enfermos, evangelizar, batizar, etc.) estará dividida entre os demais membros do Corpo de Cristo. Em um contexto de família, o pastor se torna um pai que interage com filhos maduros o suficiente para conduzir a obra do ministério. Diante disso, muitos pastores voltarão ao mercado de trabalho secular e se tornarão bivocacionais, salvo algumas excessões como, por exemplo, obreiros extra-locais que atendem a Igreja em diferentes localidades, além de obreiros com o chamado específico de dedicar-se exclusivamente ao jejum e à oração (ministrar ao Senhor) de tempos em tempos.

A Igreja estará encarnando o propósito de Deus durante a semana, de casa em casa e servindo os necessitados. Lugares específicos para adoração se tornarão obsoletos e demasiadamente caros, levando em consideração sua pouca utilidade. Muitas comunidades buscarão alternativas mais baratas e práticas para suas celebrações. Escolas, centros comunitários e, nas grandes cidades, até estádios serão alugados e usados conforme a necessidade. Praças, parques e outros lugares públicos também serão o ponto de encontro da Ekklesia na cidade.

O dinheiro que hoje se ocupa, na maior parte de sua totalidade, para financiar a estrutura religiosa (templos e salários), voltará a ser usado como era no livro de Atos: para aliviar o sofrimento dos pobres, financiar o ministério de missionários e de obreiros extra-locais.

Mais missionários poderão ser enviados ao campo. Muitos irmãos serão ajudados financeiramente em tempos de dificuldade, e muitos serão resgatados da escravidão das dívidas. Haverá um esforço por um equilíbrio social no Corpo de Cristo (Atos 2:44-45, 4:34-35, Atos 6).

E isso nos leva ao próximo ponto:

A Igreja Estará Mais Envolvida Com os de Fora

Ao invés de canalizar seus recursos na manutenção de sua própria estrutura, a igreja começará a olhar mais para os menos favorecidos de nossa sociedade, primeiro dentro e depois fora da Ekklesia. O tempo e o dinheiro que antes eram gastos com programas religiosos no templo, serão investidos na comunhão dos santos, de casa em casa e em obras de caridade entre os pobres. A agenda da Igreja terá o pobre como uma de suas prioridades, no intuito de aliviar seu sofrimento, e testemunhar do amor de Cristo aos que já não tem esperança.

O sucesso da Ekklesia não será medido pelo tamanho de seu prédio ou pela assistência aos cultos de domingo. Não girará em torno de programas para servir os que já são convertidos. Sua eficácia será evidenciada pelo modo como envia e alcança os de fora. A Igreja orgânica substituirá a auto-promoção pela atração, ao servir os menos previlegiados e em cativeiro espiritual da sociedade.

A missão da Igreja orgânica não será somente falar das coisas de Deus, e sim de forma prática encarnar o propósito de Deus em Jerusalém, Samaria e nos confins da terra. Esse fator está diretamente ligado ao próximo:

Troca-se a Formação Acadêmica pela Formação de Caráter e Ministério Prático

Lideres na Igreja orgânica emergirão naturalmente da experiencia de ter comunhão e servir em uma comunidade orgânica. Seu processo de aprendizado não é acadêmico e sim de cunho prático. A oração e o estudo das Escrituras se dão em grupos pequenos de comunhão. As obras de caridade tornam-se uma ferramenta, não somente de justiça social, mas também de evangelismo e formação ministerial: aprende-se a evangelizar, orar pelos enfermos, expulsar demônios à medida que a Igreja se envolve com os perdidos da sociedade.

Líderes na Igreja orgânica serão forjados enquanto servem os da Ekklesia e os de fora, tanto com seus dons espirituais como com seus talentos. Sua formação profissional será secular e não religiosa. Universidades e seminários bíblicos serão substituídos por favelas, hospitais, penitenciárias, asilos e orfanatos, como local de aprendizado, formação e treinamento.1 O pastor profissional desaparece para dar lugar aos advogados, médicos, assistentes sociais, programadores, mecânicos, encanadores, pedreiros, e outros profissionais que  dedicarão sua vida e seus talentos para o serviço ao próximo. Os líderes da Igreja orgânica não serão vistos como sacerdotes ou clérigos, e sim como servidores, tanto pela Ekklesia quanto pela comunidade.

O Líder Singular Dá Lugar A Um Colegiado de Obreiros

A Igreja orgânica nos próximos anos não girará em torno do carisma ou das decisões de um só homem. A cadeia de autoridade será plana, horizontal – exercida em conjunto com outros semelhantes – e não piramidal (Mat 20:26-27). A figura do pastor singular desaparecerá em muitas comunidades. O governo da Igreja em cada cidade será exercido por um colegiado de obreiros (Atos 14:23, Tito 1:5) que se submeterão entre si e se completarão em seus diferentes dons. A exemplo de Atos 15 (no episódio que alguns chamam de “o primeiro concílio da Igreja”), decisões serão tomadas pelo consenso de obreiros maduros que juntos buscarão a direção do Espírito Santo para as questões do dia a dia.

Continua na Parte 3.

Nota

[1] A formação acadêmica não representa necessariamente um problema, desde que se entenda que o que forma um mestre do Reino não é o seu diploma teológico e sim o seu dom natural. Mestres são reconhecidos e estabelecidos na Igreja por naturalmente operarem no dom de ensino, e não por uma instituição terrena que lhes concede um pedacinho de papel. Particularmente, conheço excelentes mestres do Reino que jamais passaram por um instituto bíblico. Biblicamente falando, a formação acadêmica não deve ser um requisito para a obra do ministério. As heresias não se propagam na Igreja pela falta de treinamento acadêmico, e sim por causa daqueles que operam fora de seu dom (por exemplo, profetas ou evangelistas que se aventuram a ensinar doutrina). Precisamos de eruditos nas linguas originais e em outras áreas teológicas, mas a formação acadêmica não eleva o obreiro a um nível superior aos demais membros do presbitério, pois as Escrituras nos ensinam que nem todos os presbíteros foram chamados a ensinar a Palavra (1 Timóteo 5:17), mas no entanto são presbíteros juntamente com os mestres do Reino. Mestres operam em igualdade e submissão a outros membros do presbitério local (profetas, evangelistas e pastores). A especialização, nestes termos, pode ser conquistada por aqueles que assim desejarem.


© Pão & Vinho

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