Mais um capítulo da crise no Oriente Médio. Israel desobedece seu padrinho, o Tio Sam, e prossegue com a expansão dos assentamentos na Cisjordânia:
O governo de Israel aprovou a construção de 50 novas moradias em um assentamento nos territórios ocupados da Cisjordânia.
Representantes israelenses afirmaram que os colonos vão ser transferidos de um assentamento não-autorizado e que a iniciativa é apenas a primeira parte de um plano de expansão.
Israel pretende retirar cerca de 200 pessoas do assentamento de Migron, considerado ilegal pelas autoridades israelenses por ter sido construído em terras palestinas particulares. O grupo deve ser reassentado em Adam, ao norte de Jerusalém, que já abriga cerca de 3,5 mil judeus.
Os planos foram revelados em um documento enviado pelo Ministério da Defesa ao Supremo Tribunal de Israel como parte das atas de um processo iniciado pelo grupo israelenses Paz Agora, que é contra os assentamentos.
O documento afirma que mais 1.450 moradias devem ser construídas em Adam, mas apenas 50 delas já foram aprovadas. As demais moradias, segundo os papeis, ainda precisam ser aprovadas separadamente pelo Ministério da Defesa.
Contramão
A medida vai na contramão das últimas exigências do mais forte aliado de Israel, os Estados Unidos. Os americanos recentemente fizeram um apelo pela suspensão de todas as atividades de assentamento em terras palestinas ocupadas.
[…]
Analistas dizem que a resistência de Netanyahu em acatar os pedidos do governo americano deve deixá-lo em rota de colisão com os Estados Unidos.
Israel afirma que os assentamentos devem ter direito a “crescer naturalmente“, embora dados estatísticos recentes indiquem que grande parte das novas moradias vem sendo comprada por recém-chegados de Israel ou mesmo de outros países.
A Autoridade Palestina afirma que os assentamentos – considerados ilegais pelas leis internacionais – são uma dos maiores obstáculos para a paz e prometeu se afastar das negociações enquanto as construções não forem suspensas.
Fonte: BBC Brasil
Vai ser interessante ver este braço de ferro entre Obama e Netanyahu. Nem Bill Clinton, com todo seu charme diplomático, foi capaz de lograr o impossível: eliminar os assentamentos e dividir Jerusalém em duas. Nem mesmo as reuniões em Camp David, no ano 2000, em que Yasser Arafat e Ehud Barak se sentaram à mesma mesa, conseguiram consolidar tal proeza. Vamos ver até onde Obama chega. Até o momento, as coisas parecem bem difíceis.
Apesar desta “malcriação”, Netanyahu disse hoje em Washington que “os laços entre EUA e Israel são inquebráveis“. Será? Cedo ou tarde, os EUA (cada vez menos cristão e cada dia mais secular) se cansará das malcriações de seu afilhado.
Leia também: EUA prestes a abandonar Israel
O governo de Israel aprovou a construção de 50 novas moradias em um assentamento nos territórios ocupados da Cisjordânia.