Skip to content

Não Há Respostas Para Perguntas Que Não São Feitas

27 de março de 2009

Se você está aqui, é porque sabe de algo. Você não pode explicar exatamente o quê, mas pode sentí-lo. Você sentiu isso toda sua vida. Há algo de errado com o mundo, mas você não sabe o que é. Mas isso é como um espinho em sua mente.  (Morfeu para Neo – Matrix)

frustrated-man1Há alguns meses atrás, vi um adesivo no parachoque de um carro que dizia: “Senhor Jesus, livra-me dos teus seguidores“. E o caro leitor, que talvez nunca se deparou com algo assim antes, deve estar pensando: “Por quê?”

Embora poucos percebam, há hoje um êxodo discreto do sistema religioso convencional de pessoas que estão partindo em busca de formas alternativas de adoração. Isso se dá por vários motivos: feridas adquiridas na denominação, jugos legalistas, hipocrisia, indiferença dos demais membros (falta de comunhão), ojeriza à luxúria institucional de algumas seitas evangélicas, ou simplesmente porque a rotina religiosa a que estão submetidos se tornou sem graça, sem sal, sem açucar. Muitos destes “desviados” amam o Senhor Jesus Cristo de todo coração, mas já não suportam mais a Igreja. E, às vezes, esta barreira começa a partir de um conceito equivocado de “Igreja”. Façamos um teste: feche os olhos agora e pense na palavra “Igreja”. O que vem em sua mente?

Alguns, e não poucos, certamente viram a imagem de uma capela, uma catedral ou um templo. Outros, pensaram em sua instituição religiosa (católica, protestante ou outros produtos da divisão humana). Outros, viram uma reunião religiosa de sábado ou domingo. Outros, talvez, viram algo parecido com um restaurante onde as pessoas  não vão para trabalhar e servir, mas para sererm servidas sempre com uma boa comida (e quando não são, simplesmente trocam de restaurante).

De acordo com as Escrituras, nada disso representa a Igreja. Nas palavras de Paulo, o apóstolo, a Igreja é uma família, a família de Deus (Efésios 2:19). Não é um edifício-templo, não é uma instituição religiosa. A propósito, não há absolutamente nada nas Escrituras que indique que Jesus Cristo ou seus apóstolos fundaram uma instituição religiosa sobre a face da terra. A única coisa que Jesus deixou na terra foi seu Nome para que todo aquele que nele creia seja parte da família de Deus. E se a Igreja é uma família, temos que reprogramar nossas mentes para entender e viver o plano original de Deus ao criar sua Igreja.

A convivência de uma família não se limita a um evento religioso, seja uma missa ou um culto. Família é intimidade. Família é pais criando filhos, é irmão mais velho cuidando do mais novo. A Igreja família não é movida a eventos e sim à relacionamentos. Família é servir uns aos outros com nossos bens, nosso dinheiro e nossos talentos. Família é estar junto só para estar junto, para rir junto e até chorar junto; para comemorar e para dar bronca. Na Igreja família, todos os que crêem estão juntos e têm tudo em comum (Atos 2:44-45).

Na Igreja família não há cleros e leigos, há pais e filhos espirituais. Há filhos maduros que serão pais, e há filhos imaturos que necessitam de cuidados para que amadureçam e também cheguem a ser pais um dia. Na Igreja família não há “classe de discipulado”, há ensino, crescimento e aprendizado por meio da convivência (Deut. 6:6-7). Na Igreja família se dá mais valor à formação de caráter do que à formação acadêmica.1 Não se aprende a eloquentemente discursar sobre o propósito de Deus, e sim a servir o próximo e assim encarná-lo.

Família é comer junto (Atos 2:46). Feche os olhos e imagine um banquete em família, em que pais, irmãos, tios e primos cada um traz um prato diferente. Nos banquetes de família todos compartilham o que têm, ao mesmo tempo em que se alimentam das guloseimas que os outros trouxeram. E no banquete da Igreja família, não é diferente: um traz salmo, outro traz doutrina, outro traz revelação, outro traz línguas e outro traz interpretação. Todos contribuem no banquete, ao mesmo tempo em que todos são edificados (1 Cor. 14:26). Animadores de auditório são desnecessários. Já não há casta de mediadores, pois Cristo é o Cabeça, manifestado no ajuntamento à medida que os santos individualmente contribuem com seus dons.

Agora abra os olhos e enxergue a realidade atual da Igreja em que um evento religioso é conduzido nos finais de semana por uma pequena casta seleta de cantores, pregadores e afins diante uma multidão, passiva, inerte e letárgica. Para você, há algo diferente?

Anos e anos de tradição religiosa nos levaram a uma dimensão espiritual bem distante da realidade descrita acima. Nosso desafio é vasculhar nossa história, aprendermos nosso passado para então entender nossa presente situação. Com isso poderemos, com a ajuda do Espírito Santo, discernir o futuro que o Senhor deseja para sua Amada Noiva. Nossa busca é redescobrir “a riqueza da glória da sua herança nos santos” (Ef 1:18), não como uma realidade a ser experimentada somente na “vida eterna”, mas também por meio da expressão de uma Igreja Gloriosa que faça Jesus Cristo brilhar na terra.

A Igreja institucional, com a qual a maioria de nós conviveu desde nossa infância espiritual, necessita ser avaliada não com um espírito inquisidor e arrogante, mas com o mesmo amor e compaixão de um médico que analisa sua mãe ou seu pai moribundo já em seu estágio terminal. Portanto, desnecessário dizer que nossa intenção não é atirar pedras ou destilar ranso contra quem quer que seja, pois aqui não julgamos pessoas, sua fé, sua integridade ou sinceridade. Somente fazemos uso da liberdade e do pensamento crítico para avaliarmos algumas crenças e práticas do sistema religioso ao qual a maioria dos cristãos de hoje estão condicionados;  práticas e crenças que não estão alicerçadas no Fundamento apostólico, e sim no fundamento da tradição grego-romana que se enraizou na Igreja logo nos primeiros séculos de sua existência.

Não há respostas para perguntas que não são feitas. Se você tem perguntas, junte-se a nós em nossa busca pelas respostas. Se não tem, tudo bem. Em alguns casos, ignorância é sinônimo de felicidade.

Ecclesia semper reformanda est.

Nota

[1] Biblicamente falando, a formação acadêmica não representa necessariamente um problema, mas tampouco é um requisito para a obra do ministério, ou algo que eleve o obreiro a um nível superior aos demais. Mestres no Reino de Deus desenvolvem seu papel na Igreja, com a profundidade no ensino que lhes é característica, mas estes operam em igualdade e sumissão a outros membros do Corpo local (profetas, evangelistas e pastores). O que estabelece um obreiro no ministério de ensino é, além de seu testemunho de vida, o serviço que ele naturalmente presta no Corpo de Cristo, de acordo ao seu dom natural. A formação acadêmica se torna apenas um complemento a ser conquistado pelos que desejam.

Leitura Recomendada

O que Definirá uma Igreja Orgânica nos Próximos Anos – Partes 1, 2 e 3.


© Pão & Vinho

Este texto está sob a licença de Creative Commons e pode ser republicado, parcialmente ou na íntegra, desde que o conteúdo não seja alterado e a fonte seja devidamente citada: http://paoevinho.org.

Anúncios
2 Comentários
  1. Evelin Olívia Fróes permalink
    4 de setembro de 2009 12:17

    É por isso que não vai haver Arrebatamento antes da Tribulação! Deus continuará a mexer no queijo da Igreja até restaurar a igreja do 1º Século de nossa era e prepará – la. E quando ela estiver pronta, provada e lapidada pela Grande Tribulação, ela receberá o seu Noivo quando ele voltar.

  2. Oswaldo permalink
    4 de setembro de 2009 18:40

    Olá Hugo, vai aqui uma ótima frase para a seção “Para pensar”:

    “Antigamente, era preciso batizar os convertidos; hoje, é preciso converter os batizados”…
    Padre Antonio Vieira (1608-1697)

    Abç!

Comentários encerrados.

%d blogueiros gostam disto: