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Quem Mexeu no Queijo da Igreja?

25 de maio de 2009

O ser humano tem a tendência de se adaptar ao previsível. Hábitos, paradigmas e, em alguns casos, até o conformismo nascem dentro das zonas de conforto que criamos quando nos acostumamos com uma certa rotina que nos dá segurança. Mas quando mudanças súbitas acontecem em nossas vidas, somos obrigados a nos readaptarmos. Alguns se adaptam mais rápido, outros mais lentamente, e outros parecem que jamais se adaptarão, entregando-se à derrota e ao fracasso.

O vídeo abaixo é inspirado na obra do Dr. Spencer Johnson Quem Mexeu no Meu Queijo?. Como reagimos diante da mudança?

http://www.youtube.com/v/P5XyMHeKhxY&hl=en_US&fs=1&rel=0&color1=0x5d1719&color2=0xcd311b

Assim como Deus move o queijo de nossas vidas pessoais, também move o queijo da Igreja. Deus moveu o queijo da Igreja várias vezes e está historicamente documentado que, dos quatro seres no labirinto, o povo de Deus em grande parte se identifica com Hem, o duende que ficou chorando quando o queijo acabou, que recusou o queijo novo, que movido pelo medo e pela comodidade se recusou a sair do lugar onde estava e, tomado por uma nostalgia doentia,recusou-se a se adaptar às mudanças.

Deus moveu o queijo dos judeus quando Jesus Cristo encarnou a Antiga Aliança, cumprindo em sua carne conceitos veterotestamentários, abolindo a sombra e manifestando a Realidade, condenando o templo de alvenaria à destruição e levantando um Novo e mais Perfeito Templo em seu lugar: seu próprio Corpo – que deu nascimento à sua Noiva (a Igreja) quando seu lado foi perfurado (a exemplo do primeiro Adão no Jardim do Eden, cujo lado foi perfurado para retirar a costela que serviu de matéria prima para Eva). Mas os judeus preferiram as velhas ordenanças e o templo de alvenaria.

1500 anos mais tarde, depois que o povo de Deus já havia se acostumado a comer queijo adulterado por muitos anos, Lutero e outros reformadores do século XVI entenderam que a salvação era pela graça e não pelo pagamento de indulgências. E muitos cristãos medievais preferiram o queijo podre das indulgências. Igualmente, quando se proclamou que as Escrituras tinham mais autoridade do que o papa, preferiram o queijo adulterado do papa.

Quando os anabatistas falaram em batismo como resultado de arrependimento (refutando assim a validade do batismo infantil), foi a vez de Lutero chorar pelo queijo velho ao mandar prender e afogar os anabatistas (na mentalidade de Lutero, já que os anabatistas gostavam tanto de água, essa seria o melhor tipo de punição para eles).

Quando John Wesley (século XVIII) pregou a conversão e santificação como uma experiência além da mera aceitação mental de um credo religioso, a Igreja da Inglaterra excomungou Wesley por causa do queijo novo que ele distribuía.

Quando o movimento pentecostal estourou nos EUA, reintroduzindo o conceito na Igreja de batismo com o Espírito Santo com a evidência de falar em linguas (início do século XX), foi a vez do movimento de santidade recusar o queijo novo. O mesmo acontece até hoje em algumas igrejas ditas conservadoras que se recusam a reconhecer e demonizam o mover carismático fora e dentro de suas próprias fileiras.

Na metade do século, quando se falou a respeito da restauração do ministério quintuplo na Igreja (apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres – Ef 4:11-12), os amantes do queijo velho se recusaram a buscar o queijo novo.

queijoNos dias atuais, os mais atentos ao mover do “queijo” estão no “labirinto” do desconhecido, em busca do “queijo novo”: do clericalismo ao sacerdócio universal de cada crente, do pastor único rumo à liderança plural, dos convívios sociais proporcionados por programas religiosos para o discipulado por relacionamento, dos caros templos e catedrais rumo ao aconchego e à intimidade das casas. Igualmente, nos dias de hoje, há aqueles que refutam as premissas acima e que lutam pela preservação da saúde institucional da Igreja organizada.

E assim vamos. Nossa história é cíclica, tediosa e fatalista para aqueles que a desconhecem e cometem os mesmos erros do passado. Em toda a história houve, e hoje há, aqueles que não percebem que o queijo está acabando. A exemplo dos dois duendes do video, já estão tão acomodados em sua rotina e não estão preparados para mudanças. Há aqueles que até sabem que o queijo está acabando, mas não sabem como resolver o problema. Há outros cujo queijo já acabou, mas por estarem tomados pelo medo não querem se meter no “labirinto” (desconhecido) na busca pelo queijo novo. Há outros que tentam a todo custo fabricar algo que possa distrair as pessoas, para que elas se esqueçam do aroma e do sabor do queijo autêntico. A propósito, a Igreja é o único negócio no mundo que continua vendendo “queijo” mesmo quando já não tem mais “queijo”.

Jesus Cristo, há mais de 2000 atrás, já explicava a catrastófica relação entre o vinho novo e os odres velhos. Não há como sermos partícipes do vinho novo se o odre velho de nossas mentes não pode ser renovado. Para o desespero dos conservantes (ops, quer dizer, conservadores), Deus move o queijo da Igreja de tempos em tempos. Entretanto, pessoas que sejam tomadas pela nostalgia, pelo comodismo, pelo medo ou que sejam movidas por interesses próprios (que dependam do status quo da religião) jamais estarão preparadas no momento em que Deus mover o queijo da Igreja. O destino de tais é a extinção, como o vídeo sabiamente nos ensina, ou ainda algo muito pior: a irrelevância espiritual.

© Pão & Vinho

Este texto está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcialmente ou na íntegra, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

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