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Rick Warren: Sem Sal, Sem Açucar, Sem Propósito

10 de abril de 2009

Rick Warren, pastor da Saddleback Church em Irvine – California e autor dos bestsellers “Uma Vida Com Propósitos” e “Uma Igreja Com Propósitos”, gera polêmica e dissabor tanto entre evangélicos como em grupos pró-gay após sua entrevista no Larry King Live.

http://www.youtube.com/v/tJnsbZZFX5A&rel

[00:34] Não sou anti-gay ou militante contra o casamento gay. Nunca fui e nunca serei. Durante todo o processo da Proposta 8, nunca fui a uma reunião sequer, nunca emiti nenhum comentário, nunca apoiei formalmente a Proposta 8 durante os dois anos de campanha.

Uma semana antes da votação, alguém em minha igreja me perguntou ‘Pastor Rick, o que vc pensa de tudo isso?’ Respondi com uma nota aos membros de minha igreja dizendo: ‘Pensoque ”casamento” deve ser definido e esta definição deve ser, digamos, algo entre um homem e uma mulher’.

Depois disso, de repente as pessoas me transformaram em algo que eu realmente não sou. Muitas coisas foram ditas. Escrevi para todos os meus amigos gays, os líderes que conhecia, e realmente me desculpei.

[…]

[1:31] Respondi a uma pergunta que deu a impressão de que comparo o casamento gay com pedofilia ou incesto, algo em que definitivamente não acredito.

Rick Warren simplesmente não convence. Não convence os gays (pois outrora apoiou a Proposta 8 publicamente e pregou contra o casamento gay em sua igreja) e não convence os evangélicos mais atentos aos recentes e contraditórios rumos de sua trajetória. Sua mensagem é ambigua e sua postura um tanto confusa.

warrenParticularmente, tive a oportunidade de ver a entrevista na CNN e me decepcionei muito com o que vi: um Rick Warren tímido, ambíguo, político, evasivo, escorregadio e mais preocupado com a manutenção de sua imagem diante de incrédulos do que em proclamar publicamente uma posição alinhada com o Evangelho na crucial questão do homossexualismo. Para dissipar qualquer imagem homofóbica a respeito de sua pessoa, Warren se esforçou ao máximo para tentar se desassociar da Proposta 8 – movimento político realizado na California que, por meio do voto popular, emendou a constituição californiana com a definição de casamento como uma união exclusiva entre um homem e uma mulher. Como cristão residente da Califórnia que orou pelo sucesso da Proposta 8 e conheceu alguns dos obreiros de San Diego envolvidos na campanha, sinto um imenso pesar e preocupação após a entrevista de Rick Warren no Larry King Live e penso que meu sentimento reflete o de muitos outros cristãos na California que apoiaram a Prop. 8.

Preocupado em destruir sua imagem “anti-gay”,  Warren praticamente implica que aqueles que batalharam (não somente em campanha, mas em jejum e oração) para que a Proposta 8 passasse são “anti-gays” (o que equivale a  homofobia). Na tentativa de se desviar das pedradas, Warren covardemente corre e abandona seus companheiros de trincheira (que lutaram em pról da proteção da família e dos direitos de expressão da Igreja na California) na linha de tiro dos liberais.

A participação de Warren no Larry King me fez lembrar, e muito, a do então candidato Barrack Obama no Fórum Civil que o próprio Warren promoveu em sua igreja em tempos de campanha presidencial. Obama,  que se diz cristão mas apoia o aborto e o casamento gay, respondia perguntas simples e diretas feitas pelo então “inquisidor”  Warren (como, por exemplo, “quando começa a vida?”) com evasivas e contradições para não ter que assumir uma posição definida (pró-gay, anti-gay, pró-aborto, pró-vida, etc) e assim não ter que favorecer somente um lado deste entrave ideológico (e perder os votos do outro lado). Meses depois, agora é Warren que, em uma troca de papéis, se lança com discursos politicamente corretos, evasivos e contraditórios diante do “inquisidor” Larry King.

Vale ressaltar que Warren demonstra não ter mudado sua opinião quanto ao casamento como sendo um pacto exclusivo entre pessoas de sexos diferentes (ele não se desculpa aos gays por sua posição conservadora e sim pelo suposto “mau entendido” mencionado na entrevista acima [1:31], algo igualmente questionável). Mas ao mesmo tempo em que, com um nó na garganta, timidamente admite sua posição (praticamente encurralado por Larry King), Warren adota um discurso ambíguo e político, enfatizando causas socias e evitando a todo custo a confrontação. Por exemplo, ao ser indagado por King a respeito de sua opinião sobre a recente legalização do casamento gay no estado de Iowa, Warren escorrega pelas laterais, dizendo que prefere “não criticar ou comentar”, pois sua agenda no momento prioriza questões sociais como a AIDS, a recessão econômica, o aniversário do genocídio em Ruanda, etc [2:00].

Atualmente, a omissão e a ambiguidade parecem andar de mãos dadas na luta pela conquista da simpatia tanto de conservadores quanto liberais, seja para ganhar votos ou vender livros.

Castrados Ideologicamente

Ao que parece, na arena do inconsciente coletivo, os ativistas gays já ganharam a batalha para silenciar seus opositores. Qualquer um que defenda convicções acerca do homossexualismo fundamentadas nas Sagradas Escrituras é taxado de “homofóbico” pelo movimento gay e, ao que parece, até mesmo medalhões evangélicos como Rick Warren – politicamente corretos, intimidados e evitando a todo custo serem associados com algum tipo de “homofobia” – já começam a ser castrados ideologicamente.

Quando algo se estabelece no inconsciente coletivo, inevitavelmente se petrifica na pena dos legisladores. Com isso, já podemos contemplar o dia, não muito distante, em que a Igreja perderá sua liberdade de expressão, sendo acusada e formalmente processada por promover hate speech (discurso de ódio – equivalente aos que a Klu Klux Klan emite contra negros, judeus, índios e outras etnias)  já com o amparo da Lei “anti-homofobia” sempre que expor o que as Escrituras têm a dizer acerca do homossexualismo. E, à medida que ícones como Rick Warren adotam um discurso “sem sal nem açucar”, igualmente insípidos se tornam seus milhares de seguidores que não fedem nem cheiram diante de uma sociedade depravada que se perde e uma Igreja que perde seu teor profético no mundo.

Meu respeito e consideração por Rick Warren não me impedem de dizer quão decepcionado fiquei ao ver esta entrevista. Este tipo de postura colabora para a preparação da Babilônia espiritual do fim dos tempos – a indústria do entretenimento religioso em que milhões de ovelhas cegas seguirão a ícones que se promoverão na sociedade pela prática da política da boa vizinhança marcada pela apatia profética. Receio que a  “Igreja com Propósitos” possa estar perdendo o propósito.

© Pão & Vinho

Este texto está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcialmente ou na íntegra, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

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