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Carta Magna Para a Restauração da Supremacia de Cristo

6 de julho de 2009

Um Manifesto por Jesus para a Igreja do Século XXI

Por Leonard Sweet e Frank Viola

Os cristãos fizeram tantas coisas com o evangelho, coisas diferentes de Cristo.

Jesus Cristo é a força gravitacional que une todas as coisas e lhes dá sentido, realidade e significado. Sem ele, todas as coisas perdem seu valor. Sem ele, todas as coisas são meras partes desconexas que flutuam no espaço.

É possível enfatizar uma realidade espiritual, valores, virtudes e dons, e mesmo assim esquecer-se de Cristo, aquele que é a incorporação e a encarnação de todas as coisas espirituais, valores, virtudes e dons.

Busque uma verdade, um valor, uma virtude ou um dom espiritual, e você encontrará algo morto. Busque a Cristo, abrace Cristo, conheça Cristo e você tocará aquele que é Vida. E nele reside toda Verdade, Valores, Virtudes e Dons em cores vivas. Beleza só tem significado na beleza de Jesus, naquele em quem encontramos tudo o que nos faz amar e ser amados.

O que é Cristianismo? É Cristo. Nada mais, nada menos. O Cristianismo não é uma ideologia. O Cristianismo não é uma filosofia. O Cristianismo é as boas novas de que a Beleza, a Verdade e a Bondade são encontradas em uma pessoa. A comunidade bíblica é fundada e encontrada em sua conexão com esta pessoa. Conversão é muito mais do que uma mudança de direção; é uma mudança de conexão. Jesus usava a palavra hebraica shubb, ou seu equivalente em aramaico, para pregar o arrependimento, o que não implica em ver Deus à distância, mas em entrar em uma relação onde Deus seja o centro nesta conexão com o homem.

E no tocante a estas coisas, sentimos que há uma enorme desconexão na igreja contemporânea. Eis a razão deste manifesto.

Cremos que a maior enfermidade da Igreja hoje se chama DDJ: Distúrbio da Deficiência de Jesus. A pessoa de Jesus está se tornando cada vez mais politicamente incorreta, e está sendo substituída por uma linguagem de justiça, Reino de Deus, valores e princípios de liderança. Neste momento, a mensagem que sentimos que o Senhor nos chamou a transmitir enfoca-se na primazia do Senhor Jesus Cristo. Especificamente:

1) O centro e a órbita da vida cristã são nada mais que a pessoa de Jesus. Todas as demais coisas, incluindo assuntos relacionados a ele e a respeito dele, são ofuscadas por seu valor inigualável. Conhecer a Cristo é a Vida Eterna. Conhecê-lo profundamente, intensamente e verdadeiramente, experimentar suas riquezas inescrutáveis é a busca principal de nossas vidas, assim como era na vida dos primeiros cristãos. Deus não se preocupa tanto em consertar as coisas que deram errado em nossas, assim como se importa em encontrar-nos em nossa debilidade e dar-nos Cristo.

2) Jesus Cristo não poder ser separado de seus ensinamentos. Aristóteles disse aos seus discípulos: “Siga meus ensinamentos.” Sócrates disse aos seus discípulos: “Siga meus ensinamentos.” Buda disse aos seus discípulos: “Siga minhas meditações.” Confúcio disse aos seus discípulos: “Siga o que eu digo.” Maomé disse aos seus discípulos: “Siga meus nobres princípios.” Jesus diz aos seus discípulos: “Sigam a mim.” Em todas as outras religiões, um seguidor pode seguir os ensinamentos de seu fundador sem ter uma relação com tal fundador. Com Jesus Cristo não é assim. Os ensinamentos de Jesus não podem ser separados de Jesus. Jesus Cristo vive e encarna seus ensinamentos. Portanto, tratar Jesus como se fosse o mero idealizador de um conjunto de ensinamentos morais, éticos ou sociais é um terrível engano. O Senhor Jesus e seus ensinamentos são um. O Meio e a Mensagem são Um. Cristo é a encarnação do Reino de Deus e do Sermão do Monte.

3) A grande missão de Deus e seu eterno propósito, na terra e no céu, estão centrados em Cristo – tanto no Cristo individual (o Cabeça) quanto no Cristo coletivo (o Corpo). Todo o universo se move rumo a um só objetivo: a plenitude de Cristo, onde ele preencherá todas as coisas consigo mesmo. Portanto, ser verdadeiramente missional significa edificar sua vida e ministério em Cristo. Ele é o coração e ao mesmo tempo o sangue do propósito de Deus. Não compreender isso é não compreender seu plano; na verdade, é não entender nada.

4) Ser um seguidor de Jesus não tem muito haver com imitação tanto quanto tem haver com implantação e transferência. Encarnação – o conceito de que Deus se conectou conosco na forma de um bebê e em textura humana – é a doutrina mais chocante da religião cristã. A encarnação se deu uma vez e ao mesmo tempo é um processo contínuo, assim como Aquele que era, que é e que há de vir – aquele que agora é e vive sua vida ressurreta em nós e por meio de nós. A encarnação não se aplica somente a Jesus: ela se aplica a cada um de nós. Claro que não da mesma forma sacramental, mas de maneira semelhante. A nós foi dado o Espírito de Deus, que torna Cristo real em nossas vidas. Fomos feitos, nas palavras de Pedro, participantes da natureza divina. Como, então, diante de tão grande verdade, podemos pedir por brinquedos e bijuterias baratas? Como podemos arder em desejo por dádivas de valor inferior e obstinadamente correr atrás de futilidades religiosas e espirituais? Fomos tocados do alto pelo fogo do Todo-Poderoso e agraciados com a vida divina. A vida passou pela morte, que é a vida ressurreta do próprio Filho de Deus. Como não nos entusiasmaremos?

Resumindo tudo em uma pergunta: qual foi o motor, o propulsor da vida maravilhosa do Senhor Jesus? Qual foi a raiz, a fonte de sua expressão? Resposta: Jesus viveu por meio da habitação de seu Pai nele. Depois de sua ressurreição, este processo mudou. O que Deus Pai era para Jesus Cristo, Jesus Cristo é para mim e para você. Ele é a Presença que habita em nós, e participamos da vida que havia na relação entre ele e o Pai. Há um vasto oceano de diferença entre tentar convencer cristãos a imitar Jesus e aprender a implantar Cristo enraizado nas pessoas. O primeiro leva a falhas e frustrações. Já o segundo é o caminho para a vida e gozo, no nosso viver e no nosso morrer. Estamos de acordo com Paulo: Cristo vive em mim. Nossa vida é Cristo. Nele vivemos, respiramos e nele está a essência de nosso ser. “O que Jesus faria?” não é cristianismo. A pergunta do cristianismo é: O que Cristo está fazendo através de mim? Ou por meio de nós? E como Jesus está fazendo isso? Seguir a Jesus significa: confiar e obedecer (responder); é viver por meio de sua vida em nós, pelo poder do Espírito.

5) O Jesus histórico não pode ser separado do Jesus da fé. O Jesus que caminhou pela costa da Galiléia é a mesma pessoa que habita na Igreja hoje. Não há nenhuma separação entre o Jesus do Evangelho de Marcos e o Jesus incrível, todo inclusivo, cósmico retratado na carta de Paulo aos Colossenses. O Cristo que viveu no primeiro século tem uma pré-existência que antecede o tempo. Ele também possui uma pós-existência que sucede o tempo. Ele é o Alfa, o Ômega, o Princípio e o Fim, o A e o Z, tudo ao mesmo tempo. Ele está no futuro e no final dos tempos ao mesmo tempo em que habita em cada um dos filhos de Deus. A falha em compreender estas verdades paradoxais criou problemas monumentais, e tem diminuído a grandeza de Cristo aos olhos do povo de Deus.

6) É possível confundir a causa de Cristo com a pessoa de Cristo. Quando a Igreja primitiva dizia “Jesus é o Senhor”, eles não queriam dizer que “Jesus é meu modelo”. Jesus não é uma causa, ele é uma pessoa real e viva que pode ser conhecida, amada, experimentada, entronizada e encarnada. Concentrar-se em sua causa ou missão não é equivalente a concentrar-se nele ou seguí-lo. É possível servir o “deus de servir a Jesus” ao invés de serví-lo como resultado de um coração arrebatado, cativo por sua beleza irresistível e por seu imensurável amor. Jesus fez com que pensássemos em Deus de uma forma diferente: em termos de relação, como um Deus de relacionamento.

7) Jesus Cristo não foi um ativista social ou um filósofo em questões morais. Pintá-lo dessa maneira é obscurecer sua glória e diluir sua excelência. Justiça fora de Cristo é algo morto. A única arma que pode arrombar os portões do inferno não é o grito por Justiça, mas o nome de Jesus. Jesus Cristo é a encarnação da Justiça, Paz, Santidade e Retidão. Ele é a soma de todas as coisas espirituais, esta estranha força atrativa do cosmos. Quando Jesus se torna uma ideologia, a fé perde seu poder reprodutivo. Jesus não veio ao mundo para transformar más pessoas em boas pessoas. Ele veio para fazer com que os mortos vivam.

8 ) É possível confundir conhecimento acadêmico ou teológico a respeito de Jesus com o conhecimento pessoal do Cristo vivo. Estas duas coisas estão tão distantes uma da outra quanto as centenas de milhões de galáxias entre si. A plenitude de Cristo jamais poderá ser acessada somente pelo lóbulo frontal. A fé cristã se propõe a ser racional, mas também se propõe a desvendar os mais profundos mistérios. A cura para um intelecto descomedido é um coração transformado.

Jesus não deixou seus discípulos com um livrinho de notas sobre teologia sistemática. Ele deixou seus discípulos com sua respiração e com seu corpo. Jesus não deixou seus discípulos com um sistema doutrinário claro e definido, por meio do qual aprenderiam a amar a Deus e a outros. Jesus deu a seus discípulos suas feridas para serem tocadas e suas mãos para curar. Jesus não deixa seus discípulos com uma fé intelectual ou uma perspectiva cristã para interpretar o mundo. Ele deixa seus discípulos com uma fé relacional.

Cristãos não seguem um livro. Cristãos seguem uma pessoa, e esta coleção de livros divinamente inspirados, a qual chamamos de “Bíblia sagrada”, nos ajuda a seguir esta pessoa de maneira mais excelente. A Palavra Escrita é o mapa que nos guia à Palavra Viva. Ou, como Jesus mesmo explica, “todas as Escrituras dão testemunho a meu respeito.” A Bíblia não é o destino, é um compasso que aponta para Cristo, a Estrela do Norte.

A Bíblia não nos oferece um plano ou uma estratégia para vivermos. As boas novas não são um conjunto de leis, ou um nova resolução ética, ou um PLANO novo ou melhor. As boas novas são a estória da vida de uma pessoa, como descrito no Credo Apostólico. O Mistério da Fé proclama esta narrativa: Cristo morreu, Cristo ressuscitou, Cristo voltará. O propósito do Cristianismo não se encontra na adoção de doutrinas teológicas complexas, e sim na expressão de um amor ardente por um estilo de vida no mundo cujo único objetivo é seguir a Jesus – aquele que ensinou que o amor é o que faz da vida um sucesso, não as riquezas, saúde ou qualquer outra coisa: só o amor. E Deus é amor.

9) Só Jesus pode penetrar e transfigurar o vazio do coração da Igreja. Jesus Cristo não pode ser separado de sua Igreja. Ainda que Jesus seja uma pessoa distinta de sua Noiva, ele não está separado dela. Na verdade, ela é o próprio Corpo de Cristo na terra. Deus escolheu investir todo poder, autoridade e vida no Cristo vivo. E Deus em Cristo somente pode ser totalmente conhecido na Igreja e por meio dela (como Paulo disse, a multiforme sabedoria de Deus – que é Cristo – conhecida por meio da ekklesia).

A vida cristã, portanto, não é uma busca individual. É uma jornada coletiva. Conhecer a Cristo e torná-lo conhecido não é uma visão individual. Aqueles que insistem em voar sozinhos cairão por terra. Portanto, Cristo e sua Igreja estão intimamente unidos e conectados. E o que Deus uniu, o homem não separe. Fomos feitos para uma vida com Deus; nossa felicidade só pode ser encontrada em uma vida com Deus. E o próprio Deus encontra prazer e deleite nisso também.

10) Em um mundo que canta – Oh, quem é esse Jesus? – e uma Igreja que canta – Oh, sejamos todos como Jesus! – quem cantará em plenos pulmões – Oh, como amamos a Jesus!

Se Jesus pôde levantar-se dos mortos, podemos pelo menos levantar de nossas camas, de nossos sofás e bancos de igreja, e responder de acordo à vida ressurreta do Senhor em nós, unindo-nos a Jesus naquilo que ele está fazendo no mundo. Chamamos a outros para que se juntem a nós – não para nossa remoção do planeta terra, mas para que plantemos nossos pés ainda mais firmemente na terra, à medida que nossos espíritos voam alto, no céu do prazer e do propósito de Deus. Não somos deste mundo, mas nele vivemos para representar os direitos e os interesses de Deus neste mundo. Nós, coletivamente, como a ekklesia de Deus, somos Cristo neste mundo e para este mundo.

Que Deus possa ter um povo na terra que seja o povo de Cristo, por Cristo e por meio de Cristo. O povo da cruz. Um povo tomado pela eterna paixão de Deus, que é exaltar seu Filho e torná-lo supremo, e cabeça de todas as coisas, visíveis e invisíveis. Um povo que descobriu a luz do Todo Poderoso na face de seu Filho glorioso. Um povo que queira conhecer somente a Cristo crucificado, deixando todas as outras coisas de lado. Um povo que mergulha em suas profundezas, descobre suas riquezas, toca sua vida e recebe seu amor, revelando-o a outros na plenitude de sua glória imensurável.

Nós [Frank Viola e Len Sweet] podemos discordar em muitas coisas – seja eclesiologia, escatologia, soteriologia, sem contar economia, globalização e política. Mas em nossos últimos dois livros – From Eternity to Here (Da Eternidade Até Aqui) So Beutiful (Tão Lindo) – estamos tocando a mesma trombeta. Estes livros são os Manifestos deste Manifesto. Cada um deles apresenta a visão que capturou nossos corações e que desejamos transmitir ao Corpo de Cristo – UMA COISA SEI (Jo 9:25), e essa coisa é o que nos une:

Jesus, o Cristo.

  • Cristãos não seguem o Cristianismo; Cristãos seguem Cristo.
  • Cristãos não pregam a si mesmos; Cristãos proclamam Cristo.
  • Cristãos não apontam valores importantes para as pessoas; Cristãos apontam a cruz para as pessoas.
  • Cristãos não pregam a respeito Cristo; Cristãos pregam Cristo.

Há mais de 300 anos atrás, um pastor alemão escreveu um hino a respeito do Nome que está acima de todos os nomes:

Pergunte-me que coisa grandiosa sei,
Que tanto me dá prazer e me toca? Que grande galardão conquistei?
Em qual nome me glorio? Jesus Cristo, crucificado.

Esta é a grandiosa coisa que sei;
Que tanto me dá prazer e me toca: a fé naquele que morreu para salvar,
Naquele que triunfou sobre a morte: Jesus Cristo, crucificado.

Jesus Cristo – crucificado, ressurreto, entronizado, triunfante e vivo Senhor. Ele é a nossa Busca, nossa Paixão e nossa Vida.

Amem.

Fonte: A Jesus Manifesto Tradução: Paoevinho.org

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