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O Âmago da Verdadeira Ética

4 de agosto de 2009

Na igreja evangélica contemporânea, é comum as pessoas reconhecerem, verbalmente, que a Bíblia, como Palavra de Deus, é a autoridade final no que diz respeito ao que crêem e à maneira como vivem. Contudo, na realidade, uma conexão nítida entre o que elas confessam em público e a sua conduta pessoal é rara. Em tempos em que a mensagem da cruz vem sendo ofuscada pelo humanismo, pela filosofia pós-moderna e pelo liberalismo maquiados pelo evangelho social, é sempre bom que nos recordemos dos fundamentos básicos do verdadeiro Evangelho.

Por John MacArthur

eticaEm vez de examinarem a Bíblia, muitos cristãos professos recorrem  à psicologia e à sociologia a fim de acharem soluções para necessidades pessoais e males sociais. A ascensão do pensamento pós-moderno tem distorcido o entendimento da igreja acerca do certo e do errado, enquanto uma tolerância não bíblica (em nome do amor) tem enfraquecido as igrejas a ponto de se tornarem levianas quanto à verdade e ao pecado. Shows de televisão populares têm causado um efeito palpável (e não para melhor) na maneira como os cristãos americanos pensam nos assuntos corriqueiros. O cenário político tem desempenhado, igualmente, um papel importante em moldar o entendimento evangélico a respeito da moralidade; e palavras como “republicano”, “democrata” ou “liberal” e “conservador” têm definido a diferença entre o que é bom e o que é mau.

O fato é que muitos cristãos professos vivem cada dia fundamentados em princípios diferentes dos princípios bíblicos. Como resultado, as suas prioridades refletem as prioridades do mundo, e não as de Deus. Seus padrões de comportamento e seus planos quanto ao futuro diferem muito pouco dos seus amigos e vizinhos não salvos. Os seus gastos revelam que sua perspectiva é temporal e que estão buscando inutilmente o ilusório Sonho Americano. Seus erros, quando os admitem, recebem os mesmos nomes que o mundo lhes atribui (“enganos”, “enfermidades”, “vícios”, e não “pecados”), à medida que buscam respostas na psicologia, na medicina ou na seção de auto-ajuda nas livrarias. Embora sejam adeptos de uma forma exterior de moralismo cristão, não há nada particularmente bíblico ou cristocêntrico na maneira como vivem.

No entanto, é na vida de pecadores que foram transformados pelo evangelho da graça que a ética distintamente cristã tem de ser manifestada. O verdadeiro cristianismo não é definido com base em moralismo externo, tradicionalismo religioso ou partidos políticos, e sim com base no amor pessoal por Cristo e no desejo de segui-Lo, sem importar-se com o custo (cfr. Jo 14.15). É somente pelo fato de que os cristãos foram transformados no interior (por meio da regeneração operada pelo Espírito Santo) que eles são capazes de exibir piedade em seu comportamento. E o mundo não pode fazer nada além de observar. Como Jesus disse aos seus ouvintes, no Sermão do Monte: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16; cf. 1 Pe 2.12).

O âmago da ética cristã é o evangelho. Somente aqueles que foram transformados no interior (Tt 3.5-8) e são habitados pelo Espírito Santo (Rm 8.13-14) podem demonstrar verdadeira santidade (Gl 5.22-23; 1 Pe 1.16). O cristianismo bíblico não se preocupa primariamente com mudança no comportamento exterior (cf. Mt 5-7), e sim com uma mudança de coração que se manifesta posteriormente em uma vida mudada (1 Co 6.9-11).

A verdadeira ética cristã não é possível sem a obra de regeneração realizada pelo Espírito Santo. A menos que o homem interior seja primeiramente purificado, a moralidade externa e observâncias religiosas são apenas um disfarce superficial. Jesus repreendeu os hipócritas de seus dias com estas palavras: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia” (Mt 23.27). Cristo não estava dizendo que o comportamento é insignificante. Mas, do ponto de vista de Deus, o que mais importa é o coração (cf. 1 Sm 16.7; Mc 12.30-31).

O coração que foi verdadeiramente transformado por Deus corresponderá em amor ao seu Filho, Jesus Cristo (cf. Jo 8.42). E aqueles que amam a Jesus Cristo desejarão intensamente segui-Lo e obedecer aos seus mandamento (cf. Jo 14.15), conforme registrados em sua Palavra. Uma ética verdadeiramente cristã afirma e aplica com ardor as instruções morais contidas na Bíblia. Mas não faz isso como uma tentativa de ganhar legalisticamente a salvação (Is 64.6). Antes, tendo recebido a salvação como o dom de Deus por meio da fé em Cristo (Ef 2.8-9), a ética cristã obedece motivada por um coração cheio de amor (Ef 2.10).

Se os cristãos têm de viver em harmonia com o que são (filhos de Deus), devem viver de acordo com a Palavra de Deus, pelo poder do Espírito Santo. Nenhum outra fonte de sabedoria ou percepção moral o capacitará a viver assim. Por definição, eles são o povo do Livro — não somente aos domingos, mas também durante cada dia da semana (cf. Is 66.2).

Introdução ao livro Right Thinking in a World Gone Wrong (Pensando Certo em um Mundo Errado).

Via: Veritas – Fé Reformada

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8 Comentários
  1. Evelin Olívia Fróes permalink
    6 de setembro de 2009 17:32

    Oi Hugo, tudo bom? Deixe – me ver se eu entendi:

    Primeiro entramos em contato com a Palavra de Deus, a Bíblia, para conhecermos o que é o pecado, a sua gravidade e consequências e todos os tipos de pecado, isso tudo através do estudo bíblico. Depois de conscientizados e sensibilizados reconhecemos nossa natureza de pecadores, reconhecemos nossos pecados e com a ajuda do Espírito Santo (que começa ao acompanhar nosso estudo da Bíblia) nos arrependemos e confessamos nossos pecados e pedimos perdão a Deus e Salvação a Jesus. O nascer de novo é a regeneração, o processo de transformação da mente (pensamentos, vontades, decisões, intelecto, compreensão e visão de mundo e percepção da realidade) e transformação do coração (sentimentos e emoções). A transformação do comportamento é a transformação de hábitos e de costumes, a última etapa. A regeneração acontece quando? Ao arrependermos sinceramente ou depois do arrependimento? Eu penso que o nascer de novo é um processo e não um ato único. O arrependimento também é processo. Aliás, toda a conversão é um processo composto de várias fases. Acertei? É isso mesmo? Sua ajuda será bem vinda, pois apesar de ter feito a Oração do Pecador eu confesso que ainda sou uma cristã carnal. Pelo ponto de vista do Pastor do vídeo “A Verdade”, não posso sequer me considerar cristã. Sem falar que ouvi QUATRO vezes seguidas! Isso mesmo: QUATRO VEZES SEGUIDAS o mesmo tipo de pregação de um mesmo pastor batista (duas vezes) e de dois rabinos messiânicos (mais duas vezes) sobre o mesmo assunto: transformação interior! O que será que Deus quer dizer com isso? A Oração do Pecador que eu fiz não valeu de nada? pois fiz com orientação de um cristão.
    Aguardo uma resposta sua,
    Evelin.

  2. Hugo permalink*
    9 de setembro de 2009 15:47

    Evelin,

    A conversão é o arrependimento e uma ruptura radical com uma vida deliberada de pecado. Isso não quer dizer que após a conversão não teremos que lidar com alguns resquícios de nossa natureza adâmica. Aí entra o processo de santificação (sem a qual ninguém verá o Senhor – Hb 12:4), que pode ser rápido na vida de alguns, e mais lento na vida de outras.

    O vídeo ao qual você se refere não deve trazer condenação às pessoas genuinamente convertidas cuja obra da graça ainda está em processo em suas vidas. Há uma diferença entre uma pessoa genuinamente cristã, com pontos vulneráveis e que passa por determinadas lutas, e um religioso de consciência cauterizada que vive uma vida dupla de forma deliberada, e pratica seus pecados dentro do armário.

    Assim como o religioso, o regenerado pode pecar, mas o Espírito Santo o incomoda e o transforma para que saia do pecado (pois o filho de Deus não vive na prática do pecado – 1 Jo 5:8). Já o religioso pratica a “graça barata”, pensando ser salvo somente porque repetiu a “oração do pecador” um dia, ou porque pode recitar um credo mental (doutrinariamente correto) sem nunca ter apresentado frutos de uma vida regenerada. A mensagem do vídeo é dirigida àqueles que adquiriram um novo dialeto (o evangeliquês) mas não um novo coração. Aos que pensam que ir à igreja e participar dos programas igrejeiros dá a eles algum privilégio diante de Deus.

    Quanto a “oração do pecador”, penso que os evangélicos em geral dão muita ênfase a um simples ritual e se esquecem de enfatizar as evidências de uma vida regenerada que são o fruto do Espírito na vida do cristão (Gl 5). Geralmente, pensa-se que alguém é salvo porque REZOU umas palavras bonitas. Esta prática, aliás, foi introduzida na Igreja por Charles Finney, no século XIX. Entretanto, se você analisar as Escrituras, não verá os apóstolos conduzirem nenhum convertido a repetir a “oração do pecador”. A ênfase apostólica estava no arrependimento das obras mortas.

    Quando Paulo disse o que disse em Romanos 10:9, não estava dando uma fórmula salvífica para ser rezada. Se você ler o contexto de Romanos 9 e 10, Paulo contrasta a obra da graça com as obras da lei. Em outras palavras, “o fim da lei é Cristo” e agora somos salvos somente por crer em Jesus (o que consequentemente nos leva à confissão verbal). Paulo, por divina revelação, nos exime do jugo da lei, mas não de buscar o fruto de uma vida regenerada por meio do Espírito. Aquele que crê, confessa o Senhor com sua boca, mas nem todo aquele que confessa o Senhor verbalmente realmente creu e se arrependeu de seus pecados. Por isso penso que é perigoso colocar tanta ênfase nesta prática que os evangélicos chamam de “oração do pecador”.

  3. Evelin Olívia Fróes permalink
    13 de setembro de 2009 22:45

    Eu estava passando por uma fase bem angustiada, em dúvida sem saber se estava salva ou não, sem saber direito sobre conversão, salvação, nascer de novo, santificação, etc. Mas Deus me respondeu: o Sermão “Santidade não é Legalismo” de John Wesley que encontrei no website endtimepilgrim, que é perfeito, e a paz que só sinto quando estou numa sinagoga judaico – messiânica estudando a Torah. Não adianta eu peregrinar de igreja em igreja evangélica, hoje cheguei à conclusão de que Deus me quer entre os Judeus Messiânicos. A minha conversão VERDADEIRA e a minha experiência sobrenatural com Jesus Cristo vão acontecer se eu permanecer entre os Judeus Messiânicos. Por enquanto eu só posso acompanhar pela internet e de vez em quando a Parashah da TV Sião. Mas pretendo, assim que terminar minha pós – graduação, voltar a frequentar a sinagoga. Pois não adianta escolher a comodidade (pois a igreja batista é próxima da minha casa e a sinagoga é bem distante) e dar murro em ponta de faca: Deus sabe muito bem onde eu devo estar e com quem ele quer que eu congregue. Eu desisto de inventar moda!

  4. Hugo permalink*
    15 de setembro de 2009 20:00

    A minha conversão VERDADEIRA e a minha experiência sobrenatural com Jesus Cristo vão acontecer se eu permanecer entre os Judeus Messiânicos.

    Se você acha que uma sinagoga messiânica é o melhor ambiente para que você cresça espiritualmente, eu lhe animo a estar com estes irmãos e crescer em fé. Mas lembre-se que sua conversão verdadeira não pode estar assegurada em nenhum homem ou nenhuma instituição. Ela deve estar alicerçada em sua relação pessoal com Cristo, independentemente da congregação da qual você participa.

  5. Evelin Olívia Fróes permalink
    15 de setembro de 2009 23:12

    Concordo 100% contigo, acontece que, definitivamente, não consigo mais me adaptar a nenhuma igreja dita cristã, seja ela católica ou evangélica. E, tenha certeza disto: só sinto paz entre os judeus messiânicos, uma paz que nunca senti na Igreja Católica e em nenhuma denominação evangélica que eu tenha frequentado. Sei que quem salva é Jesus Cristo, mas eu só posso ser salva se eu me converter e só posso me converter se eu me arrepender, e eu só posso me arrepender se antes eu for discípula, e o único ambiente onde consigo ser discípula é entre os Judeus Messiânicos. Quem o diz é uma pessoa que peregrinou por várias denominações cristãs, que tem uma certa experiência de vida. A Igreja Católica não ensina o nascer de novo e a salvação por Jesus Cristo, e a igreja evangélica ensina a graça barata por meio de uma espécie de aversão ao Antigo Testamento. Então, o que me sobra para meu crescimento espiritual?

  6. Evelin Fróes permalink
    5 de fevereiro de 2010 17:01

    Hugo, encontrei uns textos do Ray Comfort bastante esclarecedores sobre evangelismo e conversão. É exatamente o que eu precisava! Realmente, o decisionismo criado por Charles Finney têm produzido os maus frutos da falsa conversão que se espalharam pelas igrejas evangélicas modernas. É muito difícil encontrar uma igreja que faça um evangelismo sério e verdadeiro… uma lástima!

  7. Hugo permalink*
    5 de fevereiro de 2010 17:12

    Pode mandar o link do texto?

  8. Evelin Fróes permalink
    5 de fevereiro de 2010 20:18

    Hugo, aí vão dois textos de Ray Comfort traduzidos para o português: O maior segredo do diabo e Verdadeira e Falsa Conversão.

    Eu descobri esses textos no blog de um casal cristão, veja o texto deles: Charles Finney, pai do Evangelismo Moderno do blog Pés Descalços. Espero que seja de grande ajuda, pois eles estão empenhados em evangelizar de verdade, ao contrário das igrejas que mais se preocupam em parecer um clube.

    Ler esses textos foi uma bênção, pois agora a conversão não é mais um quebra – cabeças para mim. Conclusão? eu não sou convertida e nem salva. Não adianta enganar a mim mesma. E com relação a se utilizar a Lei para evangelizar, minhas idéias continuam de pé, Ray Comfort apenas confirmou o que eu já sabia.

Comentários encerrados.

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